domingo, 29 de maio de 2011

Provocações de Abujamra: Link da entrevista comigo

Para quem não viu, ou quer rever, aqui o link: http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/programas/1568

Eu? Adorei. Imagina, estar pertinho do Abu, ainda por cima sendo entrevistada por ele, ainda mais com boas provocações... E ainda bem que cortaram uns excessos ;-)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Palestra: Bichos que dão em Gente em SP, sábado 28, de manhã, num parque delicioso com gente idem

Alô alô, Sampa! Sábado quevem levo aí a palestra "Bichos que dão em Gente", a propósito do lançamento da 4a edição atualizada / 6a reimpressão do meu Almanaque de Bichos.

Será às 11h, no Espaço Cultural da AAO (Associação de Agricultura Orgânica) na feirinha do Parque da Água Branca. Mas estarei lá antes, na mesinha, a partir das 9h. O lugar é lindíssimo e o astral também, com alguma coisa calma e alegre que faz bem à alma.

O tema: bichos que a medicina esqueceu. Não temos mais direito automático a exames de fezes completos -- o médico tem que escrever os nomes dos bichos, caso tenha suspeitas. Se não, o exame  geralmente  é superficial e revela apenas inocentes comensais do intestino, abundantes e inofensivos. Assim combatemos às cegas, quando combatemos, e atribuímos a outros tipos de patologia os sintomas que os parasitas provocam.

Por exemplo: hoje é mais frequente diagnosticar-se uma criança com DDA ou hiperatividade do que encontrar nela uma reles lombriga -- verme universal como a minhoca que dá hiperatividade, sonolência, falta de concentração, provoca convulsões e aparece, através de seus ovos, no exames de fezes. Uma lombriga adulta bota 200.000 ovinhos por dia. As jovens larvas fazem seu percurso atravessando os pulmões e causam pneumonia.

No entanto, a parasitologia é uma ciência médica. E as infecções parasitárias são diagnóstico diferencial necessário quando há suspeita de qualquer tipo de câncer, por exemplo. Ou artrite. Ou distúrbios intestinais. Ou alergias.

Isto vai longe. Espero vocês lá no sábado pra mais conversa!

Em www.correcotia.com/vermes está grande parte do texto original do Almanaque de Bichos que dão em Gente, 1a edição. Na imagem o Rotífero, inocente comensal do intestino que entrou aqui só porque é lindo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mozart: Viagem pelas sonatas com Clara Sverner, na Casa do Saber Rio, em junho

Clara Sverner, a grande e queridíssima pianista brasileira que gravou recentemente a série completa das sonatas de Mozart, vai dar um curso muito especial na Casa do Saber Rio -- na verdade uma viagem pelo desenvolvimento da genialidade de Mozart entre 1774 e 1789, período em que compôs as 18 peças. Os encontros serão às 2as feiras de junho, 17h.

Detalhes aqui, um pouco mais sobre Clara Sverner aqui .

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nutricionistas da USP: Petição pelo fim da influência comercial na Faculdade de Nutrição

Recebi, assinei e repasso.

Estamos recolhendo assinaturas, por meio de um abaixo-assinado, para regulamentar a publicidade e propaganda de alimentos, fórmulas infantis e de nutrição enteral e parenteral em ambientes acadêmicos relacionados aos cursos de Nutrição.

Entendemos que as indústrias alimentícias investem em estudantes de Nutrição, através do envio de representantes para ministrarem aulas nos cursos, promovendo seus produtos e distribuindo brindes e amostras grátis, além do patrocínio de eventos universitários e congressos, porque sabem que esses irão utilizar as informações obtidas em sala de aula como parâmetro para a atuação profissional, sendo os futuros propagandistas de suas marcas e seus produtos.
 
Este abaixo-assinado será enviado ao Conselho Federal de Nutricionistas e aos Ministérios da Saúde e da Educação.
Se também for contra essa prática nos cursos de Nutrição, assine e nos ajude a divulgar.
Centro Acadêmico Emílio Ribas  
Nutrição - FSP - USP  
Av. Dr. Arnaldo, 715  São Paulo-SP
Fone/Fax: (11) 3061-7725

quarta-feira, 4 de maio de 2011

5 de maio: Dia internacional das parteiras

 
Um resquício da tradição humana, da sabedoria simples e direta que atravessa milênios e persiste no tecnomundo: o parto feito em casa com a ajuda acolhedora das parteiras.

Pois amanhã é o dia internacional delas, que este ano farão várias marchas em defesa do parto humanizado.

Leia tudo sobre isso no blog Mães da Pátria.  E vivam elas!

Viver melhor: Palestra de Alex Saioro sobre situações perturbadoras e como lidar com elas

APRENDENDO A LIDAR COM SITUAÇÕES PERTURBADORAS
Palestra de Alex Saioro com entrada franca
06/05/2011 - sexta - 19:30h
Espaço Saúde
Rua Mário Portela 49 – Laranjeiras – Rio de Janeiro
(21) 2265-4740 / 2558-3513


"...a vida pode nos surpreender com situações capazes de nos perturbar profundamente. Quando isso acontece só podemos contar com uma coisa: a lucidez da mente e do coração. Mas nem sempre conseguimos acessar esta lucidez, pois isto depende de estarmos bem familiarizados com ela; para isso, precisamos treinar a mente. Nesta palestra serão apresentadas algumas reflexões e práticas que podemos desenvolver para lidar com as situações que nos perturbam no dia a dia."

Alexandre Saioro desenvolve trabalhos com grupos desde 1984, tendo participado da formação de associações, cooperativas e comunidades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Iniciou seu treinamento em meditação budista em 1986 com Don K. Jayanetti e Venerável Puhuwelle Vipassi na Sociedade Budista do Rio de Janeiro. Desde 1993 é praticante do Budismo Tibetano sob orientação de Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche. Atualmente, ministra para grupos e empresas o Programa de Redução do Estresse - A Arte do Estresse e é editor especializado em publicações na área de saúde.

O Programa de Redução do Estresse – A ARTE DO ESTRESSE

Encontros semanais com início dia 13 de maio de 2011
Duração: 2 meses
Horário: 19:30h
Local: Espaço Saúde - Rua Mário Portela 49 – Laranjeiras – Rio de Janeiro
Informações e inscrições - Telefones: 2265-4740 / 2558-3513

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Feijão-fradinho de novo: Contra câncer de seio, sem efeitos colaterais

Da UnB Agência
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília descobriram no popular feijão-de-corda uma nova alternativa para o tratamento do câncer de mama. Estudo conduzido pela pesquisadora Sônia de Freitas em parceria com o professor Ricardo de Azevedo, do Departamento de Morfologia, mostra que uma molécula encontrada naquele grão, chamada BTCI, mata células cancerígenas sem agredir células sadias. A observação foi feita na dissertação da aluna Graziella Joanitti que realizou testes in vitro, com a presença de BTCI em uma baixa concentração (400 micromolar).
Resultado de oito anos de estudos com a BTCI (Black-eyed pea Trypsin Chymotripsin Inhibitor), no futuro, a descoberta pode garantir um tratamento com menos efeitos colaterais que os adotados atualmente, como a radioterapia e a quimioterapia, tratamentos que não são tão seletivos e podem causar a morte de células sadias (veja ilustração abaixo). “Por ser um produto natural ele pode ser uma alternativa com menos efeitos colaterais”, afirma Sônia. A doença acomete 49 mulheres em cada 100 mil no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer.

O restante da matéria está em http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=4939

terça-feira, 19 de abril de 2011

Confusão mental nos idosos: Falta de água

Recebi e repasso, inteiramente de acordo.

Principal causa da confusão mental no idoso
Arnaldo Lichtenstein, médico*

Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:

- Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?

Alguns arriscam: *"Tumor na cabeça". Eu digo: "Não".

Outros apostam: "Mal de Alzheimer". Respondo, novamente: "Não".

A cada negativa a turma se espanta... E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:
- diabetes descontrolado;
- infecção urinária;
- a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos.

Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos
batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito), coma e até morte.

Insisto: não é brincadeira. Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50%
de água no corpo. Isso faz parte do process o natural de envelhecimento. Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica.

Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Conclusão: idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:

1 - O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada du as horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

2 - Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção. É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

(*) Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

domingo, 17 de abril de 2011

Muito prazer: Dra Clara Brandão (2003)

Atualizando meu livrinho Boca feliz, de 1988, onde falo pela primeira vez na médica pediatra e nutróloga Clara Brandão e seu fabuloso trabalho com a multimistura, deu saudade e fui procurar notícias dela na rede. Achei esta entrevista, de 2003, no site Responsabilidade Social. Para quem não a conhece, uma excelente oportunidade.

A nutróloga Clara Brandão, Coordenadora de Orientação Alimentar da Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, trabalha há 30 anos na busca de uma infância brasileira menos desnutrida e subnutrida. Inventora da multimistura – uma farinha composta por farelo de arroz, pó de folhas verdes, de sementes e casca de ovo –, Clara é responsável pela recuperação de inúmeras crianças de todas as regiões do país. Esse poderoso concentrado de minerais e vitaminas é hoje utilizado nas mais de 20 mil comunidades atendidas pela Pastoral da Criança, que ensina famílias a enriquecerem a alimentação diária por meio da adição da farinha de multimistura. Em entrevista concedida ao RESPONSABILIDADESOCIAL.COM, Clara comenta os erros nas estratégias que hoje são usadas para combater a fome, propõem novos pontos de vista e mostra como o empresariado brasileiro pode contribuir para melhorar a situação nutricional do país e, ainda, aumentar seus lucros. Confira:

1) Responsabilidade Social – A senhora pode falar sobre como surgiu a idéia da Multimistura e um pouco da história de como foi implementada no país?

Clara Brandão – Em 1974, fui morar no Pará e no primeiro dia no ambulatório levei um susto: todas as crianças estavam desnutridas. “É sempre assim”, justificou uma enfermeira que trabalhava no lugar. Parti para um levantamento do número de crianças desnutridas naquele município, com 100 mil habitantes, e constatei que na área urbana 77,7% das crianças com menos de 5 anos sofriam de desnutrição. Os casos de desnutrição grave e moderada chegavam a 33% e, na época, não existia nenhum programa de suplementação alimentar. A partir desses números, com o apoio do voluntariado da LBA, montamos 13 creches, com um total de 390 crianças desnutridas, numa tentativa de reverter esta situação. Ainda assim, a verba para alimentação era muito pequena e as crianças continuavam a sofrer com a doença, cujo principal sintoma era a diarréia. Fiquei muito preocupada, pensei em fechar o local, pois vi que estava ajudando pouco e expondo as crianças a um risco maior de contaminação, dada a quantidade de diarréia na creche. A situação era desesperadora quando fui visitar uma plantação de pimenta-do-reino e vi um pozinho no pé da pimenteira e perguntei o que era aquilo. “Isso aqui é farelo de arroz que ninguém usa. É bom para a planta crescer e se fortalecer”, disseram. Fui pesquisar na tabela de composição de alimentos e vi que era uma grande fonte de minerais e vitaminas. Como se tratava de um produto inofensivo, mas muito rico nutricionalmente, testei o farelo num almoço com minha família e todos aprovaram o sabor. Comecei a usar nas refeições da creche e, em três dias, acabaram os casos de diarréia. Depois de um mês, as crianças estavam tão diferentes... Pareciam flores desabrochando. Tudo começou assim.

2) RS – Quais as principais vantagens da multimistura?

CB – Hoje a multimistura é composta dos seguintes alimentos: farelo de arroz e/ou trigo, pó de folhas verdes (principalmente da mandioca, batata-doce ou abóbora, etc.), pó de sementes (gergelim, linhaça, semente de abóbora, melancia, melão ou girassol, etc.) e pó de casca de ovo. É um poderoso concentrado de minerais e vitaminas. Toda a metabolização de carboidratos, proteínas e gorduras depende de minerais e vitaminas para serem aproveitados pelo organismo. Com a multimistura, portanto, é possível maximizar o alimento disponível para a nutrição do corpo. A mudança acontece em questão de dias. Quanto mais grave a desnutrição e menor a faixa etária das crianças, melhor é a resposta ao tratamento com a multimistura. Posso dizer que numa média de três a quatro meses, a criança sai, totalmente, do estado de desnutrição. O melhor é que todos os componentes da multimistura estão disponíveis em qualquer lugar no mundo. A população sempre utiliza o que tem no local, basta aprender a técnica de sua preparação. Além disso, não custa caro implementar o programa. Só é preciso que algum técnico vá até o local pra formar multiplicadores e leve, com ele, o mínimo de material instrucional.

3) RS – Como a idéia se disseminou?

CB – Comecei a apresentar os resultados em congressos, simpósios. A Unicef levou muita gente para conhecer o projeto, inclusive o próprio representante da entidade no Brasil. Em 1983, enviamos duas pessoas do nosso projeto para oferecer treinamento à Pastoral da Criança, que estava começando a surgir. A Pastoral incorporou a idéia e, ao longo dos anos, conforme foi se expandindo por todo o país, a idéia foi indo junto. Praticamente todas as 20 mil comunidades atendidas pela Pastoral atualmente têm a multimistura. Várias outras Organizações Não-Governamentais, diversos municípios e estados adotaram a técnica, que também está presente em 12 países, como Estados Unidos, Angola, Moçambique, Timor Leste. Hoje é domínio público: aonde você vai tem gente usando farelo, as sementes, as folhas verdes e a casquinha de ovo. Belo Horizonte, por exemplo, está há nove anos usando a multimistura, consumindo uma média de mais de 340 toneladas.

4) RS – Na sua opinião, quais providências de maior emergência devem ser tomadas para solucionar a questão da fome, da subnutrição e desnutrição no país?

CB – Nutrição precisa ser trabalhada de duas principais maneiras. A primeira deve considerar a importância de prevenir o que chamamos de ‘origem fetal das doenças crônico-degenerativas’. A criança que nasce desnutrida, além de sofrer com todos os problemas comuns à desnutrição, tem maiores chances de ser diabética, hipertensa e ter doenças do coração na vida adulta. É preciso criar hábitos saudáveis, e não apenas encher a barriga do povo. É preciso fazer com que o povo aprenda a comer melhor dentro daquilo que pode e tem disponível – os elementos da multimistura, por exemplo, estão presentes em todos os cantos do país e são extremamente baratos. A segunda maneira deve considerar a existência dos ‘alimentos nutracêuticos funcionais’ ou alimentos inteligentes. São aqueles que podem não apenas manter a sua saúde, mas também previnem, retardam e curam doenças. Um exemplo: o ácido fólico pode evitar a ocorrência de fissura palatina. Imagine se esse elemento passasse a enriquecer a merenda escolar que é servida nas escolas – o Exército doa 300 mil refeições e o governo paga outras 40 milhões. Seria uma mudança significativa. Se nesse contingente fosse trabalhada a questão de se alimentar bem, a transformação seria incrível. Achocolatado, pão, açúcar – além de não serem saudáveis, custam caro. O leite líquido em crianças pequenas provoca microhemorragia intestinal e, por conseqüência, anemia. Se esses alimentos fossem substituídos por outros mais saudáveis e com base nos produtos que temos disponíveis, as crianças seriam mais saudáveis e o governo poderia aumentar a abrangência do programa, dada a economia que faria. Outro exemplo, um levantamento feito em outubro de 2002, mostrava que no café da manhã daquele mês gastava-se 35% do salário mínimo para alimentar seis pessoas com um pão com margarina e uma xícara de café-com-leite. Se fizesse um café da manhã com cuscuz ou polenta e apenas uma xícara de café, gastaria-se apenas 10% do salário mínimo. Hoje, se 10% da farinha de trigo consumida no país fosse trocada por polvilho de mandioca, seria feita uma economia de R$ 20 milhões em importação de trigo. Além disso, seriam gerados quase 80 mil empregos no campo em um ano. Eu pergunto: por que as pessoas comem tudo à base de trigo e leite quando há tanta alergia a essas substâncias? O governo deveria estimular as pessoas a usarem o que o país produz. Por que comer bolo de trigo sempre e não bolo de mandioca? Ou mandioca frita ao invés de batata frita? Com tais informações, os brasileiros fariam isso e economizariam muito, além de estarem se alimentando muito melhor.

5) RS – O que a senhora entende por Responsabilidade Social?

CB – Creio que, individualmente, todos têm que fazer sua parte – isso é responsabilidade social. O governo tem que dar instrumentos aos voluntários para executar o voluntariado. Se cada um de nós não tomar uma atitude, pode estar fazer mal para o mundo inteiro. As atitudes boas também ecoam da mesma maneira, só que beneficamente. Por isso a importância de estar bem informado, para tomar a atitude certa.

6) RS – Como a senhora avalia a atuação do governo FHC na busca de soluções para a questão nutricional brasileira?

CB – Fizeram coisas boas, mas perderam muitas oportunidades. Exemplo: o governo fez 700 mil cirurgias de catarata, mas não explicou como se previne a doença. Por outro lado, avançou muito na ampliação da merenda escolar, na questão da amamentação (passando o aleitamento exclusivo de quatro para seis meses) e na questão da imunização das crianças.

7) RS – Na sua opinião, de que forma o empresariado brasileiro pode contribuir para melhorar os problemas nutricionais brasileiros?

CB – O Sindicato da Construção Civil do Rio de Janeiro está usando há 12 anos ou mais multimistura nos canteiros de obras, com resultados incríveis: ela diminuiu a ocorrência de acidentes de trabalho, alcoolismo, doenças cardiovasculares, colesterol, diabetes e, é claro, as faltas por motivo de doença. Basta trabalhar as idéias de uma forma profissional, que o retorno será mais do que satisfatório para os empresários.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pé, chão, bolinha: Uma aula da Patrícia


 


sentir o apoio dos pés no chão
espraiar bem os dedos
agarrar o chão com eles
levantar os metatarsos lá dentro
flexionar os dedos do pé


passar a bolinha pela sola dos pés
dos dedos até os calcanhares, e de volta
massageando bem toda a planta do pé


onde tiver pontinhos mais doloridos ou sensíveis
insistir um pouco mais


pressionar no arco do pé e no calcanhar


com a bolinha nas almofadinhas do pé
girar para um lado e outro


com a bolinha no mesmo lugar, elevar os dedos
e depois agarrar a bolinha com todos eles
inclusive o mindinho


Patrícia Simões Lizarralde,
a dona dos pés, é professora de ginástica postural,
dança e outras manhas no Núcleo do Corpo, em Itaipava, RJ.

A bolinha de tênis massageando o pé, ou qualquer outro lugar do corpo, é 10.

é a extremidade do corpo sobre a qual se baseia todo o nosso equilíbrio.
O pé tem 26 ossos, 33 juntas (20 delas ativamente aticuladas)
e mais de 100 músculos, tendões e ligamentos.


Os dedos que vivem rígidos e apertados dentro de sapatos
podem recuperar a flexibilidade com a ajuda da bolinha.

A planta do pé tem pontos de energia ligados ao corpo inteiro.
Massagear os pés relaxa, faz bem à coluna e aos órgãos internos
e alivia dores e desconfortos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nutricionistas na linha de frente: Pela ética no ensino universitário

O Centro Acadêmico Emílio Ribas, da Faculdade de Saúde Pública/USP, divulga a realização, com transmissão ao vivo pela web, da mesa-redonda “Nutrição e publicidade de alimentos: essa relação pode influenciar a atuação profissional?”

5 de maio, 14h a 17h, na Faculdade de Saúde Pública - Auditório João Yunes

Beatriz Mei (CAER) Coordenação da mesa

Carlos Augusto Monteiro (FSP) Obesidade x Publicidade de alimentos

Renata Alves Monteiro (OPSAN/UnB) Regulação da publicidade, DHAA e SAN

Ana Júlia Colameo (IBFAN) Indústrias, profissionais da saúde e ética

Marina Ferreira Rea (IBFAN) Evolução das estratégias adotadas no Brasil frente à pressão das indústrias

Fabiana Alves do Nascimento (CAER) Relação entre indústrias de alimentos e cursos de Nutrição

O evento será transmitido ao vivo pela internet via IPTV/USP:

http://www.iptv.usp.br/portal/home.jsp

Para esclarecimentos, entre em contato com:

caemilioribas@yahoo.com.br

E para saber mais sobre a mobilização e outras atividades do CAER, entre em:

http://caemilioribas.wordpress.com/

quinta-feira, 31 de março de 2011

Brasil melhor: Por leis que nos protejam na diferença

de Emma Ruby-Sachs | Avaaz.org



Caros amigos,

O Deputado Jair Bolsonaro não tem vergonha de se dizer racista e homofóbico em rede nacional. Precisamos mostrar que nós não somos o Brasil retrógrado e preconceituoso que ele representa. Assine a petição agora pela lei anti-homofobia para ampliar direitos contra o preconceito e violência a todos os brasileiros:

Assine a petição!

O Deputado Jair Bolsonaro deu uma entrevista homofóbica e racista chocante em rede nacional -- expondo o preconceito terrível que ainda assombra o Brasil. Enquanto já existem leis que protegem pessoas contra a descriminação, pessoas trans, gays e lésbicas ainda não tem nenhuma proteção legal.

Somente no ano passado 250 pessoas foram assassinadas por serem trans ou homossexuais. A homofobia é real e ela mata. Mesmo assim não há lei que proteja pessoas GLBT da discriminação. Ainda se pode demitir alguém somente pela pessoa ser gay e a violência homofóbica não é punida como crime de preconceito.

Vamos direcionar a nossa indignação contra o Bolsonaro em uma ação concreta, acabando com este ataque à igualdade. Vamos pressionar o Congresso a aprovar a lei anti-homofobia que irá salvar vidas inocentes e ampliar proteções para todos os brasileiros. A petição será entregue em uma marcha massiva em Brasília. Clique abaixo para assinar:

http://www.avaaz.org/po/homofobia_nao/?vl
O Brasil se orgulha em ter uma cultura aberta e tolerante, se colocando como líder na luta por proteções aos direitos humanos no mundo. Mas o nosso país é também um dos lugares mais perigosos do mundo para transexuais -- que sofrem uma violência brutal e execuções sumárias. Até mesmo o Deputado Jean Wyllys recebeu ameaças de morte por defender direitos GLBT no Congresso Nacional.

Nosso país sofre com uma mentalidade discriminatória retrógrada e perigosa que não reflete a sociedade que a maioria de nós quer.

20 Deputados já pediram investigação sobre Bolsonoro pela quebra de decoro parlamentar por racismo. Agora nós precisamos de uma lei contra crimes de homofobia e violência contra a população GLBT do Brasil. Assine a petição abaixo por igualdade e justiça-- ela será entregue em Brasilia com a ajuda dos nossos amigos do All Out e grupos GLBT brasileiros:

http://www.avaaz.org/po/homofobia_nao/?vl

A Avaaz se mobilizou contra a legislação na Uganda que queria executar gays -- e a proposta foi derrotada! Nós estamos organizando uma campanha contra a prática brutal de estuprar mulheres para "curá-las" do lesbianismo. Agora chegou a hora de nós lutarmos contra a discriminação e violência aqui no nosso país.

Com esperança,

Emma, Graziela, Luis, Alice, Ben, Iain e toda a equipe Avaaz

Leia mais:

Jair Bolsonaro dá entrevista polêmica no 'CQC', veja:
http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2011/03/29/jair-bolsonaro-da-entrevista-polemica-no-cqc-veja/
 
Número de assassinatos de homossexuais bate recorde no País:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4881858-EI6578,00.html

Grupo de parlamentares entrará com representação contra Bolsonaro por quebra de decoro:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/03/29/grupo-de-parlamentares-entrara-com-representacao-contra-bolsonaro-por-quebra-de-decoro-924120754.asp

Bolsonaro rasga Constituição a cada frase, diz movimento gay:
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5037642-EI7896,00-Bolsonaro+rasga+Constituicao+a+cada+frase+diz+movimento+gay.html

Saiba mais sobre All Out, uma nova organização internacional de direitos GLBT:
http://allout.org/pt/index

'Estou me lixando para movimento gay', diz Jair Bolsonaro:
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5037535-EI7896,00-Estou+me+lixando+para+movimento+gay+diz+Jair+Bolsonaro.html
*
Apoie a comunidade da Avaaz! 
Nós somos totalmente sustentados por doações de indivíduos, não aceitamos financiamento de governos ou empresas. Nossa equipe dedicada garante que até as menores doações sejam bem aproveitadas -- clique para doar.
 

terça-feira, 29 de março de 2011

Monja Coen: Japão e kokoro, coração-mente-essência


Recebi e repasso este texto da monja Coen Sensei, que nos fala do Japão e dos japoneses através de um olhar budista, treinado como eles para conhecer e manter contato com o que é essencial na vida.

JAPÃO

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar.  Educação para ser capaz  de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo  de duas maneiras.

A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima.

A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas.

Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém.  Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área.  As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as  filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica,  alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques.  Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam.  Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave.  Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver.  Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta.  Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo.   

Sumimasen. Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.

O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei.  Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico.

As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de  resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas.  Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia  o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória,  nada é seguro neste mundo,  tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo  está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra.  O planeta tem seu próprio movimento e vida.  Estamos na superfície, na casquinha mais fina.  Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos.  O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos.  E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas.  Todas eram e são pessoas de meu conhecimento.  Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência.  Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)

Monja Coen

sexta-feira, 25 de março de 2011

Radiação atômica? Nem precisa: agrotóxicos já estão no leite materno no MT

Do boletim@aspta.org.br - Por um Brasil livre de transgênicos e agrotóxicos
 
Uma nova pesquisa realizada na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) revela mais um aberrante efeito do uso generalizado de agrotóxicos sobre a população das regiões de grande produção agrícola.
 
Em Lucas do Rio Verde, município situado a 350 km de Cuiabá, foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres atendidas pelo programa de saúde da família. A coleta foi feita entre a 3ª e a 8ª semana após o parto.
 
Em 100% das amostras foi encontrado ao menos um tipo de agrotóxico. Em 85% dos casos foram encontrados entre 2 e 6 tipos. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se manteve associada à presença de três agrotóxicos.
 
A substância com maior incidência é conhecida como DDE, um derivado de outro agrotóxico, o DDT, proibido pelo Governo Federal em 1998 por provocar infertilidade no homem e abortos espontâneos nas mulheres.
 
O trabalho de pesquisa foi realizado pela mestranda em Saúde Coletiva da UFMT Danielly Palma, sob orientação do Prof. Wandeley Pignati.
 
Lucas do Rio Verde está entre os maiores produtores de grãos do Mato Grosso e entre os maiores produtores nacionais de milho “safrinha”, figurando como um dos principais pólos do agronegócio do estado e do país. Os defensores do modelo agroquímico que impera na região consideram o município como modelo de desenvolvimento.
 
Mas a imagem da cidade começou a ser manchada quando, em março de 2006, a cidade foi banhada pelo herbicida Paraquate, usado na plantação de soja. O veneno, despejado de um avião agrícola, destruiu plantações, hortas e jardins. Atingiu também cursos d’água, casas e pessoas, provocando problemas de saúde e colocando em risco toda a população local.
 
Este caso específico acabou ganhando divulgação nacional graças ao trabalho de um repórter da Radiobrás (seu trabalho originou o livro: MACHADO, P. Um avião contorna o pé de jatobá e a nuvem de agrotóxico pousa na cidade - história da reportagem. Brasília: Anvisa, 2008. 264 p.). Mas infelizmente, não se tratou de um caso isolado: ao contrário, ano após anos, “acidentes” como esse se repetem nas muitas cidades onde o agronegócio prospera.
 
Depois deste caso, uma pesquisa feita em parceria pela a Fundação Oswaldo Cruz e a UFMT encontrou resíduos de agrotóxicos no sangue e na urina de moradores, em poços artesianos e amostras de ar e de água da chuva coletadas em escolas públicas dos municípios de Lucas do Rio Verde e Campo Verde (dois dos principais produtores de grãos do estado).
 
O monitoramento da água de poços revelou que 32% continham resíduos de agrotóxicos. Das amostras de água da chuva analisadas, mais de 40% estavam contaminadas com venenos.
 
Boa parte desta contaminação é proveniente da pulverização aérea de venenos que é praticada na região. Vários estudos demonstram que, na prática, apenas uma parte dos agrotóxicos aplicados sobre lavouras se deposita sobre as plantas. O resto escorre para o solo ou segue pelos ares para contaminar outras áreas. Segundo diversas pesquisas realizadas pela Embrapa Meio Ambiente, em média apenas metade do que é pulverizado atinge o alvo. A parte que se perde no solo ou é carregada pelo vento pode comumente ultrapassar 70% do produto aplicado.
 
Mas um dos aspectos mais lamentáveis de todo este drama é que, ao prestar este valioso serviço à sociedade, estudando e comprovando os efeitos danosos dos venenos agrícolas sobre as pessoas e o meio ambiente, os pesquisadores têm se tornado vítimas de ataques pessoais. Via de regra, quando são divulgados resultados de pesquisas como estes, demonstrando a contaminação da água, do sangue ou do leite materno, os defensores do modelo agroquímico de produção partem para o ataque à reputação dos cientistas e, comumente, lançam dúvidas levianas sobre os métodos e a qualidade das pesquisas. Mas, claro, nunca propõem contraprovas ou a repetição dos testes.
 
Um exemplo tocante deste fenômeno está publicado na seção de comentários do site 24 Horas News, um dos veículos que divulgou a notícia da contaminação do leite materno em Mato Grosso. Diz o internauta Josué:
 
Já estou providenciando a foto dessa "pesquisadora" da UFMT e vou espalhar aqui pelo Nortão todo, nos postes, com a frase: PROCURA-SE - RECOMPENSA DE R$ 10 MIL. Depois vamos dar uma coça nela com pé de soja seco, que ela nunca mais vai pesquisar nada aqui” (18/03/2011 13:13:00).
 
Em agosto de 2010 o professor da Universidade de Buenos Aires Andrés Carrasco foi agredido ao visitar região produtora de soja no país onde participaria de evento para apresentar os dados de sua pesquisa que mostraram os danos causados pelo herbicida glifosato. O estudo foi publicado na Chemical Research in toxicology.
 
É por essas e muitas outras que poucas pesquisas têm sido realizadas sobre este tema. Este é apenas um exemplo grosseiro das pressões que pesquisadores sofrem -- em muitos casos dentro de suas próprias instituições. É preciso muita coragem para cutucar o agronegócio com vara curta.
 
O que estas pesquisas estão mostrando é apenas a ponta do iceberg. Procurando, muito mais evidências dos efeitos nefastos do uso maciço de venenos agrícolas serão achadas.
 
Com informações de:
 
Jornal da Band, 21/03/2011.
O Globo, 23/03/2011.
24 Horas News, 17/03/2011.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Presidente Dilma: Nem só de câncer vivem os problemas no seio (e no resto do corpo)

Estava eu pesquisando para meu querido Almanaque de Bichos que dão em Gente, em 1997, quando me deparei, num site japonês de parasitologia, com as fotos acima. Fiquei três dias arrepiada e quando os cabelinhos assentaram escrevi ao autor da foto, cujo email estava no site: Dr. Nobuaki Akao, então diretor da Faculdade de Parasitologia da Universidade de Tóquio, Japão. Pedi licença para publicar as fotos no meu livro e perguntei se aquilo era um caso raro. Ele deu permissão e respondeu que só no seio, só naquele hospital, eram uns 20 casos por ano. Façam as contas e imaginem outros lugares do corpo e outros hospitais. 

A criatura em questão é uma espargana, larva de Spirometra europaeierinacei, muito comum em cachorros, gatos e humanos no mundo inteiro. E a mulher estava sendo operada, supostamente, de um câncer no seio. Como diz o parasitologista americano Dr. Geoffrey Lapage, em seu livro Animals parasitic in man: “Não há parte do corpo humano, bem como de outro hospedeiro qualquer, que não seja visitada por algum tipo de animal parasitário em algum momento de sua história de vida.”

Entendo que a Presidente se preocupe com a saúde do povo. Que com certeza pode ter câncer, e ser ajudado, ou não, pelo que se chama de prevenção e na verdade é detecção de alguma coisa que quase sempre se supõe câncer. E pode morrer, sempre do câncer que volta depois do tratamento, ou salvar-se, como ela, e ficar grato.

Mas não posso deixar de pensar que o país ganharia muito em qualidade de vida e economia de gastos com saúde - e doença - se fosse restabelecido o padrão de eficácia dos exames de fezes, que decaiu junto com a ascensão do câncer, hoje um diagnóstico epidêmico. É como se as pessoas não tivessem mais tênias, amebas, lombrigas, estrongiloides, giardias, triquinas, esparganas, amarelão e tantos outros hóspedes cujos ovos e cistos aparecem nas fezes. Crianças são hiperativas ou têm DDA, nunca vermes. Convulsão? Leva-se ao neurologista, que pode receitar um anticonvulsivante sem pensar duas vezes. No entanto: lombrigas e outros vermes provocam convulsão, bem como falta de concentração.

Parece que a medicina perdeu o hábito de pedir os diagnósticos diferenciais adequados. No seio, então, a primeira e quase única sentença é sempre câncer. Mesmo sabendo-se claramente que vermes, protozoários e fungos geram quadros muito semelhantes na aparência, na dinâmica dentro do corpo ou na gravidade, por exemplo: amebas provocam abcessos necrosantes no fígado; fascíolas comem os dutos biliares e produzem lesões multiloculares também no fígado; fungos provocam massas tumorais; tricomonas atacam o colo do útero e a próstata; amebíase intestinal evolui quase sempre para câncer de intestino e reto; paragonimus habitam os pulmões; esparganas alojam-se nos seios, como se pode ver para crer; e por aí vai.

Enquanto as máquinas de mamografia podem ser mal calibradas, e as imagens mal interpretadas, e a radiação repetida todos os anos afetar os seios das mulheres de todas as idades, os cientistas da parasitologia não brincam em serviço. Usam exames de fezes, serológicos [de sangue] e radiológicos. As doenças infecciosas e parasitárias ainda são as que mais matam e as que mais minam a saúde do povo. Os parasitas estão no planeta há 600 milhões de anos, Presidente Dilma. Nós estamos há 2 milhõezinhos só. Eles são, digamos, mais preparados.

Ouso dizer: Não se iluda, Presidente. Está linda a sua foto com as famosas, mas não é a mamografia que vai fazer diferença na saúde do povo. O problema médico mais generalizado e nunca mencionado é de outra ordem. Olho vivo.

Viver melhor: Todo o apoio à obstetrícia!

Recebi, assinei e repasso na íntegra.

A saúde da mulher encontra no Brasil números alarmantes. A OMS recomenda que o número de cirurgias cesáreas não ultrapasse 15%, porém, na rede pública brasileira este número alcança a marca de 48% e na rede particular de 70% a 90%. Apesar do incentivo do Ministério da Saúde do Brasil pelo parto normal e pela humanização dos mesmos, as taxas permanecem altas. Sendo assim, em resposta a este quadro, o curso de Obstetrícia foi reaberto na Universidade de São Paulo em 2005, 34 anos depois de sua extinção na mesma universidade.

Ressurgiu determinado a formar profissionais da saúde, capacitados para prestar uma assistência humanizada à população brasileira no que se refere pré-natal, parto e pós parto, compreendendo a saúde da mulher, família e comunidade.

Acreditamos que uma atenção humanizada não é uma especificidade da obstetrícia, certamente profissionais médicos e enfermeiros podem e devem humanizar seu olhar e suas práticas. Contudo, a formação específica em Obstetrícia capacita os profissionais a praticar uma atenção individualizada à mulher e à família, compreendendo-a em seus processos de gestação, parto e amamentação como fisiológico, mas também e igualmente importantes, como processos emocionais, sociais, culturais, espirituais e como sementes para um mundo melhor.

Apesar de se propor a colaborar com a melhora da atenção a saúde da mulher, desde a sua reabertura, o curso enfrenta muitas dificuldades, dentre elas o impasse em relação a regularização da profissão de obstetriz. Além disso, hoje a Obstetrícia corre um risco maior: ter seu vestibular suspenso, o que abre a possibilidade do fechamento do mesmo.

Para que isso não ocorra, pedimos o seu apoio através do abaixo-assinado no link http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8452.

Repasse este link para o máximo de pessoas que você conhecer e que apóiem um modelo de assistência humanizada à mulher e seus processos de gestação, parto e pós-parto.

Precisamos do seu apoio!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Saber viver

Cesar Lobo me trouxe essa linda aquarela da Turquia, juntando num só gesto o amigo, a mãe, a leveza da matéria viva, a transcendência pela música e pelo ritmo e o desenho que gira e levita. Presente para o meu coração e para muitos outros. Axé, Lobinho!

Candidíase, a praga: A dieta | o que ajuda | o que atrapalha

Acabei de postar lá no blog do livro.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Dicionário da mulher: Contracepção, ou... quem manda no seu corpo é você!


Você não quer curtir esse barato de ser mãe agora, então como é que faz? Métodos, há vários. Simples ou tra­ba­­­lhosos, basta você escolher. O mais prático é virar santa, mas os outros quebram o maior galho...

TABELINHA
Aqui o x da questão é determinar quais são os seus dias férteis no mês. Teoricamente eles estão no meio do ciclo menstrual, 3 dias antes da ovulação e um dia depois. Mas onde é exatamente o meio do ciclo? No mês passado ele foi de 28 dias, no retrasado de 30. E agora? Simples: a cada mês você tira a média dos últimos três meses. Aí subtrai 18 dias do seu período mais curto e 10 dias do período mais longo; os dias que vai encontrar são o primeiro e o último em que pode engravi­dar.

Por exemplo, digamos que o seu ciclo mais curto teve 26 dias e o mais longo 35. Portanto 26 menos 18 = 8, e 35 menos 10 = 25, de modo que você pode estar fértil do oitavo ao vigésimo quinto dia do ciclo. 

MUCO CERVICAL
Ele aparece quatro dias antes da ovulação e é outro bom indicador da fertilidade. Não chega a ser corrimento, é um  molha­di­­nho dife­rente que vai ficando mais espesso ao se aproximar o dia D. Biologi­camente, sua função é formar uma base viscosa para os esperma­tozóides poderem viajar lá para dentro. Como isto é exatamente o que você não quer, tome cuidado a partir do momento em que se sentir mais molhada até 4 dias depois do muco ficar grosso e mais seco. A desgraça toda é que justamente nesses dias a gente fica com mais tesão, portanto mais assanhada e imprudente.

DIAFRAGMA, CAMISINHA, CAPUZ
Estes são os chamados métodos de barreira. A barreira é o que impede o espermatozóide de chegar ao óvulo. Pode ser um diafragma, membrana larga de borracha que fecha a entrada do colo do útero; uma camisinha, capinha de borracha para o pênis; ou um capuz cervical, também de borracha, que encaixa bem no cérvix. Todos protegem melhor quando você usa junto um creme ou geléia esper­mi­cida, isto é, que mata os esper­mato­zóides, tadinhos.

O diafragma é o mais eficiente. Para o dia­fragma você precisa que sua médica tire as medidas lá de dentro. Quando comprar, leia atentamente as instruções e não carregue o bichinho de qualquer jeito, porque ele fura, e aí... A camisinha é vendida em qualquer farmácia, cuidado com as mais baratas. Se tiver dúvidas é melhor pôr uma em cima da outra. E o capuz cer­vical, uma espécie de diafragma que envolve o cérvix,  quase ninguém usa porque é ruim de colocar.


ESPONJA
Marinha, 100% natural, não funciona como barreira: é apenas uma forma prática de você utilizar esper­micidas. Perde longe para o dia­fragma.

DIU
Dispositivo intra-ute­rino, é uma pecinha de plástico, geralmente re­coberta por cobre, com um barbantinho pendurado. A pecinha é inse­rida no útero pela sua médica e o barbantinho fica visível na vagina para ser puxado quando for o caso. Mas às vezes os DIUs dão  problemas bem sérios – perfuração de útero, infla­ma­ção, cal­ci­­­ficação, gravidez tubária, de forma que nossas médicas são um tanto avessas a colocá-lo, a não ser que a mulher já tenha usado um sem problemas. Mulheres com múltiplos parceiros e as que nunca tiveram filhos não deveriam usar DIU. No primeiro caso porque a adaptação fica muito mais difícil, no segundo porque se der algum problema e o útero for afetado, adeus filhinhos.

PÍLULA
Por obra e graça daquela cartelinha simpática  pudemos desreprimir uma demanda antiga, e como desreprimimos! Só que nem todo mundo se sente bem com a pílula ou pode tomá-la. Não se receita a pílula para mulheres com mais de 40 anos (35 no caso das fumantes), problemas hepáticos presentes ou passados, crônicos ou agudos, diabetes, distúrbios cardíacos ou vascu­la­res, hipertensão, varizes,  câncer, enxaqueca ou ane­mia. Atua impedindo o hipotálamo de ativar os hormônios da hipófise, de modo que você simplesmente não ovula. Também impede que o muco cervical se torne viscoso, então os esper­matozóides ficam sem condução para subir. Existem diversos tipos de pílulas. Todas têm efeitos colaterais, mas a gravidez também tem...


LAQUEADURA DE TROMPAS
A maneira mais radical de evitar filhos é blo­quear as trompas de Falópio, de modo que os óvulos caem no abdome e ali são reab­sorvidos pelo organismo. Ovinhos no útero, nunca mais. Isso se faz geralmente durante a cesariana se a mulher não quer ou não pode mais ter filhos e o obstetra já está mesmo com a mão na massa: ele simplesmente dobra, amarra e corta as trompas. Mas, diante da lei, a aprovação dependeria de uma junta médica, uma vez que a laqueadura “constitui lesão corporal grave por retirar órgão, sentido ou função”. A operação também pode ser feita em outro momento que não o do parto, através da vagina (raramente) ou por incisão nas pregui­nhas do umbigo.

VASECTOMIA
É um método prático, fácil e eficiente de não ter filhos, e os  efeitos cola­terais são mínimos, mas a maioria dos homens não quer nem tocar no assunto. Por quê? Porque tem que cortar um pedacinho deles, ora essa.

Dentro dos testículos há dois pequenos canais que carregam o esperma para a uretra. O que o médico faz, no consultório mesmo, é puxar esses canais  para fora através de dois corte­zinhos ridículos e zapt!, cortar uma fatiazinha de cada um, selar as pontinhas e pronto. Dura 20 minutinhos. Não dói. E não prejudica potência, ereção ou orgasmo: tudo continua do mesmo jeito, ou melhor que antes, já que o fantasma da gravidez está afastado para todo o sempre.

Mudar de idéia? Pode, mas só se ainda não tiver passado um ano: uma nova mi­cro­­­cirur­gia, a vaso­vasec­to­mia, tem como recons­tituir os canais, com sucesso em 90% dos casos.

ABORTO: OLHO VIVO
Só que com tudo isso você vacilou, e agora tem uma gravidez não de­se­jada. Contra tudo e todos você resolve tirar a criança. Então, já que não pensou antes, pense agora.

No Brasil morre uma mulher a cada 15 minutos por causa de aborto mal feito. É a maior causa de mortalidade entre nossas mulheres jovens.

São 3 a 5 milhões de abortos a cada ano; dez por cento dos casos se com­plicam, e destes, outros dez por cento são fatais.

Embora o aborto seja punido por lei, inúmeras clínicas prestam esse serviço clandestinamente; você vai ter que descobrir a melhor. São dois os métodos aceitáveis. Um utiliza sucção a vácuo, introduzindo um tubo no colo do útero para sugar todo o tecido fetal. O outro utiliza dilatação e cure­tagem: o médico dilata o colo do útero e raspa lá dentro com uma espécie de colher de cabo muito comprido. Qualquer outro artifício – chás, espe­tadelas ou subs­tâncias que as índias colocam – pode pôr você em risco de vida. E mesmo quando é bem realizado, um aborto pode ter conseqüências ruins como  gonor­réia, sífilis e infecções bacterianas contraídas na própria clínica; a pior de todas, esterilidade.

Sua médica certamente não vai apoiar sua decisão de abortar. Mas depois de tudo é ela que pode cuidar da sua saúde, portanto não perca tempo.

Do livro Só para mulheres (e homens que gostam muito das mulheres)

E mais: MÉTODO DA TEMPERATURA BASAL, veja abaixo o comentário de Angela em 23/3 .