quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A senhora não tem nada! Vá para casa e sossegue!

Trecho de entrevista com a nutricionista ortomolecular Cala Cervera, de Barcelona, Espanha

Um de seus temas favoritos parece ser a saúde intestinal. Você escreveu e deu palestras sobre a candidíase crônica e as infecções parasitárias. Esses temas despertam tanto assim o interesse das pessoas? Não são desequilíbrios minoritários?

- A presença desses desequilíbrios na população é altíssima. A quantidade de pessoas que passam anos cronicamente doentes e em quem não encontraram nada, já que nenhum exame acusava anomalia, e que no final foram diagnosticadas com depressão ou ansiedade e mandadas para casa para se acostumarem a viver com os sintomas, é muito grande... Conheci histórias que são de chorar.

O problema com esse tipo de desequilíbrios é, principalmente, que são pouco reconhecidos pela profissão médica espanhola. Ou seja, a candidíase, em geral, só é aceita se existir uma imunodeficiência, como no caso de pacientes com aids; se a pessoa está recebendo quimioterapia; ou se uma mulher sofre de "fungos" vaginais. Fora isso, esquece, pouquíssimos profissionais acreditam nela. E sem dúvida a candidíase crônica, incluindo a vaginal, se origina principalmente no intestino, e até que a pessoa deixe de alimentar o microorganismo, normalmente a Candida albicans, que está causando os sintomas, por mais óvulos vaginais e tratamentos sofisticados que lhe dêm não conseguirá debelar a infecção e em poucas semanas ou meses voltarão a surgir os sintomas.

Os parasitas, por outro lado, em raríssimas ocasiões são contemplados porque se assume que se você não viajou para algum país tropical é quase impossível infectar-se. Falso. Todos convivemos com parasitas e um organismo sadio sabe como proteger-se deles. Sem dúvida, a má alimentação, por exemplo baixa em vitamina B6 e zinco, impede a produção correta de ácido clorídrico no estômago, e ele é que se encarrega, entre outras coisas, de destruir qualquer parasita ou microorganismo não desejado. Há muitas pessoas sofrendo desses desequilíbrios sem diagnóstico. Não, não são minoritários. Em absoluto.

O livro de Cala H. Cervera sobre candidíase crônica está aqui. Valeu, Angela!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Almanaque do banheiro: As partes mimosas da natureza


Tudo na mulher é poesia e samba-canção. Os olhos são o espelho da alma, as mãos herdamos das fadas, o sorriso transporta ao paraíso, a voz é de anjo, a pele de rosas, o corpo de sereia, tudo com infinito poder de beleza e sedução. Mas na hora de falar sobre aquelas pequenas partes tão sensíveis e delicadas não há uma linguagem poética, gentil ou sedutora que traduza o apreço que se tem por elas. A escolha é entre os termos clássicos, tipo vulva e vagina, que soam feios e irreais, os nomes vulgares, aprendidos com pudor e excitação nos grafitos de banheiro, e os inocentes apelidos maternais como xana, xota, xoxota, bimbinha, bobó, pixu, pipi, xibiu, pixirica, xereca, prexeca, perereca, crica, periquita, pombinha, passarinha, bacurinha, partes, países baixos, zona sul...  Acaba-se tascando um “genitália feminina”, que dá à coisa um ar distanciado.

Pois a distância acabou-se, já que é delas que vamos falar: das partes mimosas, que de certo modo governam nossa vida como fontes de prazer, saúde, reprodução, sexualidade — ou vergonha, culpa, repressão, doenças.

A deliciosa “rosa louca” insinuada pela música de Tom Jobim é mesmo uma sucessão de relevos e reentrâncias. Primeiro vem aquele casaco de pêlos, os pentelhos, protegendo o monte-de-vênus, ou púbis, uma parte geralmente gordinha e macia. A qual de repente racha, formando os chamados grandes lábios, que também são macios e gordos. Bem no comecinho da rachadura, mas já na parte interna, fica o mais sensível dos pontos sensíveis da mulher: a cabecinha do clitóris, o tal do grelo, pinguelo, tamatiá, única parte visível de um órgão sexual discretíssimo mas muito fácil de excitar. Junto a essa cabecinha nascem dois babadinhos, um de cada lado, chamados pequenos lábios, que variam muito de tamanho, forma e simetria e se transfiguram durante a excitação sexual, inchando e mudando de cor. Eles contornam a minúscula entrada da uretra, canal por onde a bexiga libera a urina, e terminam na entrada da vagina. A seguir vem uma planície, que é o períneo, e finalmente o ânus, desembocadura do intestino grosso.

A vagina é um canal de paredes rugosas e muito elásticas que vai da vulva até o colo do útero. Sua sensibilidade se limita ao primeiro terço do percurso; daí em diante não sente nada. Na parte posterior faz limite com as mucosas do reto.

Mas o melhor de tudo são os detalhes pitorescos do clitóris, que ficaram ocultos durante milênios e só vieram à luz quando certas feministas (as feministas certas) resolveram meter a mão. Literalmente. Homens não pegam no peru e coçam o saco? Pois elas decidiram pegar nos dedos, cutucar buracos, examinar com lentes e espelhos, fotografar em várias fases do ciclo menstrual, ver como é que fica quando excita, como é que fica quando envelhece (surpresa: o clitóris cresce!), como é que é na preta, na branca, na índia, na japonesa.

O clitóris é assim: uma grande estrutura interna cheia de nervos, músculos e vasos sanguíneos que se espraia pela vulva, incluindo a entrada da vagina e  um pouquinho do períneo, e excluindo o ânus. Toda a região é extremamente sensível, e não só o grelo propriamente dito. Que, aliás, também não é um mero grelo, broto, rebento: aquela cabecinha, meio coberta pelo encontro dos pequenos lábios (mas também pode ser uma cabeçona, tem moça com cada grelo enorme) emenda numa varinha ascendente que até certo ponto dá para acompanhar com o dedo e depois bifurca em duas varetas que descem por trás dos grandes lábios.

Agora o melhor: essa estrutura invisível do clitóris é cheia de tecidos esponjosos que se enchem de sangue e crescem muito à medida que a tensão sexual aumenta, fazendo o grelo ficar completamente empinado. Ou seja: mulher também tem ereção. E quando acontece um orgasmo, as camadas de músculos clitorianos se contraem em uníssono, devolvendo o sangue à circulação e desempinando o grelo, ou seja: mulher também brocha.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Acidófilos: Promoção na Vitamin World MICOU

Alô, galerinha da candidíase e do bom trato intestinal, a Vitamin World está fazendo uma promoção "buy one, get one free". Acabo de comprar quatro vidros de lactobacilos acidófilos, com 250 cápsulas cada, por 36 dólares, frete incluso. Não precisa comprar os megapoderosos com 10 bilhões de lactobacilos vivos porque os mais modestos, de 2 a 3 bilhões por cápsula, resolvem. Se precisar de mais, basta aumentar a frequência da ingestão.

Detalhe: tive mais um descontinho porque sou cadastrada, mas todo mundo pode ser. Outro detalhe: o de graça só aparece no checkout.

Amigos, sinto muito: a alfândega não está deixando passar mais nada. :-(

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Comer bem: Só para quem gosta de alho

Caros colegas amantes do alho, acreditam que houve um Seminário do Alho na UniRio? Pois não só aconteceu de fato como podemos ter acesso a todas as informações clicando no link. Preparem as papilas gustativas porque é muito alho!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Das coisas que se diz sem pensar: Daninhas?


Tanchagem / Celina Gusmão

O cortador de grama quebrou, a peça demorou a chegar, aí choveu sem parar e a grama cresceu. Junto, dezenas de plantinhas novas, aqui e ali. Umas floridas, outras com folhinhas mimosas, outras folhudíssimas, umas bem bonitas, outras nem tanto.

Logo encontro a tanchagem, ou transagem (Plantago major), com suas folhas ovaladas brincando de roda em torno de um pendão cheio de sementes. Remédio fantástico tanto para o sistema respiratório quanto para o digestivo, resolve qualquer congestão de muco - tosse, bronquite, sinusite. Beneficia a imunidade e os rins, equilibra as secreções hormonais, é anti-inflamatório e anti-infeccioso, ajuda a normalizar o sangue.

Reconheço mais adiante um pé de caruru (Amaranthus deflexus), com sua folhagem macia que dá um refogado gostoso, riquíssimo em ferro e vitamina A. Vejo vários pés de serralha (Sonchus oleracens), plantinha que na roça também se come com gosto, em salada ou com um bom angu de fubá de milho. De repente noto que aquela outra é losna (Artemisia absinthium), substância essencial em vermífugos e de que também se faz um licor famoso, o absinto, muito usado na França no século 19 e proibido em vários países no século 20 devido a seu potencial tóxico.

Corro em busca do Manual de identificação e controle de ervas daninhas, de Harri Lorenzi (Editora Plantarum). Daninhas, diz o manual, são as ervas que nascem espontaneamente na terra e se alastram entre as plantas que se quer cultivar. No caso, a grama.

Mas peraí: caruru não pode ser daninho. Serralha não pode ser daninha. Losna? Se é remédio, só pode ser daninha em doses inadequadas, como qualquer outra coisa.

Mais adiante surge o dente-de-leão (Taraxacum officinale), irmão da serralha, que como ela tem efeito depurativo do sangue, limpa o fígado, combate a acidez, neutraliza gases intestinais e é amplamente usado pelas propriedades digestivas e diuréticas. Que honra tê-lo no meu jardim! E aquela haste fina, verde-escura, que se desenvolve em gomos e dá uma curiosa flor na ponta? É a cavalinha (Equisetum arvensis), uma das ervas mais antigas do planeta. Fortalece o que temos de mais estrutural: os ossos, a medula, os rins. Remineraliza os organismos debilitados, especialmente depois de doenças que envolvem os pulmões e ossos, e dizem que resolve úlceras.

Aquela outra, não é arnica? Solidago chilensis, em tudo semelhante à europeia Arnica montana, indispensável em qualquer farmacinha caseira para usar imediatamente após trauma, contusão e machucado, nevralgias, anemia e dezenas de outras chatices, inclusive pré e pós-operatório. Funciona por fora do corpo e também por dentro. Consta no Tratado de medicina popular do Irmão Cirilo Körbes (Editora Assesoar) que ela reabsorve o sangue dos derrames. Tomar umas gotas de tintura de arnica antes e depois de uma cirurgia ou extração dentária minimiza o sofrimento, bendita arnica.

Num canto estão crescendo vários pés de assapeixe (Vernonia sp.), que vão virar arvoretas, com folhas que espantam gripes e flores que as abelhas adoram, o que torna o mel de assa-peixe muito valorizado contra a tosse. Ao lado do jacarandá-mimoso está o picão (Bidens pilosa), tão bom para o fígado que é o melhor coadjuvante nas hepatites, com poderes pra lá de vermífugos, antimicrobianos, depurativos. E perto dele já dá frutos a erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides), de folhinhas intensamente aromáticas, presentes em muitas fórmulas contra vermes e usadas no México como tempero do feijão.

A lista de plantas medicinais que dão à toa e se alastram o quanto podem é grande: erva-macaé, erva-de-são-joão, erva-de-bicho, boldo, camará, quebrapedra, celidônia, urtiga, camboatá, sabugueiro, carqueja, chá-de-bugre, chapéu-de-couro, panaceia... Muito do que está nos livros de consulta e nas farmácias a natureza fez crescer no jardim, bastando a chuva e a máquina quebrada deixarem. E eu fico pensando: um gramado recém-cortado é lindo, parece apenas um tapete verde. Mas dentro dele há um tesouro para quem quiser vê-lo, todo feito de plantas daninhas.

Daninhas? Ou gracinhas?

Do livro Amiga Cozinha, ilustrado por Celina Gusmão. Vamos autografá-lo na Livraria da Vila e na Feira Bacana, sábado e domingo que vem, em SP.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Bendita crise, por Mirna Grzich




bendita crise que sacudiu o mundo e a minha vida
bendita crise que está reciclando tudo
bendita crise que veio tirar a minha ilusão de permanência
bendita crise que vai trazer evolução
bendita crise que vai fazer o mundo se reestruturar
bendita crise que traz a transformação
bendita crise que vai me ensinar o que é verdadeiramente importante
bendita crise que é um desafio
bendita crise que vai me revelar a minha própria sabedoria
bendita crise que dissolve meus apegos
bendita crise que vai ampliar minha visão
bendita crise que me faz humilde
bendita crise que vai abrir meu coração
bendita crise que me traz de volta a confiança
bendita crise que vai me mostrar outras oportunidades
bendita crise que me faz dar mais importância à vida
bendita crise que me tirou do marasmo
bendita crise que leva a um novo paradigma
bendita crise que está me mostrando a Luz
bendita crise que me fez voltar a ter fé
bendita crise que me traz de volta a aventura de viver
bendita crise que é o ponto de mutação
bendita crise que me traz de volta o amor pela humanidade

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Almanaque do banheiro: Sinusite? Tchau tchau!



Há alguns anos fui apresentada ao neti pot, ou lota, daqui em diante Nasalpote, e fiquei inteiramente viciada. Passei a presentear os amigos com os neti de plástico reciclado, feitos  no mosteiro Vivekananda, que vinham da India em caixas de 50. A caixa viajava embrulhada em paninho de algodão costurado e fechado com lacre vermelho, eu me sentia no século retrasado.

Mas o melhor de tudo  era mesmo o objeto que vinha dentro. Parecia um regador pequeno. Para que? Lavar o nariz, ora essa.

Água filtrada morninha, uma colherinha (café cheia) de sal e a primeira pia é minha: para debruçar, virar a cabeça de lado, encaixar o bico e passar ao ato.

Água na temperatura corporal entrando e abrindo poros, amolecendo melecas, o sal desinfetando, acabando com bactérias, vírus, fungos, larvas marvadas e outros resíduos do mal alojados no nariz e nos sínus. Entrando por uma narina, saindo pela outra. Começo de gripe? Tchau. Sinusite? Nunca mais. Rinite? Haha. Vírus? Hahahahaha...

Todo mundo gostou. Um amigo adotou como guarnição de pizza: comer queijo = lavar o nariz depois. Sério. A maioria das pessoas faz muco espesso e muito nutritivo (para micróbios) depois de consumir leite e derivados.

Mas agora o regador de nariz é fabricado no Brasil. Adeus caixas da India, viva Santa Catarina! Custa menos de 20 reais a unidade, com descontos progressivos conforme a quantidade. O bom é comprar logo 50 e sair dividindo com a família e os amigos. Natal? Nasalpote. Nenhum outro presente vai trazer tantos benefícios por tão pouco. Olhem lá: nasalpote.com.br .

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Alô, Pauliceia: sábado na Livraria, domingo na Feira


 12 dezembro sábado às 12 hs
Café com Leitura: Dieta & Liberdade
Livraria da Vila Itaim
Rua Dr. Mario Ferraz, 414
térreo da Casa do Saber
Tel 11 3073-0513


13 dezembro domingo às 10 hs
Bate-papo e autógrafos
em torno do Amiga Cozinha
Aruna Yoga - Paraíso
Rua Eça de Queiroz 711
Tel 11 5579-5975

Então, na semana que vem vou pra Sampa trabalhar no finde.

A Livraria da Vila é aquele charme que todo mundo sabe e me chamou para esse Café com Leitura, onde vamos ver se dieta e liberdade podem andar juntas.

E a Feira Bacana é feira e é bacana. No ano passado fiquei deslumbrada com as coisas bonitas que vi lá e com as coisas gostosas que tinha para comer. Disseram que este ano será ainda melhor, vou conferir! E de quebra levo meu livrinho novo, de que o pessoal anda gostando.

Todos serão bem-vindos!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Almanaque do banheiro: Papo de vagina


Uma leitora escreveu dizendo que tem cistos sebáceos vaginais, e eu, que nunca tinha ouvido falar nisso, fui pesquisar no livro Women's bodies women's wisdom, da Christiane Northrup, MD. Não achei os cistos mas me deparei com esta pérola:

"A cultura ocidental considera a área genital 'suja' e a polui com essa atitude. Toda função associada a essa área - parto, sangramento e eliminações - é altamente carregada, emocional e psicologicamente. (...) Desde cedo capturamos a ideia de que essa região é diferente das outras do corpo: tabu, suja, desprezível. (...) Um jovem médico, a uma paciente que se tratava de infecção por fungos, disse: A vagina da mulher é uma lixeira.

"A promoção e a venda de desodorantes íntimos, inclusive em tampões e absorventes, dão à mulher a impressão de que a vagina em estado natural é inaceitável, de que precisa ser desinfetada e desodorizada.

"A mucosa vaginal e cervical saudável oferece à mulher proteção contra as doenças sexualmente transmitidas, inclusive aids; por isso é tão importante mantê-la sadia. O primeiro passo que uma mulher deve dar é atualizar o que pensa sobre essa área do corpo."

O momento de menor imunidade da mucosa vaginal é durante e em torno da menstruação, diz ela; daí ser comum surgirem infecções vaginais nesse período. Sem falar vulnerabilidade da mucosa quando há muito sexo, já que o movimento geralmente faz pequenas lacerações na vagina, na vulva e no clitóris; se houver sêmen, o pH vai ficar mais alcalino por 8 horas, tempo suficiente para que pululem os micróbios geralmente inibidos pela acidez peculiar à vagina; se houver penetração anal e depois vaginal, a contaminação é quase certa; se houver sexo oral, restinhos de bacalhau, café e mousse de chocolate vão deixar bactérias e fungos completamente loucos.

Também é erradíssimo usar o papel higiênico de trás para a frente depois de evacuar - tem que ser de trás para trás. E, ao enxugar xixi, não é para esfregar o papel, basta encostar para que ele absorva o excesso. A vulva, nome da região íntima que inclui entrada da vagina e da uretra, clitóris e pequenos lábios, é uma pessoa sensível. Nem sabonete deve chegar ali: só e somente água, abundante. Viva o bidê! Viva a duchinha ao lado do vaso!

O que se pode fazer nessas situações: ducha higiênica com vinagre - 1 colher sopa em meio litro de água morna, filtrada ou fervida, para normalizar o pH da vagina (comprar o aparelho em casa de material hospitalar), e aplicação de óvulos de calêndula ou de hydrastis durante algumas noites, depois da menstruação, para limpar os resíduos de sangue e células do endométrio (farmácia homeopática).

Detalhe: se a mucosa vaginal estiver irritada, melhor usar óvulos do que ducha, para evitar mais atrito. E só usar ducha ou qualquer outra coisa se for realmente necessário. Em situações normais, a vagina é autolimpante.

 Se a vaginite for recorrente, é bom consultar uma médica homeopata para entender melhor o que está acontecendo. Olho vivo: vagina em dia é cor-de-rosa e cheira bem.

ilustração Cristina Tati

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Tem sol? Pois vamos cozinhar com ele!




Sol no céu, comida na panela e pés no chão: Ana Claudia, Mary e Teresa desenvolveram o que há de melhor em matéria de bom, bonito e barato. Tem sol? Pois vamos cozinhar com ele.

Qualquer um faz, basta ter caixas de papelão, papel de alumínio, fita adesiva, tesoura - parece brincadeira de criança, e é brincando e rindo que elas foram desenvolvendo o projeto, criando receitas, ensinando o pessoal dos acampamentos, das roças, da cidade ensolarada. Doces, salgados, secos e molhados: para tudo ele serve. Do cozido à feijoada, do peixe com ervas à moqueca de ostra. Sopa de frutas. Pé-de-moleque. É ver para crer.

Se preparar comida já é um movimento mágico, transformador, cozinhar usando simplesmente a luz do sol é mais mágico ainda. Esse fogão solar marca território na contramão de tudo quanto é mais valorizado pela sociedade de consumo, com sua tecnologia de aço inox e microondas. É o simples e fácil em ação. Não está nada distante dos primeiros processos de cozimento que permitiram ao ser humano aproveitar os grãos duros e as raízes secas. Até então, o sólido se comia e o líquido se bebia. Foi o calor que  juntou os dois para obter uma terceira coisa mais apetitosa. E que prazer nos dá um comida quente!

O calor do sol cozinha mais devagar. As moléculas dos alimentos se mexem menos do que nas altas temperaturas. Os nutrientes ficam mais preservados. Não é preciso ficar mexendo, e tem o seguinte: a comida não queima.

As receitas, testadas e aprovadas, são de dar água na boca. O sotaque nordestino aparece no uso dos temperos e do indispensável leite de coco, refletindo a cultura tradicional de Sergipe, onde se come muito bem.

Não acreditem no que eu estou dizendo. Leiam o livro, experimentem, façam seu fogãozinho. Trata-se sim de economizar lenha, gás e eletricidade. Mas trata-se também de algo mais sutil - de nos reconectarmos às raízes da civilização em pleno século 21, com ótimos resultados. Isso dá prazer e felicidade. E o sol, afinal, é de todos.

O livro pode ser adquirido por R$ 25,00 - frete incluso para qualquer lugar do Brasil. Informações pelo email cozinharcomsol@vital.srv.br .

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Dicionário da mulher - Candidíase, a praga - II


(Este post repete o de 17/3/2009, que está com mais de 200 comentários e ficou difícil de administrar. Aos leitores mais interessados recomendo ir lá e ler as questões e as respostas, bem como os depoimentos de mulheres que fazem a dieta recomendada e estão tendo o primeiro alívio real depois de muitos anos.)

Comecei a pesquisar sobre candidíase ali por 1993, por causa de uma dor debaixo da costela direita que não me deixava {fazer excessos} em paz. Era tomar um vinho, um suco de laranja ou comer amendoins que lá vinha ela. E quando topei com as notícias desse fungo chamado Candida albicans fiquei muito impressionada. Descobri que tinha os sintomas desde a infância (regada a açúcar), sem falar nas inúmeras crises de candidíase vaginal (monília) da adolescência em diante.

Em 1995 publiquei um capítulo sobre candidíase no meu livro Só para mulheres. Alguns anos depois, já instalada na vida online, recebia tantos emails a respeito do assunto que resolvi botar o capítulo no site. Triplicaram os emails. Continuei pesquisando e atualizando a informação online.

Enquanto isso passei a me cuidar com a mesma orientação que está lá. Adotei as cápsulas de lactobacilos acidófilos para sempre, o óleo virgem de coco, a redução de carboidratos. Posso dizer que a candidíase está controlada, bem como a hipoglicemia que costuma vir junto, mas percebo muito claramente que ela apenas manifesta uma tendência do organismo para umidade e calor, como se diz em medicina tradicional chinesa, e tendências são para sempre.

Descobri também que o câncer está quase sempre ligado à presença de fungos, o que piora muito depois da rádio e da quimio, que criam condições ideais para eles; alguns autores defendem que o câncer seria a própria simbiose da célula humana com a do fungo.

O capítulo Candidíase está em www.correcotia.com/mulheres/candidiase.htm .

E a dor debaixo da costela tinha também a ver com amebas, como entendi depois.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Quadrado Mágico: Formando um grupo

Quando escrevi o Mamãe eu quero, em 1984, já estava fascinada pelo sistema oracular chinês e japonês apelidado Quadrado Mágico, e o pouco que sabia coloquei lá. Sete anos depois escrevi o Manual do herói e dediquei o último capítulo do livro aos cálculos e interpretações de personalidade e trânsitos. Quando inaugurei o site, lá por 1997, já havia descoberto mais um número ligado à personalidade e outro em relação a trânsitos; meu amigo Gilberto Salomão fez um programinha muito simples de cálculos para qualquer um poder achar seu mapa; e isso tudo virou mais um momento do Quadrado Mágico na minha vida íntima com os leitores.

Estou de novo chafurdando nessa laminha. Tenho recebido emails pedindo mais, querendo tirar dúvidas, dando vontade de aprofundar. Vi que poderia fazer isso através do blog, de modo a ampliar a discussão, então faço aqui o convite a quem já sabe o suficiente para ter questões ou tecer comentários.

A mim ele tem sido muito útil. É mais ou menos como saber a direção do vento antes de soltar as velas. As "previsões" que faço para os amigos dão certo. Coloquei o termo entre aspas porque, na verdade, não se trata de prever nada, mas de estar em sintonia com o tempo. Como assim? É o que veremos!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dicionário da mulher: Dores nos seios

Quando as queixas são de muita dor e sensibilidade nos seios, especialmente no período pré-menstrual, a causa pode estar ligada a leite, laticínios, frangos e ovos. Como todos são produzidos atualmente com promotores de crescimento e quetais, pode haver uma influência sobre o equilíbrio hormonal gerando inflamação, cistos, displasias e coisas piores.

A candidíase também pode produzir esse tipo de desconforto. Olho vivo.

Dicionário da mulher: Cistos nos seios

Alô, stress: muitas mulheres relatam que seus cistos diminuíram ou sumiram depois que pararam de fumar e de tomar café.

Alô, cirurgia: se for extrair um cisto, aplique emplastro de inhame com gengibre durante 15 dias antes da cirurgia. Ele puxa todas as partículas esquisitinhas do seio para perto do cisto. Quando operar, sai tudo junto.

Sintomas suspeitos
secreções saindo dos bicos:
brancas ou esverdeadas podem ser leite fora de hora
esverdeadas ou amareladas podem ser cistos
vermelho-escuras ou pretas contêm sangue, podem indicar um tumor

Sintomas muito suspeitos
caroço no seio ou gânglio inchado nas axilas, doendo ou não
secreção clara ou sanguinolenta nos bicos
bico retraído, meio afundado ou descamando
alteração no contorno de apenas um dos seios, para fora ou para dentro
pele do seio inchada e grossa, parecendo casca de laranja
veias superficiais de um seio mais proeminentes que as do outro

Larva: e se for, como tratar?
Se a larva estiver viva, há como iden­­tificar várias espécies delas através de exames de sangue, caros e demorados. Tomo­gra­fias e ressonâncias magnéticas também podem apresentar alguma coisa. Mas o que vem dando mais resultados é o Omura Test, ou Ring-O-Test, método desenvolvido por um médico japonês, dr. Yoshiaki Omura, que utiliza a cinesiologia aplicada, obtendo respostas do timo através da força muscular.
Difundido no Brasil pelos agentes da Pastoral da Saúde, o método ficou conhecido como Bioenergético ou Bidigital. Muitos acupunturistas o empregam, e os relatos apresentados em vários congressos médicos parecem indicar que esse teste é uma revolução total quanto a diagnósticos: simples, eficiente e barato. Dá pra acreditar?

Uma larva viva pode ser deslocada, do seio ou de qualquer outro lugar, aplicando-se na região duas ou três compressas de argila durante duas horas cada (uma por dia). A argila obriga a larva a fugir para os intestinos, de onde será eliminada com vermífugos apropriados. Uma larva morta já é outro caso – pode ser reabsorvida pelo organismo, pode calcificar, pode virar um antro de bactérias, fungos, vírus e células degeneradas em meio líquido ou sólido. Por isso é que cada vez mais médicos e cientistas estão considerando que combater a verminose é vital na prevenção do câncer.

Auto-exame dos seios: você sabe apalpar?
Como diz a médica Stella Marina, niguém espera que você seja capaz de fazer um diagnóstico preciso sobre algo que descobriu no auto-exame. Mas deve pelo menos conhecer seu próprio corpo – e ser capaz de reconhecer uma coisa que não estava ali no mês passado.

Se a menstruação está perto, espere. O ideal é fazer o auto-exame cinco a sete dias a partir do primeiro sangramento, mas até duas semanas tudo bem. A partir daí é normal aparecerem coisinhas que somem com a menstruação.

Em pé diante do espelho, olhe tudo: tamanho dos seios, cor, marcas novas; olhe de novo com as mãos nas cadeiras e com as mãos na nuca. É completamente normal ter um seio maior que o outro e os bicos apontando em direções diferentes.
No chuveiro, ensaboe os seios. Também pode ser fora dele, com creme hidratante ou óleo de amêndoas.

. Com a mão esquerda atrás da cabeça, examine o seio esquerdo com a mão direita. Mantenha os dedos juntos e apalpe num movimento circular, como se o seio fosse o relógio e sua mão o ponteiro parando de hora em hora; comece no alto e dê a volta, sempre com uma pressãozinha para ver se sente alguma coisa. Voltou? Repita, fazendo um círculo menor, de modo a tocar a área interna, e continue repetindo o círculo até chegar no bico.

. Agora examine a área lateral do corpo, junto ao seio e debaixo do braço, porque ela tem tecidos do mesmo tipo e gânglios que inflamam quando alguma coisa não vai bem. Acabou? Faça tudo de novo com o outro seio, a mão direita pousada na nuca, a mão esquerda examinando o seio direito.

Relaxe na cama para o último exame. Esprema os seios, como se fosse tirar leite deles, para ver se há secreção – ordenhando o seio todo e não só o bico.

. Agora, deitada de costas, ponha um travesseiro debaixo do ombro direito e a mão direita na altura da cabeça; examine o seio direito com a mão esquerda. Depois repita, pondo um travesseiro debaixo do ombro esquerdo e a mão esquerda na altura da cabeça enquanto a direita examina o seio esquerdo. Mas neste exame você já não vai fazer movimentos circulares, e sim uma varredura vertical inventada por Henry Pennypacker para cobrir 50% mais área do que o exame circular.

Para isso você usa a polpa (e não a ponta) dos três dedos médios da mão, que são os mais sensíveis, percorrendo uma trama de linhas verticais que:

. começa pelo lado do corpo, quatro dedos abaixo dos seios, e sobe até as axilas
. desloca-se um centímetro para dentro e desce até quatro dedos abaixo dos seios
. desloca-se um centímetro para dentro e sobe, passando pelo macio ao lado das axilas e continuando até o osso do ombro
. desloca-se um centímetro para dentro e desce, agora já por cima do seio
. desloca-se um centímetro para dentro e sobe... e mais um centímetro e desce...

…e assim por diante, até varrer o seio todo e chegar ao osso central do peito. Aí bota o travesseiro debaixo do outro ombro e faz tudo de novo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dicionário da mulher: Compressa de gengibre

Compressa de gengibre

Muito usada para ativar a circulação e ajudar a dissolver depósitos de muco, proteína e gordura no organismo, como pedras de rim e bexiga, cistos de seio e ovário e fibroma uterino. Também serve para asma, bronquite, reumatismo, artrite, tensão muscular, torcicolo, dores nevrálgicas, dor nas costas, dor de dente, cólica menstrual ou intestinal, inflamação de rins, fígado, intestino, bexiga, próstata, ovários, recuperação de tecidos ósseos.

A aplicação da compressa dura meia hora. A freqüência das aplicações e a duração do tratamento vão depender de quem estiver orientando você. Para cólicas, uma ou duas compressas bastam, mas para cistos é preciso persistir por semanas ou meses, aplicando um emplastro de inhame depois de cada compressa.

Não use a compressa de gengibre em bebês e idosos, nem na barriga das grávidas; na cabeça, nunca, a não ser juntinho do nariz em caso de sinusite; nem para apendicite e pneumonia, nem quando há febre.

Pode ser aplicada sobre tumores, cancerosos ou não, mas nunca por mais de 5 minutos.


Modo de fazer


Numa panela grande, ponha 3 litros de água para ferver; enquanto isso rale 200 g de gengibre, com casca e tudo, na parte mais fina do ralador, com movimentos circulares. Quanto mais maduro, cascudo e fibroso o gengibre, melhor. Embrulhe num paninho de fralda.

Quando a água estiver quase fervendo apague o fogo, ponha a trouxinha de gengibre dentro, tampe e deixe descansar uns 15 minutos. A trouxinha evita que os farelinhos de gengibre grudem e irritem a sua pele.

Pegue duas toalhas de banho pequenas, dobre ao meio e torne a dobrar em diagonal. Mergulhe ambas assim na panela, tire uma, torça e aplique sobre o ventre ou sobre os rins, cobrindo logo com um cobertor de lã.

Espere um pouco; quando sentir que começou a esfriar, torça a segunda e coloque sobre a primeira, e dali a pouco tire a primeira, devolvendo à panela para logo depois tirar, torcer e aplicar sobre a outra, e assim sucessivamente durante meia hora, ou até a pele ficar muito vermelha.

Para manter quente o caldo de gengibre você vai precisar de um fogareiro elétrico, braseiro ou réchaud. E como a coisa dá muita mão-de-obra, é sempre melhor fazer em dupla: uma cuida das aplicações enquanto a outra fica no bem-bom, depois inverte. É quente, quase queima, mas é muuuito bom.

Não use nenhum tipo de plástico ou tecido sintético para cobrir a compressa de gengibre ou de qualquer outra coisa: somente algodão.

Literatura: Vargas Llosa em defesa do romance, pinçado da Piauí

"A literatura, (...) diferentemente da ciência e da técnica, é, foi e continuará sendo, enquanto existir, um desses denominadores comuns da experiência humana, graças ao qual os seres vivos se reconhecem e dialogam, independentemente de quão distintas sejam suas ocupações e seus desígnios vitais, as geografias, as circunstâncias em que se encontram e as conjunturas históricas que lhes determinam o horizonte.
...
Nós, leitores de Cervantes ou de Shakespeare, de Dante ou de Tolstoi, nos sentimos membros da mesma espécie porque, nas obras que eles criaram, aprendemos aquilo que partilhamos como seres humanos, o que permanece em todos nós além do amplo leque de diferenças que nos separam. E nada defende melhor os seres vivos contra a estupidez dos preconceitos, do racismo, da xenofobia, das obtusidades localistas, do sectarismo religioso ou político ou dos nacionalismos discriminatórios, do que a comprovação constante que sempre aparece na grande literatura: a igualdade essencial de homens e mulheres em todas as latitudes, e a injustiça representada pelo estabelecimento entre eles de formas de discriminação, sujeição ou exploração.
...
Nada, mais que bons romances, ensina a ver nas diferenças étnicas e culturais a riqueza do patrimônio humano, e a valorizá-las como uma manifestação de sua múltipla criatividade. Ler boa literatura é divertir-se, com certeza; mas também aprender, dessa maneira direta e intensa que é a da experiência vivida através das obras de ficção, o que somos e como somos em nossa integridade humana, com os nossos atos, os nossos sonhos e os nossos fantasmas, a sós e na urdidura das relações que nos ligam aos outros, em nossa presença pública e no segredo de nossa consciência, essa soma extremamente complexa de verdades contraditórias - como as chamava Isaiah Berlin - de que é feita a condição humana.
...
À diferença do gorjeio dos pássaros ou do espetáculo do sol fundindo-se no horizonte, um poema, um romance não estão pura e simplesmente ali, fabricados por acaso ou pela natureza. São uma criação humana, e é lícito perguntar como e por que nasceram, e o que deram à humanidade para que a literatura, cujas origens remotas se confundem com as da escrita, tenha durado tanto tempo. Nasceram como fantasmas incertos, no íntimo de uma consciência, projetados a ela pelas forças conjugadas do inconsciente, de uma sensibilidade e de algumas emoções, a que, numa luta às vezes implacável com as palavras, o poeta, o narrador, deram forma, corpo, movimento, ritmo, harmonia, vida. Uma vida artificial, feita com a linguagem e a fantasia, que coexiste com a outra, a real, desde tempos imemoriais, e à qual acorrem homens e mulheres porque a vida que têm não lhes basta, não é capaz de oferecer tudo aquilo que gostariam de ter. O romance não começa a existir quando nasce, por obra de um indivíduo; só existe realmente quando é adotado pelos outros e passa a fazer parte da vida social, quando se torna, graças à leitura, experiência partilhada.
...
A literatura não diz nada aos seres humanos satisfeitos com seu destino, de todo contentes com o modo como vivem a vida. A literatura é alimento dos espíritos indóceis e propagadora da inconformidade, um refúgio para quem tem muito ou muito pouco na vida, onde é possível não ser infeliz, não se sentir incompleto, não ser frustrado nas próprias aspirações. Cavalgar junto ao esquálido Rocinante e a seu desregrado cavaleiro pelas terras da Mancha, percorrer os mares em busca da baleia branca com o capitão Ahab, tomar o arsênico com Emma Bovary ou transformar-se em inseto com Gregor Samsa é um modo astuto que inventamos para nos mitigar pelas ofensas e imposições desta vida injusta que nos obriga a sermos sempre os mesmos, enquanto gostaríamos de ser muitos, tantos quantos fossem necessários para satisfazer os desejos incandescentes de que somos possuídos.

Só momentaneamente é que o romance aplaca essa insatisfação vital, mas, nesse intervalo milagroso, nessa suspensão temporária da vida em que a ilusão literária nos imerge - que parece nos arrancar da cronologia e da história e nos converter em cidadãos de uma pátria sem tempo, imortal - somos outros. Mais intensos, mais ricos, mais complexos, mais felizes, mais lúcidos do que na rotina forçada da nossa vida real. Quando, fechado o livro, posta de parte a ficção, voltamos àquela e a comparamos com o território resplandecente que mal acabamos de deixar, espera-nos uma grande desilusão. Isto é, esta grande confirmação: que a vida sonhada do romance é melhor - mais bela e variada, mais compreensível e perfeita - do que a que vivemos quando estamos despertos, uma vida tolhida nos limites e na servidão à nossa condição."

O texto completo é enorme e vale a pena ler, quem sabe mais de uma vez, porque há muitas questões envolvidas. Piauí 37, nas bancas.

Comida & literatura: Virginia Woolf, Um teto todo seu

"(...)O relógio bateu. Era hora de irmos almoçar.

É curioso o fato de que os romancistas têm um jeito de fazer-nos crer que os almoços são invariavelmente memoráveis por algo muito espirituoso que se disse ou muito sábio que se fez. Raramente, porém, desperdiçam uma palavra sequer sobre o que se comeu. Faz parte do consenso dos romancistas não mencionar sopa, salmão e pato, como se sopa, salmão e pato não tivessem importância alguma, como se ninguém jamais tivesse fumado um charuto ou bebido um copo de vinho. Aqui, no entanto, tomarei a liberdade de desafiar esse consenso e de dizer-lhes que o almoço, nessa ocasião, começou com filés de linguado num prato fundo sobre o qual o cozinheiro da universidade espalhara uma cobertura do mais alvo creme, não fossem, aqui e ali, manchas castanhas como as dos flancos de uma corça. Depois disso vieram as perdizes, mas enganam-se se isso lhes sugere um par de aves implumes e escuras num prato. As perdizes, numerosas e variadas, vieram acompanhadas de todo um séquito de molhos e saladas, picantes e doces, cada qual na sua ordem de entrada: batatas, finas como moedas, mas não tão duras; couves-de-bruxelas, folhudas como botões de rosa, porém mais suculentas. E mal havíamos terminado o assado e seu cortejo, o garçom, silencioso, talvez o próprio Bedel numa manifestação mais branda, pôs diante de nós, enrolado em guardanapos, um doce que se erguia em ondas de açúcar. Chamá-lo pudim, aparentando-o assim com o arroz e a tapioca, seria um insulto. Enquanto isso, os copos de vinho tinhamse tingido de amarelo e de vermelho, tinham-se esvaziado, tinham-se enchido. E assim, gradativamente, a meio caminho da espinha dorsal, que é a sede da alma, acendeu-se não aquela luzinha elétrica intensa a que chamamos brilhantismo, que surge de repente e desaparece em nossos lábios, mas o clarão mais profundo, sutil e subterrâneo que é a rica chama dourada do diálogo racional. Nada de pressa. Nada de brilhos. Não sejamos nada mais que nós mesmos. Vamos todos para o céu, e Vandyck é parte do grupo — em outras palavras, como parecia boa a vida, como pareciam doces suas recompensas, como parecia banal este ressentimento ou aquele queixume, como pareciam admiráveis a amizade e a companhia dos semelhantes, quando, acendendo um bom cigarro, a gente se deixava afundar entre as almofadas junto à janela.
...
Ali estava minha sopa. O jantar estava sendo servido no grande refeitório. Longe de ser primavera, era de fato uma noite de outono. Todos estavam reunidos no grande refeitório. O jantar estava pronto. Ali estava a sopa. Era um simples caldo de carne. Nada havia nele que atiçasse a imaginação. Teria sido possível ver através do líquido transparente qualquer desenho que houvesse no próprio prato. Mas não havia desenho algum. O prato era liso. Em seguida veio a carne de vaca com seu acompanhamento de legumes verdes e batatas — uma trindade doméstica, que sugere alcatras de boi em algum mercado lamacento, couves-de-bruxelas murchas e amareladas nas pontas, pechinchas e reduções de preço, e mulheres com sacolas de alças em manhã de segunda-feira. Nenhuma razão havia para reclamar do alimento diário da natureza humana, visto que a quantidade era suficiente e que os mineiros de carvão sem dúvida estariam sentados à mesa para algo menos substancial. Seguiram-se ameixas secas com creme. E, se alguém se queixar de que as ameixas secas, mesmo quando suavizadas pelo creme, são um legume impiedoso (fruta é o que não são), fibrosas como o coração de um avarento e ressumando um líquido semelhante ao que deve correr nas veias dos sovinas que negaram a si mesmos vinho e calor durante oitenta anos, e que ainda não têm boas relações com os pobres, deverá considerar que há pessoas cuja caridade abarca até a ameixa seca. Vieram a seguir biscoitos e queijo, e nesse ponto a jarra de água circulou prodigamente de mão em mão, pois é próprio dos biscoitos serem secos, e esses eram biscoitos até a alma. Isso foi tudo. A refeição estava terminada. Todos arrastaram a cadeira para trás; as portas de vaivém abriram-se violentamente para lá e para cá; logo o refeitório estava esvaziado de qualquer sinal de comida e pronto, sem dúvida, para o café da manhã seguinte. Ao longo de corredores e escadas acima, a juventude da Inglaterra ia batendo portas, cantando. E caberia a uma convidada, uma estranha (pois eu não tinha mais direitos aqui em Femham do que em Trinity ou Somerville ou Girton eu Newnham ou Christchurch), dizer: "O jantar não estava bom", ou dizer (estávamos agora, Mary Seton e eu, em sua sala de estar): "Não poderíamos ter jantado aqui sozinhas?", pois, se eu dissesse qualquer coisa do gênero, estaria bisbilhotando e também me intrometendo na administração secreta de uma casa que, para um estranho, ostenta uma fachada tão distinta de alegria e coragem. Não, não era possível dizer nada parecido. De fato, a conversa esmoreceu por um momento. Sendo a estrutura humana o que é, coração, corpo e cérebro misturados, e não contidos em compartimentos separados, como sem dúvida serão em mais um milhão de anos, um bom jantar é de grande importância para a boa conversa. Não se pode pensar bem, amar bem, dormir bem, quando não se jantou bem. A lâmpada na espinha não acende com carne de vaca e ameixas secas. Todos iremos provavelmente para o céu, e Vandyck, esperamos, virá em nosso encontro na próxima esquina — tal o estado de espírito equívoco e limitado que geram as ameixas secas ao final de um dia de trabalho. Felizmente, minha amiga que ensinava ciências tinha um guarda-louça onde havia uma garrafa atarracada de copinhos (mas deveria ter havido linguado e perdizes, para começar), de modo que conseguimos acomodar-nos junto ao fogo e reparar alguns dos danos causados por aquele dia."

Agradecimentos especiais a Carô Murgel!

sábado, 10 de outubro de 2009

Comer bem: Arroz integral, só muito mastigado

Não é à toa que nos restaurantes macrobióticos o arroz integral vem numa cumbuquinha separada. Sem entrar no mérito da quantidade, que para alguns pode ser excessiva, é sábia a orientação de comê-lo sozinho, no máximo com um pouco de gersal e salsinha picada; na verdade, a mastigação do arroz integral puro, simplesmente cozido com um tico de sal, sem gordura, é uma das experiências mais interessantes da vida comestível. Eu diria mesmo que é uma das grandes meditações que se faz com a boca. Não é à toa que o nome original era Macrobiótica Zen.

A gente abocanha uma garfada de arroz - estou falando do arroz integral cateto, grão curtinho - e no início ele é aquela coisa macia e rechonchuda que cede inteiramente aos dentes, permitindo que a saliva se amalgame à polpa à medida que se mastiga. De um lado, de outro, de um lado, de outro, a seiva de arroz com saliva escorrendo goela abaixo enquanto os dentes vão e vêm. Um arroz integral bem feito desperta o reflexo de mastigar.

Quanto mastigar? 32? 100 vezes? Quantas forem, até o arroz desmanchar. Sobra entre os dentes somente aquela pele que ele tem. Que é o que o torna integral, com nutrientes importantes e fibras que ajudam o intestino a funcionar. Os dentes agora mastigam de outro jeito. Cortam. Quando aquilo também se desfaz ao máximo, a língua empurra pra trás e a garganta engole. Tudo o que a boca podia fazer foi feito.

Arroz integral comido sozinho, em pequena quantidade, como a iguaria que fica por último no prato, a mais valorizada das porções de comida. Nada de molhos e misturas. A boca reconhece o docinho do arroz na primeira garfada. Três ou quatro bastam, o mais é gula.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Agenda: Lançamentos do Amiga Cozinha

faunosjuntos-verm.gif
noites de lançamento: amiga cozinha, de sonia hirsch

palestras & autógrafos

são paulo
22 outubro 2009 5a feira 19:30 hs
semana mundial da alimentação
sesc consolação - rua dr vila nova - 8o andar

campinas
23 outubro 2009 6a feira 19 hs
fnac - shopping d. pedro

rio de janeiro
29 outubro 2009 5a feira 19 hs
livraria travessa leblon
shopping leblon 2o piso

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Hai kai de inverno




tímida, a cerejeira
flor a flor se veste:
prenúncio de primavera

Comer bem: Folhas

Às vezes fico tentada a pensar que a diferença decisiva entre comer bem e comer mal é representada pela quantidade de folhas consumidas diariamente. Folhas verdes, bem entendido. Das maiores, como taioba, mostarda e couve, às miudinhas, como salsa e coentro, o universo das folhas verdes é praticamente infinito e oferece escolha para todos os gostos. Há quem prefira as picantes, como agrião, ou as amargas, como rúcula; há quem só coma alface, de sabor e textura tão suaves que poderiam ser símbolo da inocência gustativa; não importa, desde que comam. Por quê? Porque elas, além de nutrirem, limpam os intestinos e renovam o sangue.

A comida tem que ter essa dupla função: repor os nutrientes que gastamos vivendo e permitir que o tubo digestivo se livre de resíduos que, se não saírem, começarão a produzir toxinas. Como os intestinos são também vias de absorção, as toxinas passam logo para o sangue. Muitas vezes a dor de cabeça vem daí - por esta ou aquela razão a vítima não foi ao banheiro e aquilo que já ia embora está voltando à circulação, só para causar perturbações. Se a demora for muita, a vítima fica enfezada. Conhecem o termo?

Comer folhas cruas ou ligeiramente cozidas? De modo geral, se a pessoa estiver com a saúde em dia, tanto faz. A maioria das folhas se presta a ambos os modos e a decisão depende apenas do paladar, pois ao cozinhar elas mudam de textura e de sabor. O agrião, por exemplo, deixa de ser picante. Já a mostarda fica igualzinha. A chicória fica doce!

Fazer salada crua não tem mistério, é só lavar, escorrer e misturar as folhas. Pode-se sofisticar: a couve-chinesa fica deliciosa quando é rasgada ou cortada em pedaços de 4x4cm, polvilhada com sal e amassada com as mãos até soltar seu caldo; aí repousa um pouco e é escorrida antes de ir à mesa. Gosto de rasgar ou cortar a rúcula, temperar com azeite, sal e limão e deixar murchar um pouco antes de comer. Agrião cru é das folhas cruas menos compensadoras - difícil de limpar, os talos grossos geralmente são jogados fora (não nos Molhos Myriam, ver post anterior) e ainda costuma abrigar um caramujinho lindo mas portador da larva da fascíola hepática, baratinha do fígado que causa muitos estragos roendo nossos dutos biliares.

Quem não deve comer salada crua? As pessoas pálidas, friorentas, com sintomas de deficiência de energia, barriga estufada e intestino mais para solto. Aí é melhor cozinhá-las. Mas sempre rapidinho. Olho na cor: quando o verde ficar mais escuro e brilhante, tire do fogo. Se demorar mais ela passa e fica marrom.

Pode ser no bafo da panela, com um pouquinho só de água no fundo e uma pitada de sal: especialmente bom para repolho, chicória, escarola, agrião, couve-chinesa, acelga. Tirar da panela, regar com azeite e temperar com shoyu e limão.

Pode ser no vapor.

Pode ser na frigideira, com azeite e alho, as folhas cortadas fininho como a tradicional couve mineira, rasgadas ou em cortes maiores.

Pode reinventar as verduras. Cebolinha verde cortada em pedaços de 4cm e refogada, temperar com shoyu depois de tirar do fogo. Rama fresca de cenoura aferventada, depois cortada miudinho na tábua e então refogada com azeite e uma pitada de sal.

Para quem tem o intestino mais preso, a chicória (escarola) é tiro-e-queda. É só incluir uma boa porção (3 ou 4 colheres de sopa) em todas as refeições, cozidinha, que o intestino começa a funcionar. Também se toma o chá de chicória em jejum ao longo de 1 semana para desentupir a tubulação, se for o caso; há resultados espantosos. Bertalha, mais comum em lugares quentes, também desentope. Cozinhar no bafo, bater na tábua, temperar com azeite e pouco sal.

domingo, 20 de setembro de 2009

Molhos Myriam



Cada casa tem sua tradição culinária, feita tanto de pratos especiais quanto de pequenos detalhes que marcam. Na casa de minha irmã Myriam, a comida é sempre um ponto alto. Mas o que mais me chama a atenção, pelo sabor e pela perfeição do efeito, são os molhos de salada que ela faz.

Molho de salada costuma ter a mesma receita básica em qualquer lugar do mundo – azeite, sal, limão ou vinagre, um pouco de mostarda para quem gosta, um dentinho de alho amassado. Os que minha irmã faz não fogem à regra, mas inovam. Por exemplo: ela desfolha o maço de agrião, mistura os raminhos com as outras folhas na saladeira e, em vez de jogar fora os talos grossos, inventa picá-los em rodelas miudinhas. Por cima delas é que vai construindo o molho, com suco de limão, sal, um tanto de azeite, outro de água e uma pitada de açúcar ou um pinguinho de mel.

Pra que açúcar?, vou logo implicando. Para tirar a acidez, diz ela, que me escondeu esse segredinho durante muito tempo. Fez bem. E eu me sirvo das folhas, ponho por cima duas ou três colheradas do molho e me refestelo. Não fica oleoso, como quando se coloca o azeite direto no prato, nem corre o risco de ter sal demais. Não fica ácido nem doce. E o sabor agradável dos talos de agrião vai se misturando adequadamente a cada bocado e levando suas precio-sas fibras para onde elas têm que ir. O mesmo molho, Myriam faz com talos de aipo, também chamado salsão. Fica tão bom que se come mais salada só para comer mais molho.

O terceiro e último invento dessa série é seu famoso molho de rabanetes, lavados com a ajuda de uma escovinha e cortados em rodelas muito finas, e aí tem truque: não cortar a raiz, como se costuma fazer logo de início, pois é nela que vai ser possível segurar para conseguir firmeza no corte até o fim. O caldo, abundante, fica rosado. O rabanete não arde na boca e até as crianças acham muito bom.

Outro dia cheguei de visita, sentamos para comer e fui direto ao prato quente. Tem um molho novo, ela anunciou. Como o tempo estava muito frio, a salada não me apetecia tanto. Mas lá pelas tantas ela mencionou o molho de novo e eu me senti no dever de me submeter à experiência. Folhas frescas variadas, como de costume, e na molheira um creme clarinho, quase branco, que à primeira vista não me sugeria nada. O cheiro era bom. Que será?, pensei. Duas, três, quatro garfadas. Eu sentia o sabor leve e gostosíssimo dos temperos de sempre – limão, mostarda, alho, azeite – mas não atinava com o ingrediente especial que estava ali dando a liga. Quando repeti, e ela teve certeza de que eu não ia mesmo adivinhar, revelou com grande satisfação e até orgulho: Inhame!

Inhame?, repeti feito boba, eu que já fiz quase tudo com inhame, que divulgo o inhame há tantos anos, que advogo inhame no lugar da batata. Inhame, ela assentiu. E explicou que, nas férias, com a casa cheia de filhos e netos, achou mais prático fazer logo um litro de molho básico batido no liquidificador. Fez, o sabor era bom, mas faltava consistência. Consistência, consistência, pensou na batata, e por que não inhame? Depurativo do sangue, bom para o sistema imunológico, de sabor neutro, cozinhou dois ou três e bateu junto. Pronto, estava inaugurado um novo molho. Que, a meu pedido, fez de novo, desta vez anotando as quantidades.

Ficou assim a receita de um litro:

300 gramas de inhames cozidos e descascados
1 xícara de chá de azeite
1 1/2 xícara de água
1 colher (sopa) de mostarda
1/2 cebola média picada
1 ou 2 dentes de alho
1/2 limão grande espremido
sal e cheiro-verde (salsa e cebolinha) a gosto
1/2 colherinha (café) de açúcar ou mel.

Opcionais: orégano, pimentão, vinagre balsâmico (1 colher pequena), manjericão, páprica.

Bater tudo no liquidificador até obter um creme homogêneo. Guardar na geladeira, em vidro grande, e ir tirando aos poucos.

Nome? Maionese de inhame.

Duvido que alguém não goste.

Ilustração Celina Gusmão para o livro Amiga Cozinha

Cultura de consumo: Palestra na PUC


Refletir sobre processos de constituição de subjetividades consumistas; evidenciar a relação entre cultura do consumo e aquecimento global; pensar sobre o papel da educação nesse contexto - esse é o objetivo da palestra acima, dia 8/10, às 18 hs, no auditório Padre Anchieta da PUC Rio. A atividade faz parte do Curso de Especialização em Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis, coordenado por Léa Tiriba, e os palestrantes são Solange Jobim e Marcelo Andrade, professores doutores em psicologia e educação.

Boa oportunidade de ouvir coisas inteligentes ditas por pessoas interessantes para pessoas muito interessadas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Celulares, radiação, câncer e esterilidade

Com o título acima, o blog Menina do Dedo Verde começa hoje a postar em capítulos a matéria bombástica da Carta Capital de 16/8 a respeito do nosso tão amado aparelhinho mágico. Carol, a dona do blog, diz que foi um presente meu; na verdade foi o José Carlos Rocha Vieira Júnior quem me mandou, eu só repassei. Vamos lá, sem medo das verdades. Nada é pior do que tudo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Da tradição chinesa e dos cinco sabores


Primavera

O leste cria o vento. O vento cria a madeira. A madeira cria o sabor ácido. O sabor ácido nutre o fígado; o fígado nutre os músculos; os músculos fortalecem o coração; e o fígado governa os olhos. Os olhos vêem a escuridão e o mistério do Céu e descobrem Tao, o caminho.

Verão

Do sul vem extremo calor. Calor produz fogo e fogo produz o sabor amargo. O sabor amargo nutre o coração, o coração nutre o sangue e o sangue dá vida ao estômago. O coração reina sobre a língua.

Entre todas as estações

Do centro vem a umidade que cria a terra e a terra cria o sabor doce. O sabor doce nutre o baço, que nutre as carnes que fortalecem o pulmão. E o baço governa a boca.

Outono

O oeste engendra a secura que produz o metal. O metal cria o sabor picante e o sabor picante nutre o pulmão. O pulmão nutre a epiderme que fortalece os rins, e governa o nariz.

Inverno

O norte cria o frio; o frio produz a água; a água gera o sabor salgado; o sabor salgado nutre os rins; os rins nutrem os ossos e as medulas, que fortalecem o fígado; e os rins governam as orelhas.

Luxo para todos: curso de Teto verde no Tibá

Já pensou em ter um gramado em cima da casa? É uma dessas coisas que podem ajudar a refrescar o planeta, além, é claro, de refrescar imediatamente o ambiente em que se mora. É sobre isso o curso do Tibá no próximo fim de semana, em Bom Jardim, região de Nova Friburgo, RJ.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Bem-vinda primavera: Sopa de arroz do Pai José

 

É como um rosto que de repente fica nítido na multidão, a brisa que começa a soprar naquele instante, algo que surge inesperadamente e já faz toda a diferença – ipês-roxos e amarelos pela cidade inteira, montes de buquês lindos se oferecendo! Pode ser mais primavera?
Chega assim sem avisar e vai logo entrando pelos olhos, encostando na pele, trazendo cheiros no vento, dando vontades... Recria-se a vida. Samambaias dão mais lagartas, insetos recomeçam a cortejar lâmpadas, gatas entram no cio, humanos também. Rolam sarampos, cataporas, tosses compridas, gripes e resfriados; o corpo está pondo fora outros tipos de flor. Tudo o que serviu no inverno para reter calor já está sobrando. Eis um momento perfeito para perder aqueles quilinhos que a gente ganhou comendo demais – porque estava tão frio...! 
Como conseguir isso? Também comendo, claro. Principalmente caldos e sopas, para lavar tudo por dentro e desintoxicar. A maior parte das doenças acontece justamente porque vamos deixando acumular toxinas, até não termos mais sensibilidade para discernir entre o bom e o ruim. Boa notícia: em poucos dias de dieta já dá para sentir um corpo novo, a cabeça leve, e o discernimento volta com a consciência do bem-estar.
A sopa de arroz do Pai José é campeã das dietas, porque limpa, emagrece e não dá fome. 
.1 xícara de arroz cru
.16 de água
.6 dentes de alho
.3 cebolas médias
.6 talos de aipo com as folhas
.um alho-poró também com as folhas
.12 ou mais folhas de bertalha
.e ainda hortelã, cebolinha, salsinha, manjericão, hortelã ou coentro ou qualquer outra folhinha verde comestível - valem os trevinhos dos vasos na varanda
Ponha o arroz para cozinhar naquele montão de água, de preferência em panela grossa, de pedra-sabão, barro ou ferro esmaltado; quando ferver abaixe o fogo, tampe e deixe cozinhar por três horas, mexendo de quando em vez.
Corte a cebola em gomos, o aipo e o alho-poró em fatias grossas diagonais,
descasque os dentes de alho e ponha tudo lá dentro, levantando o fogo, para abaixar de novo depois que ferver. Junte mais água se for o caso. 
Deixe ferver 40 minutos, misture as folhas de bertalha, apague o fogo e tampe.
Sirva com uma colher (chá) de missô em cada porção e verdinhos frescos por cima. 
Pode comer à vontade. Substitui ao menos uma refeição por dia, com resultados maravilhosos. Por quê? 
Primeiro porque o arroz integral cozido longamente, às vezes a noite inteira, é o alimento mais medicinal que existe: fácil de digerir, fortalece o princípio vital e o sangue, harmoniza o sistema de aquecimento do corpo, suaviza os intestinos e ajuda a eliminação de toxinas através da urina. (Contra-indicação: quem já urina muito não deve tomar esta sopa.) 
O alho é uma cornucópia de virtudes para a saúde. Espanta vírus, fungos e outros hóspedes indesejáveis, desengordura, tonifica, relaxa, faz bem ao fígado e às glândulas, limpa o sangue.
A cebola não fica atrás: também é anti-séptica, limpa e regulariza os rins e a bexiga, baixa a taxa de glicose no sangue, ajuda a absorver oxigênio.
O alho-poró reforça o alho e a cebola e dá um sabor especial.
O aipo, ou salsão, estimula a digestão e os intestinos, limpa os rins, alivia o reumatismo, acalma, nutre e tonifica; suas folhas têm um tipo natural de insulina.
E as folhas de bertalha, Basella alba, trepadeira que dá em qualquer cerca no mato carioca, são riquíssimas em cálcio, ferro, magnésio, clorofila e outras preciosidades, e ainda lubrificam os intestinos. (Se não encontrar bertalha, pode colocar chicória, cozida à parte em pouca água.)
Boa primavera – boa reciclagem!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Nos vemos em Curitiba? 6a feira, Bienal

Vai rolar a Bienal do Livro de Curitiba, a Fnac me convidou e eu aceitei, muito feliz de voltar lá. Portanto, na sexta-feira, dia 28, às 18 hs, estarei no auditório do Largo da Ordem participando do Momento Fnac, um encontro com pessoas do mundo do livro. Espero vocês, curitibanos que me lêem :-)!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Água fluorada: Outro logro brutal

Traduzo lá do mercola.com, que costuma resumir bem esse tipo de informação.

Você sabia que quase todos os europeus adicionavam flúor a seus reservatórios de água? E que a maioria parou depois de estudar o assunto com mais cuidado?

Fluorar a água potável em nome da saúde dentária é um logro de proporções colossais. Começando por uma verdade simples - a de que a forma natural do flúor (fosfato de cálcio orgânico) é parte da composição dos dentes - foi montado um discurso capaz de convencer todo mundo de que beber compostos químicos tóxicos de flúor, sobras poluentes de processos industriais, seria bom para os dentes do povão.

Nada poderia estar mais longe da verdade. O flúor de fato é um veneno sistêmico que:

. inativa 62 enzimas diferentes
. aumenta a absorção de chumbo
. acelera o envelhecimento
. aumenta a incidência de câncer e o crescimento de tumores
. estressa o sistema imunológico
. diminui a função da tiróide
. causa danos genéticos
. interfere com enzimas reparadoras do DNA
. aumenta a artrite
. reduz o QI e atrapalha os processo de aprendizagem e memória

Segundo o site, além da água potável, outras fontes de flúor incluem:

. drogas farmacêuticas contendo fluorophenil
. pasta de dente e líquidos anti-sépticos para bochechos
. comidas e bebidas feitas com água fluorada
. carne mecanicamente separada (CMS)(argh)
. resíduos de pesticidas na comida
. fórmulas à base de soja para bebês (argh)
. chá instantâneo

Filtro que elimine o flúor? Parece que só o de osmose reversa. Ou não?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Água clorada: 6 más notícias e uma boa



Má notícia 1: não é exatamente o cloro que produz as piores toxinas nas águas cloradas, mas aquilo que os americanos, com sua facilidade para siglas, chamam de DBPs - disinfection byproducts, ou subprodutos da desinfecção. Eles se formam quando o cloro entra em contato com qualquer matéria orgânica. Nome e identidade: trihalometanos (THMs) e ácidos haloacéticos (HAAs). E são dez mil vezes mais tóxicos do que o cloro, piores que o flúor e todos os outros resíduos de drogas.

Má notícia 2: num só banho de chuveiro pode-se absorver mais toxinas do que bebendo água da bica a semana inteira. O calor da água abre os poros para que elas penetrem. Os vapores são aspirados.

Má notícia 3: banhos de banheira aumentam muito a oportunidade de absorção. Piscinas também, e se forem aquecidas, mais ainda.

Má notícia 4: os níveis de DBPs variam conforme a posição da casa na rede de distribuição de água. Algumas são contempladas com muito mais cloro/DBPs.

Má notícia 5: também variam para mais quando aumenta a presença de matéria orgânica nos reservatórios de água, por exemplo depois de chuvas torrenciais.

Má notícia 6: os DBPs não afetam todas as pessoas do mesmo modo, algumas podem se ressentir mais. E passar anos de médico em médico procurando a razão de sua baixa imunidade, seus problemas na tiróide e por aí afora. Como nada se explica mas tudo se medica, a razão nunca aparece e a saúde vai pelo ralo.

Boa notícia: existem filtros para colocar na entrada da casa, depois da caixa d'água, e também para torneiras de cozinha e chuveiros. Estes, cada vez mais sofisticados.

O que está na foto, publicado pelo MetaEfficient, faz a água do chuveiro passar por quatro filtragens. Na primeira filtra ferrugem e sedimentos. Na segunda, o filtro de vitamina C (representado pelas laranjinhas) elimina cloro e adiciona vitamina C e aroma à água. As bolinhas de cerâmica retêm microorganismos. Nova filtragem remove o que houver de sedimento, e a água finalmente chega ao consumidor do século 21. Fecho de ouro da boa notícia: proteger sua saúde e a da família custa 40 dólares, tipo 80 reais. Lá fora, claro.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O melhor filtro de água é de barro e é brasileiro!




Conhecem? Claro. Quem nunca viu um filtro desse tipo no Brasil?

Pois é ele que encabeça a lista de filtros de água eficientes neste site americano chamado MetaEfficient, autodefinido como Guia das Coisas Altamente Eficientes.

Feito de barro cozido, ou terracota, filtra a água lentamente por gravidade, através de suas velas de cerâmica, enquanto mantém a água fresca. O autor do artigo diz que esse filtro remove 95% de cloro, pesticidas, ferro, alumínio e chumbo, e 99% de criptosporídeos, giárdia e sedimentos. Melhor se for revestido por dentro com prata coloidal, que o mantém livre de pragas.

O filtro da foto é o brasileiro Stéfani, disponível nas melhores casas do ramo e também na amazon.com . Chiquérrimo.

Água de torneira, lado B: Como remover as toxinas?

Fiquei horas lendo sobre flúor e cloro na rede. Ambos são tóxicos, em si ou por seus subprodutos. São questões cabeludíssimas. Procurando saber de filtros, encontrei um site ótimo que procura coisas realmente eficientes, recomendo a visita. Numa das páginas sobre filtros achei um resumo do nó, que traduzo.

Existem seis tipos de contaminantes para remover da água fornecida pela prefeitura:

1. cloro e cloraminas
2. compostos orgânicos voláteis (pesticidas, herbicidas etc)
3. metais pesados (chumbo, mercúrio, alumínio, cádmio, cromo, cobre)
4. bactérias, protozoários e outros bichos, ou seus cistos
5. sedimentos em geral
6. flúor

Em termos de saúde pessoal, diz o site, o cloro e os compostos orgânicos voláteis são os contaminantes mais tóxicos presentes nas águas tratadas.

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O flúor, que se pensa ser apenas benéfico, já que está na água e nas pastas de dentes, parece que não é. Leia o rótulo das pastas: não ingerir. Nessa que resolve 12 problemas bucais, sabem qual é a dose recomendada para crianças abaixo de 6 anos? Uma gota. Onde eu vi? Nas letrinhas miúdas, ora essa.

O dentista e sanitarista Dr. Bill Osmunson diz que um copo de água fluorada tem a mesma quantidade de flúor que o FDA classifica como droga, recomenda não engolir e alerta para procurar o Centro de Envenamento por Drogas se isso acontecer. E é água de beber?

Quem quiser se aprofundar no assunto pode ler a argumentação dele na entrevista intitulada Quando é que a fluoração da sua água será enfim considerada criminosa? Em inglês, óbvio.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quem é o dono das águas? Nova York responde

"Désolé, Perrier! O governador David Paterson decretou no mês passado que todas as repartições públicas do estado de Nova York se armem de bebedouros. Ele quer expulsar as garrafas de água, pois elas gastam dinheiro público com um produto industrial que, a rigor, ninguém fabrica. Em maio do ano que vem, ficarão definitivamente proibidas de comprá-las."

Assim começa a matéria de Marcos Sá Corrêa na Piauí 33 (já estamos na 35 mas só li a 33 agora). Segue contando que Michael Bloomberg, prefeito da cidade de Nova York, também baniu as garrafas plásticas de água da prefeitura, economizando o custo de 6 mil garrafas por mês, e recomenda que os restaurantes da cidade sirvam água da torneira em jarras a quem desejar. Os estados da Virginia e do Illinois já haviam proibido a administração pública de comprar água engarrafada. Vejam os gastos: Connecticut desembolsa 500 mil dólares por ano com as garrafinhas. Massachussetts, 600 mil. "Só a Universidade do Minnesota paga 180 mil dólares anualmente por garrafas de água", escreve Marcos. Desde 2007, mais de 60 prefeituras voltaram aos bebedouros. A cidade de São Francisco, na Califórnia, economizou 1 milhão de dólares com isso.

Sabendo que a maior parte da água engarrafada não vem mais de fontes minerais, praticamente esgotadas pela exploração comercial, e é simplesmente água tratada(?), desodorizada e às vezes gaseificada, que tal voltarmos às moringas de barro e ao bom e velho cantil? É o que pretendo. A moringa já está na mesa do escritório. Quanto ao cantil, para levar no carro, aceito sugestões de marca.

domingo, 16 de agosto de 2009

Óleo virgem de coco: Como fazer em casa


Imagem Wikipedia

1: Obter o leite de coco e coar

Escolhem-se alguns cocos maduros, pesados, com bastante água dentro, que vão ser abertos nos olhinhos com um prego ou sacarrolha, para retirar a água, depois embrulhados numa toalha e partidos a marteladas, ou com um golpe de facão. A água deve ser colhida numa vasilha e coada. Quanto mais água houver dentro do coco, mais úmida estará a polpa, e isso é bom. Percebe-se a quantidade claramente ao chacoalhar o coco - pouca água chacoalha mais.

A tradição é ralar o coco num ralo próprio, que se usa muito no nordeste, e misturá-lo com a própria água que vem dentro, amassando bem e espremendo com as mãos até tudo virar um creme. Algumas receitas recomendam aquecer a água e amassar a mistura até ela esfriar. Isso dá uns 10 minutos.

Mas também se pode bater o coco em pedacinhos com a água no liquidificador, aos poucos, até obter esse creme. E também se pode usar água filtrada ou fervida.

Coar na peneira, no coador de nylon, na gaze, no filó, no pano de fralda. Muita força para espremer tudo até o creme acabar.

O bagaço se reserva para fazer cocada macaroon (aquela com farinha - como se chama em português?), pão de coco ou adubo de planta. É uma fibra natural ótima para os intestinos. Pode ser congelada.

2: Métodos de extração do óleo virgem de coco


A frio

O leite de coco precisa fermentar para que o óleo se separe da água. Isso pode acontecer em climas quentes deixando-o simplesmente descansar numa vasilha coberta durante 48 horas. O óleo vai se separar natualmente da água e dos resíduos. Três camadas de líquido vão se formar: o óleo de coco por cima, a água no meio e um creme fino no fundo.

Retirar o óleo com uma colher ou concha. Filtrá-lo três vezes em pano de fralda dobrado ou filtro de papel para café. Colocar num vidro e tampar bem.

Quando olhado contra a luz, o óleo vai ter uma coloração amarelada. Essa é a cor natural do óleo virgem de coco.

A água que sobra da mistura original pode ser fermentada para virar vinagre. A mistura cremosa pode ser fervida numa panela para expelir mais óleo. Esse óleo extraído com calor pode ser usado para fritar ou para o cabelo.

O óleo virgem de coco pode ser guardando em temperatura ambiente. Validade 2 anos, no mínimo.

Outro método a frio (mais prático)

2 cocos, 3 xícaras de água do próprio coco, picar, bater por 2 ou 3 minutos no liquidificador até a consistência ficar lisa e cremosa. Espremer, colocar o leite de coco numa jarra, cobrir e deixar 48 horas num lugar escuro.

Transferir o líquido para uma garrafa pet de água mineral limpa e deixar em local sombreado cuja temperatura esteja em torno dos 25 graus C. Em 6 a 8 horas o óleo vai se separar do leite.

Ponha a garrafa na geladeira por 3 horas. O óleo vai se solidificar. Deite e corte a garrafa o mais junto possível da linha do óleo. Isso facilita sua retirada. Guarde em vidro de boca larga com tampa. Ele vai ficar líquido se a temperatura ambiente estiver acima de 27 graus.

Extração no fogo à moda de Bali

Coco ralado à mão no ralador de coco; misturar com água quente e amassar com as mãos até esfriar. Espremer com força para soltar po máximo possível de leite. Esta é a primeira prensagem. Mais água quente é adicionada ao coco já espremido e o processo se repete. Três cocos produzem mais ou menos um litro e meio de leite de coco.

O leite de coco é posto num fogo de bom tamanho para ferver alegremente. Duas rodelas de cúrcuma são adicionadas (e removidas uma hora depois). A cúrcuma colore o óleo e quem ensina diz que o mantém "fresco". Provavelmente dá algum sabor também - o que não faz muita diferença, porque em todo prato de Bali que usa óleo de coco a cúrcuma também entra.

Lá pelas tantas a mistura faz espuma, deixe estar. Uma hora depois o óleo começa a aparecer nas beiradas. O mestre borrifa água fria na superfíce fervente e diz que é para drenar melhor o óleo.

A panela sai do fogo depois de mais ou menos uma hora e meia. O líquido está reduzido à metade, a espuma se dissipou e a superfície está coberta por uma camada fina de óleo dourado.

O leite-óleo é passado por um coador de tela ou peneira fina para capturar a espuma e quaisquer pedacinhos de polpa de coco. Volta à panela e descansa para que a matéria sólida do leite de coco assente no fundo.

Cinco minutos depois já se pode retirar o óleo da superfície com uma concha ou cumbuca. Esse óleo vai para uma caçarola de ferro pequena, posta ao fogo por quinze minutos; sai dele borbulhando e espirrando, mas em poucos minutos arrefece e se revela um óleo quase límpido.

Todas as sobras do processo ainda são coadas e espremidas mais uma vez para aproveitar cada gota.

Outro método de extração no fogo


5 cocos médios ou grandes para fazer 1 xícara de óleo. Depois de obter o leite de coco, batendo ou ralando e espremendo, coar e deixar descansar por 24 a 48 horas. O creme e a água vão se separar, a água fica no fundo. Retire o creme com uma escumadeira e ponha numa panela grossa e funda (porque ele espirra quando ferve). Deixe ferver devagarinho em fogo médio ou baixo. Lentamente o óleo aparece por cima. Afaste os resíduos de coco para o lado. O óleo fica mais claro. Vá tirando com uma colher e fervendo até não ter mais nada a retirar.

Observe que as panelas são sempre grossas, de ferro fundido, esmalte ou pedra-sabão, para um cozimento lento. Panelas finas fariam o óleo ferver demais.

Pão de coco usando o bagaço que sobrou

2 xícaras de farinha de trigo bem cheias
1 colherinha (café) de sal
4 colheres (chá) de fermento em pó
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal derretida, óleo de coco ou azeite de oliva
1 xícara de coco ralado, não muito apertado
2 colheres (sopa) de açúcar branco, cristal ou mascavo
1 xícara de leite de coco diluído meio a meio com água, ou de leite animal

Peneire a farinha, o sal e o fermento numa vasilha
Separadamente misture o coco e o açúcar e junte à farinha
Adicione o leite e a gordura (óleo de coco, azeite ou manteiga)
Amasse por 5 minutos ou até obter um bolo de massa bem aglutinada, oleosa na superfície
Cubra e deixe crescer por 10 minutos
Achate a massa para ela virar uma panqueca gorda, com +- 2,5 cm de altura
Ponha numa assadeira untada e faça furinhos por cima com um garfo para decorar
Asse em forno médio (120 graus C) por 20 minutos ou até dourar. Deixe esfriar para comer.

Fontes com boas imagens

http://www.chezlin.com/2008/07/coconuts-101-different-ways/

http://www.simplytrinicooking.com/2008/07/homemade-coconut-oil-trini-style.html

http://www.ehow.com/how_4884719_homemade-coconut-oil.html

http://www.your-how-to.info/2008/01/how-to-make-your-own-virgin-coconut-oil.html

http://www.simplytrinicooking.com/2008/07/coconut-bake.html

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Interesses industriais: irradiação de alimentos

Uma leitora escreve pedindo algo sobre irradiação de alimentos. Respondo que o tema me deixa de mau humor, porque ninguém diz que está irradiando mas está, geral, e com aval acadêmico.

Com a desculpa de que o produto é higienizado, ele chega à boca do consumidor afetado por elementos que não existiam quando Deus criou a maçã e Eva a comeu. Não sabemos qual é, a longo prazo, o efeito de comer algo que pode minar a saúde aos poucos e levar a um novo tipo de doença cara e martirizante como o câncer. Por exemplo.

Carol Daemon postou lá no blog, ex-Menina do Dedo Verde. Olho vivo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Gripe porquinha: ver para crer

Nada contra as porquinhas. Mas porco sempre foi uma espécie de xingamento. No mínimo queria dizer que o sujeito era sujo. Sujas são as manobras políticas e farmacêuticas para aterrorizar o povo, que acredita que a saúde é um direito do cidadão e um dever do estado. E vai lá fazer fila para tomar a vacina ou comprar o remédio.

Este filminho no youtube - http://www.youtube.com/watch?v=CcgCBiyGljM - dá o serviço para quem só consegue pensar vendo. Em espanhol com legendas em português.

Já tínhamos publicado aqui sobre o chiqueiro em 29 de abril (dia do inhoque). Estamos em agosto e a intimidação prospera.

Há muito mais fraudes entre o céu e a terra do que suspeita nossa vã filosofia.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Eu sou responsável por mim e pela minha saúde

Continuando o papo, este é o aspecto mais interessante da filosofia macrobiótica: ela vem carregada de conhecimentos herdados da medicina tradicional chinesa e japonesa, que sempre achou muito mais fácil, prático e barato preservar a saúde do que tratar de doenças.

Na China antiga, o médico era pago por mês para manter os pacientes saudáveis. Ia à casa das pessoas verificar se havia umidade ou corrente de ar, se as camas estavam em posições adequadas, se a comida era bem feita. Vistoriava a higiene dos aposentos, do entorno e das pessoas. Se houvesse o que medicar, deixava as ervas e poções. Quando um paciente adoecia, parava de pagar. Quando morria, o médico era obrigado a colocar uma lanterna na porta de casa como testemunha de sua negligência.

Muito diferente? Muito. Mas na França de hoje também é diferente. Os médicos pagos pelo governo vão à casa do paciente, ou ao hotel, se você estiver lá como turista. Aconteceu com meu companheiro nos anos 80: comeu patê demais, com muito vinho bom, e no meio da noite estava em cólicas. O médico, chamado pelo hotel, chegou em meia hora. Examinou, injetou a primeira medicação, recomendou repouso e dieta e ninguém pagou nada.

Muito diferente. Mas aqui no Brasil também existem diferenças. Quem se trata com homeopatia e acupuntura frequenta o médico para não ficar doente. Os pequenos desequilíbrios são vistos como tal. Os exames contemplam a pessoa com seu corpo e sua mente, não um papel cheio de códigos indecifráveis que levarão a contas caríssimas.

Um bom macrô, que só é bom se não for radical, lê uns tantos livros de Michio Kushi e Tomio Kikuchi e acaba aprendendo que funcionamos grosso modo com cinco órgãos - fígado, pulmões, rins, coração e o chamado baço-pâncreas, acoplados a cinco vísceras - vesícula biliar, intestino grosso, bexiga, intestino delgado e estômago, respectivamente. Entende as emoções ligadas a eles e também os principais distúrbios. Assim começa a se observar e seu autoconhecimento prospera. Com isso ele se torna mais livre.

Nenhuma outra linha de alimentação oferece esse universo de conhecimento.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Conversa sobre a macrobiótica

Recebo e-mail de Teresa Belo, Lisboa:

Aproveito para colocar uma questão relativamente à alimentação, eu sou macrobiótica num regime não muito rígido mas, como tal tento limitar o consumo dos alimentos mais Yin, especialmente os de origem tropical. Qual é a opinião da Sónia sobre estas limitações? E na sua opinião quais as adaptações que devo introduzir às suas receitas?

Desculpe a pergunta mas como estamos em climas diferentes, em hemisférios diferentes, … e como não tinha tido ainda a oportunidade de dialogar com alguém desse lado do mundo sobre esta matéria quis aproveitar…

Respondo:

Acho muito apropriada a restrição que a macrobiótica faz ao que considera muito yin, que são as frutas, certos vegetais e preparados doces em geral. Mas também não precisa levar a extremos, e esse é o aprendizado. A base da minha alimentação (e do meu estudo) é a macrô e, ao longo dos anos, tenho tido oportunidade de confirmar o acerto dessas restrições - como? Comendo o proibido. E percebendo sua ação no meu corpo.

Claro que devem ser levadas em conta as diferenças pessoais. Alguém que tenha muita atividade física pode se equilibrar com frutas ou sucos, especialmente num dia quente, enquanto alguém que trabalha em escritório com ar refrigerado pode se resfriar por causa do mesmo suco.

Minha opinião hoje é que se deve limitar também a quantidade de cereais integrais e consumir mais vegetais frescos e coloridos, sempre com uma pequena porção de produto animal. Por quê? Porque vivemos num mundo cheio de cargas eletromagnéticas, sujeitos o tempo todo a influências energéticas estressantes e pessoas estressadas, e um pouco mais de energia animal nos ajuda a criar solidez, fornecendo inclusive vitamina B12 para o sistema nervoso. A macrô prevê isso como 5 a 15% do prato. Considero correto.

A redução dos cereais ajuda a equilibrar uma refeição que inclui proteína animal e ao mesmo tempo evita o estado de inflamação crônica produzido pelo excesso de carboidratos. Quanto mais carboidrato se ingere, mais o corpo pede.

Muito cuidado com a soja, que é imprópria para consumo se não for fermentada. Tofu, uma ou duas vezes por mês. (Você pode ler mais sobre a soja em www.correcotia.com/extras .)
...
Pedi licença para reproduzir a conversa aqui e ela deu. :-) Valeu, Teresa!