quarta-feira, 17 de junho de 2015

Meditando na cozinha

São muitas as formas de meditar,
todas com o mesmo objetivo: pacificar
a mente, que não conhece limites e não
para quieta um instante. Meditação é um
jejum mental, onde se procura não pensar.
Seja em silêncio ou cantando mantras,
depois de um tempo as preocupações
desaparecem e mesmo o principiante
percebe que a mente se acalmou.

Cozinhar também pode ser meditação.

Uma, porque leva tempo, exige paciência e entrega.

Duas, porque se você não põe a mente no que está fazendo
pode queimar a comida, salgar demais, temperar de menos,
entornar o azeite, errar a receita e cometer toda sorte de erros
e distrações, que acabariam em sabe Deus que tragédias!

Três, porque essa combinação de paciência, entrega e atenção
dá margem a micromeditações – enquanto você faz não
pensa, não julga, apenas observa.

Por exemplo, lavando um maço de cebolinha verde. Claro
que sua porção viking poderia cortar de um golpe as raízes,
geralmente com um bom tanto de bulbos junto, descartar
sem mais delongas as folhas meladas e passar tudo debaixo
da torneira sem nem se dar conta do que está fazendo.
Mas que delicadeza trabalhar com as cebolinhas
na água corrente separando os bulbos, puxando
para baixo as folhas murchas e vendo finalmente
a cebolinha aparecer perfeita! Não faz a menor
diferença no gosto da comida, mas estabelece a
prática da contemplação da natureza, o que já é
uma forma de meditação.

Ou seja, faz diferença para você.

Os japoneses têm longa tradição tanto na arte
de meditar quanto na de lidar com vegetais,
produzindo lindos pratos a partir das formas,
cores e texturas que oferecem ao paladar.

Têm também as melhores facas e tábuas, e uma infinidade
de utensílios impensáveis antes e indispensáveis depois –
pequenos raladores para gengibre, descascadores,
peneiras de bambu, colheres, espátulas, pinças, recipientes
para cozinhar no vapor – enfim, a boa loja de produtos
japoneses é a disneilândia da cozinha.

Agora, no tocante a panelas, sejamos Brasil: as de
pedra-sabão, mineiras, são imbatíveis. Feitas de uma
coisa completamente natural, pedra, curada no forno
com outra coisa completamente natural, óleo. Pesadas.
Não pode lavar com detergente porque entranha, só sabão
e esponja. Em compensação, nenhuma outra panela vai
refogar cebolas no azeite com tanta ternura quanto a de
pedra: devagar, cozinhando cada partícula de cebola até
deixá-la doce e transparente, e se continuar fica dourada e
vira manteiga de cebola, uma coisa maravilhosa para passar
no pão. (Não rende, ponha no mínimo dez cebolas.)

Importantíssimo no ritual da cozinha: não perturbá-la
batendo colheres na boca das panelas, fazer tudo
silenciosamente.

A leveza ao pousar a tampa no bule
ensaia a leveza da vida. Mexer uma panela
prestando atenção é igual a desenhar uma
mandala, faz efeito no ser inteiro.

Comida e alma se dão muito bem. Cozinhar pode ser
uma prática tão rica em significados e insights quanto
qualquer outra.

Além de acalmar a mente, como toda meditação
que se preza.
::::::::::::::::::::

Alô alô, Vila Madalena, SP: vamos meditar na cozinha?

informações e inscrições: www.quirovitao.com.br

quarta-feira, 6 de maio de 2015

ALÔ ALÔ, RIO DE JANEIRO! SEMANA QUE VEM COMEÇA O CURSO DEIXA SAIR


4a feira, 13 maio, 18h30 a 21h30
O QUE DEIXAS SAIR
TE SALVARÁ
Hálito, secreção nasal, lágrimas,
remela, meleca, catarro, corrimento,
urina, fezes, gases, suor, arrotos, espirros, 
furúnculos, espinhas: o corpo é um sistema 
autorregulável que elimina o que não serve mais.
Se algo fica retido, ele se complica.
Como ajudar as eliminações?


4a feira, 20 maio, 18h30 a 21h30 
COMER OU NÃO COMER,
EIS A QUESTÃO
Comida de mentira, comida de verdade: a função
medicinal dos alimentos tradicionais nos cardápios
saudáveis. Cores e sabores. Carne ou arroz integral?
Quais as gorduras que fazem bem? E para quem
só come fora de casa? 

4a feira, 27 maio, 18h30 a 21h30
SOMOS UM CONDOMÍNIO
Os limites da pessoa e a influência dos hóspedes
que minam a saúde. Parasitoses e candidíase, evitar
e tratar. A cozinha medicinal que privilegia a digestão
e a limpeza de parasitas. 

local: Flex Center - Salão Esmeralda
Largo do Machado 54
metrô - estacionamento na praça e no prédio 

inscrição somente online: correcotia.com/rio

boleto, débito em conta, cartão, parcelamento

r$360,00

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Vou à Amazon comprar uma Olivetti

                    


Pronto, gente, já estão na Amazon meus dois primeiros eBooks: Candidíase, a praga e A dieta do dr. Barcellos contra o câncer e todas as alergias.

Logo vou converter os outros. Novo formato, nova experiência editorial. Desde a máquina de linotipo passei por muitas. Haja coração.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

ALÔ SÃO PAULO: MEDITANDO NA COZINHA ~ SESC CONSOLAÇÃO

Maravilhosa oportunidade para mim de estar com meu público paulistano: de 22 a 24 de abril, no Sesc Consolação, rola o curso Meditando na cozinha. Até dia 16 as inscrições esperam pelos credenciados do Sesc, e só depois as vagas restantes são liberadas para quem não é. Vejo vocês lá?


http://www.sescsp.org.br/aulas/57291_MEDITANDO+NA+COZINHA+COM+SONIA+HIRSCH 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Uma charrete e uma Olivetti

Entrei tarde no mundo digital. Já lia a Cora Rónai no JB mas ainda batucava meus textos na pequena máquina de escrever Olivetti que me acompanhou nas mais deliciosas aventuras com as palavras. Eis que veio o primeiro computador, depois o segundo, depois não sei quantos, e hoje a maior parte do que faço é conectada nesse admirável mundo novo que pisca dentro da luzinha do modem.

Oito anos atrás resolvi me mudar para a casa onde passava fins de semana. Sempre gostei da roça, das plantas, dos pássaros, de contemplar a natureza e me espelhar nela. Também do mar, sim, muito, mas a escolha foi pelas montanhas altas que me dão proteção e conforto, mais um frescorzinho extra à noite. E o que desencadeou a mudança? Uma oferta de banda larga da Oi, logo após a chegada do telefone na região.

Contava com os problemas. Luz faltando volta e meia. Primeiro consegui lampiões a gás, vendidos abertamente enquanto os bujões pequenos que os alimentam só saiam da loja por baixo do balcão. Soube que estavam proibidos, mas logo aprendi que os motoristas que entregam gás se encarregam de enchê-los e cobrar o triplo do que valem. Aprendi também a colocar a camisinha, não me entendam mal, e tacar fogo nela até obter a luz incandescente que me salvava da escuridão. Um dia apareceram as boas lanternas de led, recarregáveis, de chacoalhar, de apertar – todos os tipos frequentaram a casa por algum tempo, logo substituídos por outra maravilha iluminante.

Nem lanternas nem bujões a gás, porém, me permitiam usar o desktop, e a bateria do laptop ficava me pressionando para acabar logo antes que ela mesma acabasse. Assim não dava. Inspirada num vizinho, catei caraminguás na poupança e investi num sistema simples que só me deu alegrias: uma boa bateria de carro, um carregador de bateria e um inversor de corrente. Hahaha, digo eu quando a luz acaba. Tomo banho quente com aquecedor a gás e não me abalo nem um pingo em relação ao desktop, que está ligado no bendito inversor o tempo todo, me dando exatamente o conforto que eu esperava e mais: a gratidão que se tem hoje em dia por qualquer coisa que funcione corretamente.

Já a banda larga deu trabalho. Não tem viabilidade técnica, disse o rapaz no telefone oito anos atrás. E eu: Meu senhor, isso não é possível. Vocês ofereceram. Queimei meus navios e me instalei aqui, construí casa nova e me mudo em um mês, tem que ter banda larga porque eu trabalho com ela. Vou passar a senhora para o supervisor. Sim. E o supervisor insiste na falta de viabilidade, enquanto eu insisto no fato de que eles é que provocaram minha mudança, como ofereceram se era pra não cumprir? E o rapaz: Mas a senhora não tem prova de que o serviço foi oferecido. E eu: Como não? Tenho o email da firma tal, tá aqui. Ah, então manda pra mim.

Mandei. Diante do inevitável, fizeram o mínimo possível e me instalaram aqui uma bandinha de 600k, medindo na hora um download de 150k. O rapaz ria de orelha a orelha: É bem mais que uma conexão discada, a senhora vai ficar confortável.

Fiquei, de fato. Menos quando dava problema no poste. Ou chovia. Ou ventava muito. Ou um raio caía. Lá ia eu com o laptop para a lanzinha do povoado, trabalhar de pé no balcão durante duas, três horas.

De lá para cá o sinal do celular começou a dar o ar da graça. Assaltei a poupança de novo e comprei um iPad, que dava três barrinhas de sinal enquanto no celular só havia duas. Dava pra ver os emails. Pra ver se o site havia vendido alguma coisa (pois esta é uma parte importante do meu dia: atender ao leitor que entrou lá, escolheu um livro, pagou e deve recebê-lo). Mas não dava pra movimentar os blogs e o face. Tudo esperava a banda larga voltar.

Aí, um ano atrás, o velox entrou em colapso. Velocidade máxima 39k descendo a 3, 4k e sumindo. Fiz uma campanha cerrada de reclamações e acabou aparecendo aqui um supervisor, simpático feito ele só. Explicou que a placa do velox estava vencida, sem chance de me dar algo melhor do que uma oscilação constante, quedas totais e uma ansiedade brutal. Garantiu que o equipamento seria trocado; e nada aconteceu. Resumindo, longos meses depois perdi a esperança e recomecei – em agosto – as reclamações na Oi e na Anatel. Mas nada se resolve.

Sim, já estou na fila para o satélite caro, já comprei o modem wifi que quebra o galho, já sei do celular rural com modem e antena, tô virando especialista em alternativas para o meu caso porque não seria justo, no Brasil de hoje, esperar que alguém obrigue Sua Majestade a Oi a fazer alguma coisa decente para mim e para todos os usuários da região que ainda sofrem mais que eu, mesmo sendo concessão pública, havendo toda a infra instalada e contas altas sendo pagas em dia. 

Volto da lanzinha do povoado pela estrada esburacada e penso: que sortuda sou por poder morar aqui antes que o dono dessas fazendas transforme tudo em condomínios de apartamentos, como vem acontecendo Petrópolis afora. A conexão pode até melhorar, mas a paisagem… 

Que sortuda por não perder a noção de que a vida se faz de matéria orgânica. Por gostar dos cheiros da roça, do fogão de lenha, das bostas de vaca e de cavalo pelo caminho. Os próprios deitados na ponte. Ôôôôôô, vaca, ôôôôô cavalo, ôôôôô

Pra viver só preciso de um pouco de água, um pouco de terra, um fogãozinho, algum dinheiro. Algum afeto sincero. Sol. Passarinhos.

Umas galinhas no quintal pra botar ovo, uma horta modesta, um limoeiro. 

Logo me pego pensando em mudar para mais longe e comprar uma charrete. E, quem sabe, uma Olivetti.


Feliz 2015 pra todos!

domingo, 28 de setembro de 2014

Quem vive, respira


um ipê com suas favas, molhadinho de chuva

Por trás de nossos atos, palavras e pensamentos, ao longo de todos os dias e noites da
vida, respiramos. Incessantemente, trilhões de vezes, tão sem esforço que mal dá para
notar. Podemos viver muitos dias sem comida, alguns sem água, nem cinco minutos sem
ar. A troca que acontece nos delicados alvéolos pulmonares tem que ser constante: entra
oxigênio, sai gás carbônico. É uma lei primária de sobrevivência.

Mas isso não quer dizer que sempre respiramos bem. Prendemos a respiração, sem
perceber, em momentos de susto ou medo; ficamos sem ar diante de uma notícia grave,
esquecemos de respirar quando preocupados com alguma coisa. São paradas que
refletem um estado de tensão e servem para aumentá-la. Uma pessoa que fuma acende
um cigarro nessa hora e dá uma tragada funda. Outra, com noções de meditação e yoga,
vai fazer um esforço consciente para trazer a respiração de volta. Porque não é só a
troca de oxigênio por gás carbônico que interessa: há um ritmo de vida que a respiração
comanda, e o movimento do ar, seja puro ou poluído, mexe com a energia mental ao
passar pelas vias aéreas superiores.

A respiração rápida excita, a respiração lenta acalma. A rápida é forte, curta,
incompleta. A lenta é suave, longa, profunda: o ar chega até o fundo dos pulmões e
beneficia os órgãos internos com sua massagem. O coração, músculo soberano que
precisa bater direito para fazer circular o sangue e as emoções, reage imediatamente às
mudanças de ritmo respiratório. Não pode ser controlado diretamente, mas obedece à
respiração e se organiza quando ela é tranquila.

Morar nas cidades quase que obriga a tomar consciência da respiração. Grande parte da
atividade cotidiana envolve andar por vias cheias de gente, motos, carros e ônibus
poluentes, letreiros, barulho, perigo. O estresse é inevitável.

Um modo de recuperar o equilíbrio, mesmo no engarrafamento ou na fila do
supermercado, é prestar atenção à respiração e fazê-la lenta, longa e profunda.
Nada mais monótono: inspira, expira. Nem mais contínuo: inspira, expira.

Poderia ser um tédio. Não é. Aos poucos a pessoa observa com mais calma a passagem
do ar pelas narinas e sua descida pelos tubos respiratórios, o modo como o ar enche o
peito e a barriga e logo os esvazia, e de repente uma sensação de leveza cintilante está
tomando conta da cabeça. Respirar torna-se grande como o céu, como o mar. Nuvens e
ondas vão e vêm. Tudo em um espaço interior novo, que aumenta a superfície de
contato da pessoa consigo mesma. No fim, observar a respiração é uma forma pessoal de
meditação que pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar, pelo prazer de
aquietar a mente e entrar nessa camada suave de existência.

Alguma disciplina pode ser necessária no início ~ por exemplo, contar os tempos da
inspiração e da expiração: de 1 a 5 inspirando, de 6 a 10 expirando. Quando esse ritmo
estiver estabelecido, manter a inspiração em 5 tempos e ir alongando a expiração até
15, ou mais. Tomar fôlego, inspirando rapidamente uma boa quantidade de ar para soltálo
aos poucos, é o que fazemos naturalmente ao rezar, cantar ou recitar mantras, que
também nos sossegam.

Além disso, a poluição das cidades é menos prejudicial para quem respira bem. As
mucosas por onde passa o ar têm cílios minúsculos formando um tapetinho onde fica

presa a sujeira. Basta lavar o nariz e a garganta, à noite, para livrar-se dela.

::::::::::::::

DICA: regador de nariz barato e eficiente? www.nasalpote.com.br

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

"Saúde é outra coisa" no Rio de Janeiro: 24/9, 1/10 e 8/10



ilustração de Celina Gusmão

SAÚDE É OUTRA COISA
curso com Sonia Hirsch no Rio de Janeiro
24 de setembro, 1 e 8 de outubro 2014


4a feira, 24 setembro, 18h30 a 21h30

SAÚDE É OUTRA COISA

alimentação distraída, diagnósticos preocupantes ~ inflamação crônica por trás do adoecimento ~ a dieta do dr Barcellos contra o câncer e todas as alergias: uma estratégia


4a feira, 1 de outubro, 18h30 a 21h30

O DE FORA E O DE DENTRO

o grande universo de alimentos tradicionais ~ tudo me é permitido, mas nem tudo me convém ~ boas escolhas baseadas em quantidade, qualidade e autoconhecimento


4a feira, 8 de outubro, 18h30 a 21h30

PARA NÃO ADOECER

frio, calor, umidade, secura ~ a cozinha medicinal que privilegia a digestão ~ parasitoses, evitar e tratar ~ candidíase crônica, evitar e tratar ~ ervas e temperos na comida e nos chás


local: Flex Center - Salão Esmeralda
Largo do Machado 54
metrô - estacionamento na praça e no prédio (com desconto)


inscrição somente online: correcotia.com/rio


r$225 até 18/9

r$300 depois

boleto, débito em conta, cartão e parcelamento disponíveis

domingo, 3 de agosto de 2014

Caldos e sopas quentes para hidratar no inverno

(do livro Candidíase, a praga)

caldos

caldo de vegetais
Pode ser feito a qualquer momento com vegetais variados, misturando raízes, bulbos, talos, folhas e ervas, fresquinhos ou que já estejam ficando velhuscos na geladeira. Ferver em água durante 40 minutos, coar, descartar os sólidos, já esgotados.

Temperar com missô e cebolinha-verde picada. Pode despejar bem quente sobre brotos de feijão ou folha picadinha de couve-chinesa para equilibrar o muito cozido com o muito fresco. Gotas de gengibre ralado e espremido ou limão caem bem.

caldo de alga kombu
Corte com uma tesoura um pedaço de mais ou menos 3 x 3cm de alga kombu e limpe com um pincel para tirar resíduos. Não se incomode com a poeirinha esbranquiçada que ela tem, são sais.
Ponha de molho em meio copo de água sem cloro (mineral ou de fonte). Depois de uma a três horas a água estará esverdeada. Retire a alga, aqueça o caldo sem deixar ferver, tempere com missô.
Se não gostar do sabor, pense em juntar gengibre, limão ou alho.
A alga pode ser utilizada em outros pratos.

outras algas marinhas
Algas arame e hijiki devem ser lavadas rapidamente sob a torneira, dentro de uma peneirinha; ficam de molho meia hora em pouquinha água e podem ser refogadas como qualquer outro vegetal. Aproveitar a água na sopa.
Alga wakame não precisa cozinhar. Após ficar de molho, pode entrar ao natural em qualquer prato.

caldo de cogumelo shiitake
4 cogumelos shiitake secos, de tamanho médio

2 xícaras de água fervendo
sal ou shoyu
cebolinha-verde
Leve a água ao fogo. Quando estiver fervendo, coloque os shiitakes, tampe, baixe o fogo e dexe ferver por 5 a 8 minutos. Retire os shiitakes, reserve para usar em outro prato, sirva o caldo com shoyu e cebolinha.

caldo de alho: aïgo boulido
Uma das mais antigas tradições da Provence, na França, este caldo de alho tem fama de salvar vidas.
1 litro de água

1/2 colher/chá de sal

6 dentes de alho amassados

1 raminho de sálvia

1 raminho de tomilho

1/4 de folha de louro

1 gema de ovo
Ferver por 10 minutos a água com alho e sal. Juntar um raminho de sálvia e outro de tomilho, se possível frescos, e 1/4 de folha de louro. Tampar e retirar do fogo.
Deixar em infusão de 10 a 15 minutos e retirar as folhas.
Desmanchar a gema em um pouco do caldo e misturar ao restante, para engrossar. Tomar puro na dieta radical. Na dieta suave, servir em prato fundo onde já estejam duas fatias de pão integral de fermentação longa, torradas e regadas com azeite.

caldinho de rã
É famoso por limpar pulmões e intestinos e restaurar a flora intestinal, fortalecendo o sistema imunológico. Para uma rã limpa, 4 copos de água; ferver em fogo baixo até reduzir à metade; dá para dois ou três dias. Tomar uma xícara em jejum, quente, com ou sem gotinhas de shoyu ou limão, com ou sem sumo de salsa fresca, durante uma semana; parar uma semana e repetir.

caldo de carne caseiro
O bom caldo de carne leva osso, de boi ou de cordeiro. O de maior reputação é feito com ossobuco, o osso da perna dianteira do boi, que tem tutano por dentro e músculo por fora. Tutano é a medula óssea, gordura rica, leve e saborosa. A receita clássica leva vegetais que aumentam valor e sabor.
1k de ossobuco ou 1/2k de músculo

2 cenouras médias

1 nabo redondo médio 

1 cebola média

2 dentes de alho ou 1 pedaço de gengibre

2 talos de aipo
1 colher/chá de sal

2 folhas de louro
1 colher/chá de tomilho
Ponha tudo a ferver com bastante água, em fogo baixo, durante três horas; coe, dispense os sólidos e guarde o caldo. Retire as placas de gordura depois de esfriar. Pode congelar.
O tutano deve ser retirado de dentro dos ossos ainda quente, com uma faquinha ou colher pequena, para desmanchar no caldo. Ou comer com torradinhas integrais e sal, na dieta esperta.

caldo caseiro de frango ou galinha
Frango é um jovem rapaz, galinha é uma velha senhora. Dizem os entendidos que o bom caldo medicinal é de galinha, cozida até desmanchar. Use as partes menos nobres – carcaça, pescoço, asas, pés, com ou sem a pele, e faça como o caldo de carne. Desengordure depois se achar necessário. Nesta dieta as gorduras animais são importantes, e se o frango for de boa procedência, como deve ser, a gordura será saudável em pequena quantidade.

caldo de peixe caseiro
Use somente as cabeças e espinhas de peixes de escamas, não de couro, acrescentando os vegetais e ervas que lhe parecerem bem, depois coe e descarte os sólidos.

para dar mais sabor e valor aos caldos:

bouquet garni
É uma trouxinha ou amarradinho de ervas que empresta um sabor delicioso aos caldos e maior poder desintoxicante. Louro, manjericão, manjerona, salsa e tomilho são os cinco utilizados no bouquet garni da marca petropolitana Provence.

vegetais aromáticos
Aipo/salsão, alho-poró, cenoura, nabo redondo, alho, cebola, gengibre: ferver junto com ossos, carnes, aves ou peixes, depois coar e descartar os sólidos: já deram o que tinham que dar.

sólidos
Na hora de servir, pode-se acrescentar aos caldos, bem quentes, pedaços de inhame ou cará cozidos à parte (dieta suave), brotos de feijão frescos, cebolinha-verde e outros vegetais cozidos e crus.
Todos os caldos favorecem a produção de enzimas por serem ricos em vitaminas e sais minerais; podem abrir e acompanhar a refeição ou quebrar um galho na hora do lanche.

sopas

sopa de feijão-preto para rins e adrenais
Esta receita de sopa é tradicional no Oriente por fortalecer os rins e as glândulas adrenais, ou suprarrenais – aquelas responsáveis por nos dar condições de reagir em situações de stress. O inverno é o grande momento de dar atenção aos rins. Quem sente muito frio pode estar demonstrando fragilidade nessa área. A sopa de feijão-preto, além de ser deliciosa, aquece o corpo, e esse efeito dura vários dias. Pode ser repetida uma vez por semana, mas não deve ser guardada na geladeira: a recomendação é tomá-la à vontade, mas num dia só.

1 xícara de feijão-preto

1 cebola média picada

1/2 colher/café de sal

1/2 colher/café de cúrcuma em pó

1/2 colher/café de gengibre em pó

1/2 colher/café de cominho em pó

1/2 colher/café de pimenta-do-reino em pó

1 colher/café de sementes de funcho

Deixar o feijão de molho na véspera, trocando a água. Levar ao fogo e descartar a água da primeira fervura. Cozinhar em panela destampada durante 2 ou 3 horas, juntando água se necessário. Acrescentar os temperos quando o feijão estiver macio, refogando em azeite ou direto na água. Servir com salsa e cebolinha picadas, ou coentro.
Tomar o quanto quiser no mesmo dia, se possível mantendo a sopa quente em banho-maria; não guardar a sobra. E não comer cereais na mesma refeição.
Pode fazer a receita substituindo o feijão-preto por outro, mas não terá os mesmos efeitos.

caldinho de grão-de-bico
2 xícaras de grão-de-bico

6cm de gengibre

2 folhas de louro

1 colher/chá de sal

água

Escolha grãos-de-bico graúdos, que cozinham melhor, e deixe de molho na véspera. Retire a espuma que se forma após a primeira fervura. Cozinhe em panela comum, destampada, em fogo baixo, por três ou quatro horas, com um pedaço de gengibre e duas folhas de louro. Acrescente água fervendo de vez em quando.
Quando os grãos-de-bico estiverem bem macios, amasse grosseiramente com a colher de pau, tirando ou não as cascas que estão quase soltas. Junte mais água para formar o caldo, se necessário, ponha o sal e ferva por mais alguns minutos. Sirva com gotas de azeite de oliva e salsinha ou cebolinha frescas.

sopa de lentilhas
1 xícara de lentilhas

2 dentes de alho, ou 
2cm de gengibre

1 colher/café de cúrcuma

1 colher/café de sal marinho

Deixe de molho na véspera, retire a espuma que se forma após a fervura, acrescente os temperos (menos o sal) e cozinhe em panela destampada por algumas horas, até os grãos ficarem bem macios. Acrescente o sal. Sirva com salsinha ou cebolinhas frescas e não coma cereais na mesma refeição. Pode tomar no almoço e na janta.
por que as panelas destampadas?
Para não dar gases. É impressionante a diferença entre os feijões, ou leguminosas, cozidos em panela aberta e em panela de pressão. Seja para sopa ou não. Este o segredo do fogão a lenha: a panela de feijão fica de ladinho, respirando, cozinhando lentamente, liberando no vapor o que dentro de nós iria fermentar.

sopa de abóbora com leite de coco e gengibre
1 coco de tamanho médio

1/2 quilo de abóbora japonesa cortada em cubos

1 colher/sopa de sumo de gengibre ralado
1 ramo de manjericão
Cozinhar a abóbora em pouca água. Abrir o coco, juntar sua água com a do cozimento da abóbora, bater com a polpa do coco no liquidificador, espremer para tirar o leite. Devolver à panela com a abóbora, acrescentar o gengibre, misturar até aquecer e servir com folhas de manjericão por cima.

sopa de cebola com missô
1 cebola média por pessoa

1 colher/sobremesa de missô por pessoa

salsinha picada

Ponha para ferver as cebolas inteiras com bastante água. Após 40 minutos desligue o fogo. Desmanche o missô em um pouco de caldo e leve à mesa em uma molheira. Sirva o caldo com uma cebola inteira em cada prato, e coloque o missô por cima com a salsinha.

sopa de aipim com alho-poró
1 xícara de aipim

1 xícara de alho-poró

1 colher/chá de azeite
Cozinhe o aipim deixando sobrar um pouco de água, retire o cordão e amasse com o garfo. Refogue em azeite o alho-poró. Misture. Acrescente água se for o caso, e sal ou missô.

sopa de inhame com agrião
1 xícara de inhame cozido

2 xícaras de agrião com talos, lavado e picado

1 dente de alho esmagado

1 colher/chá de azeite
Cozinhe o inhame com casca, retire, amasse com o garfo; coe e aproveite a água que sobrou do cozimento. Refogue o alho no azeite, depois o agrião com seus talos. Junte o inhame cremoso. Tempere com 1 colher de missô ou um pouquinho de sal.

sopa de arroz do Pai José
1/2 xícara de arroz integral levemente tostado

3 dentes de alho inteiros

2 cebolas médias, em gomos

3 talos de aipo, com ou sem as folhas, picado

1 alho-poró médio, picado

6 folhas de bertalha
Cozinhe o arroz, com 1 pitada de sal e 8 xícaras de água ou mais, durante 3 horas; fogo baixo, panela meio tampada. Coloque os vegetais e deixe mais 40 minutos; desligue o fogo e coloque a bertalha. Sirva depois de uns minutos, com cebolinha-verde.

Se não encontrar bertalha, refogue à parte algumas folhas de chicória e coma junto com a sopa. Tanto bertalha quanto chicória ajudam a limpar os intestinos.

sábado, 12 de julho de 2014

Inverno, calor & vida

Inverno: sol lá fora, mas cá na sombra uma brisa geladinha, e haja gengibre para esquentar!
De manhã, chá de gengibre com hortelã: além de ser deliciosa, essa combinação neutraliza toxinas, acalma o fígado, tonifica os rins e regula o fluxo de energia vital.
Meio-dia, um bom pedaço de gengibre na panela de pressão, junto com o grão-de-bico deixado de molho na véspera, mais um raminho de tomilho, sal no final, caldo grosso, azeite ao apagar o fogo: é de comer gemendo, ainda mais num cozido light onde não faltem abóbora, batata-doce, banana-da-terra, alho-poró, couve, repolho, cebola inteira, cenoura.
À noite, é claro, sopa. De qualquer coisa, mas com um pouquinho de sumo de gengibre ralado e espremido, para expulsar o frio e evitar gripes e resfriados.
Muita gente aprendeu a comer gengibre em
restaurante japonês, acompanhando peixe cru.
Ele traz um calor que compensa a natureza fria do peixe.
Porque o estômago, como se sabe, é quentinho; todo o
nosso corpo é quentinho por dentro. Quando entra uma
comida fria, o nosso sistema de aquecimento precisa
trabalhar mais para fazê-la chegar à temperatura em que
o estômago pode digerir. Acontece que a grande fonte de
energia corporal é justamente a comida quente: além
de alimentar, ela doa um calor precioso. E fria, rouba calor.
Essa história de natureza da comida vem
dos chineses, que há milênios observam
os fenômenos do universo. Eles mostram,
por exemplo, que as frutas são quase todas
de natureza fria ou fresca, não vão aquecer
ninguém – a menos que sejam cozidas
ou assadas com aditivos quentes, como
cravo e canela.
Cravo esquenta o estômago, os rins, joelhos e a região
lombar. Canela dispersa o frio do abdômen. Chupar
qualquer um dos dois já começa a aquecer por dentro.
Calor é essencial à vida, e vida se faz a cada momento.
Metade do efeito dos chás medicinais vem da água quente.
Mas nem todo chá esquenta. O preto, puro
ou aromatizado com jasmim, bergamota, pêssego,
maracujá e outras essências, esfria o corpo assim que a
água esfriar – tanto que os ingleses começaram a usá-lo
na Índia justamente para refrescar. Mesmo quente,
faz suar e o suor refresca a pele, que refresca o interior
do corpo. Quem não abre mão do chá preto no inverno
pode temperá-lo com cravo, canela, gengibre, cardamomo
(outra sementinha picante, aromática e deliciosa),
casca de laranja e até pimenta.
Outros alimentos que ajudam a produzir calor:
abóbora, alho-poró, cenoura, cebola, cebolinha verde
(todos lá dentro do cozido), arroz, carnes de coelho
e galinha, rim, mexilhão, cevada, painço, leite de coco,
extrato de malte, chalota (aquela cebola mais comprida
que redonda). Lichia, maçã, pêssego e uva são das poucas
frutas que não esfriam o corpo.
Pés e mãos frios podem ser resultado
de uma alimentação com pouco calor,
que torna a digestão mais difícil.
Este é o grande inconveniente de comida congelada
e aquecida no forno de micro-ondas – os alimentos retêm
a natureza do frio, e o reaquecimento proporcionado pelas
ondinhas não é profundo. Se não houver outro jeito,
compense tomando uma sopinha antes e um chazinho
depois. A sopa pode ser só um caldinho de missô
(massa de soja salgada e fermentada), basta dissolver
uma colher de chá de missô em uma caneca de água
bem quente, cebolinha picada por cima e, claro,
muitas gotinhas de gengibre ralado e espremido.

E quem não gosta de gengibre também não
morre de frio: enrola uma faixa de crepe nos quadris,
por baixo da roupa, e ganha um calor secreto
que apruma qualquer friorento.

terça-feira, 24 de junho de 2014

sábado, 14 de junho de 2014

Entrevista no Repórter Eco, da TV Cultura: domingo, às 17:30



Sim sim, temos França x Honduras antes, Argentina x Bosnia depois, e eu no meio do esperneio!

https://www.facebook.com/ReporterEco

Passa de novo no sábado 21/6, às 8h05. Depois estará disponível no site da TV Cultura: cmais.com.br

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Para sobreviver melhor

Por trás de nossos atos, palavras e pensamentos, ao longo de todos os dias e noites da vida, respiramos. Incessantemente, trilhões de vezes, tão sem esforço que mal dá para notar. Podemos viver muitos dias sem comida, alguns sem água, nem cinco minutos sem ar. A troca que acontece nos delicados alvéolos pulmonares tem que ser constante: entra oxigênio, sai gás carbônico. É uma lei primária de sobrevivência.

Mas isso não quer dizer que sempre respiramos bem. Prendemos a respiração, sem perceber, em momentos de susto ou medo; ficamos sem ar diante de uma notícia grave, esquecemos de respirar quando preocupados com alguma coisa. São paradas que refletem um estado de tensão e servem para aumentá-la. 

Uma pessoa que fuma acende um cigarro nessa hora e dá uma tragada funda. Outra, com noções de meditação e yoga, vai fazer um esforço consciente para trazer a respiração de volta. Porque não é só a troca de oxigênio por gás carbônico que interessa: há um ritmo de vida que a respiração comanda, e o movimento do ar, seja puro ou poluído, mexe com a energia mental.

A respiração rápida excita, a respiração lenta acalma. A rápida é forte, curta, incompleta. A lenta é suave, longa, profunda: o ar chega até o fundo dos pulmões e beneficia os órgãos internos com sua massagem. O coração, músculo soberano que precisa bater direito para fazer circular o sangue e as emoções, reage imediatamente às mudanças de ritmo respiratório. Não pode ser controlado diretamente, mas obedece à respiração e se organiza quando ela é tranquila.

Morar nas cidades quase que obriga a tomar consciência da respiração. Grande parte da atividade cotidiana envolve andar por vias cheias de gente, motos, carros e ônibus poluentes, letreiros, barulho, perigo. O estresse é inevitável.

Um modo de recuperar o equilíbrio, mesmo no engarrafamento ou na fila do supermercado, é prestar atenção à respiração e fazê-la lenta, longa e profunda. Nada mais monótono: inspira, expira. Nem mais contínuo: inspira, expira.

Poderia ser um tédio. Não é. Aos poucos a pessoa observa com mais calma a passagem do ar pelas narinas e sua descida pelos tubos respiratórios, o modo como o ar enche o peito e a barriga e logo os esvazia, e de repente uma sensação de leveza cintilante está tomando conta da cabeça. Respirar torna-se grande como o céu, como o mar. Nuvens e ondas vão e vêm. Tudo em um espaço interior novo, que aumenta a superfície de contato da pessoa consigo mesma. No fim, observar a respiração é uma forma pessoal de meditação que pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar, pelo prazer de aquietar a mente e entrar nessa camada suave de existência.

Alguma disciplina pode ser necessária no início ~ por exemplo, contar os tempos da inspiração e da expiração: de 1 a 5 inspirando, de 6 a 10 expirando. Quando esse ritmo estiver estabelecido, manter a inspiração em 5 tempos e ir alongando a expiração até 15, ou mais. Tomar fôlego, inspirando rapidamente uma boa quantidade de ar para soltá-lo aos poucos, é o que fazemos naturalmente ao rezar, cantar ou recitar mantras, que também nos sossegam.


Além disso, a poluição das cidades é menos prejudicial para quem respira bem. As mucosas por onde passa o ar têm cílios minúsculos formando um tapetinho onde fica presa a sujeira. Basta lavar o nariz e a garganta, à noite, com água morna e ligeiramente salgada, para livrar-se dela. Vamos lá?

domingo, 4 de maio de 2014

Leite pasteurizado x leite cru: ótimo artigo de Pat e Alexandre Feldman

Seria preciso um estudo sério comparar os efeitos do leite de vaca sobre o ser humano antes e depois da lei de 1952 que tornou obrigatório pasteurizar tudo. De lá para cá, a incidência de câncer cresceu muito, especialmente nos países que adotaram laticínios industrializados de criação norteamericana.

O dr Alexandre Feldman é um médico que acredita em comida. Como Hipócrates, não muda o remédio: muda o cardápio. Sua especialidade é enxaqueca. É casado com Pat Feldman, mulher dos sete instrumentos que exerce a culinária como arte essencial da vida.

Leia aqui o que eles dizem sobre os leites disponíveis hoje.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Papeluxos do curso "Meditando na Cozinha" em BH para baixar e imprimir

Faço esses papeluxos, nos cursos, como uma espécie de memória para todos nós. Acabei agora de fazer os que vamos usar neste fim de semana em BH.

Pela primeira vez me dou conta de que todo mundo pode ter acesso a eles em pdf. Pois aqui vai o link das minhas quatro folhinhas soltas ao léu: papeluxo comer bem-muito prazer .









terça-feira, 15 de abril de 2014

Para branquear os dentes? Cúrcuma!



Estava eu aqui posta em sossego atualizando meus livrinhos quando a Ninesh mandou um comentário a um post sobre cúrcuma - http://www.soniahirsch.com/2009/04/curcuma-ou-acafrao-da-terra-todo-dia.html - falando sobre escovar com ela os dentes. Como a cúrcuma é boa para tudo, inclusive proteger a madeira contra cupins, acreditei e tratei de experimentar.

Gente, a boca fica maravilhosamente limpa, os dentes absurdamente brancos. E a escova, claro, para sempre amarela.

Basta molhar a escova em água e encostá-la no pó que ela vem carregadinha. Não faz espuma.

Cuidado só com o pijama: os respingos mancham. Mas se acontecer, é só tingi-lo com a própria…

Valeu, Ninesh!

E para comprar direto da cooperativa de produtores de açafrão (cúrcuma) de Mara Rosa, acesse http://cooperacafrao.blogspot.com.br .

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Alô alô, Santa Catarina e Paraná: Curso de dietoterapia chinesa e brasileira de 23 a 25 de maio em Joinville


Próxima atração: Dengue transgênica?

“Na última quinta o governo liberou o uso comercial de mosquistos Aedes aegypti transgênicos. Em nenhum outro país do mundo esses organismos estão sendo usados em escala comercial. Alguns estudos foram feitos no Panamá e Ilhas Cayman, além de duas experiências na periferia de Juazeiro, na Bahia.

As conclusões desses testes na Bahia não foram apresentadas à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio e, portanto, não constam do pedido de liberação comercial que foi aprovado na última sessão do órgão. Ainda assim, os dados disponíveis falam apenas na redução da população de mosquitos da dengue, sem contudo informar se houve ou não queda da incidência da doença nas áreas avaliadas, que seria a grande promessa da tecnologia.”

Leia mais sobre esse modo absurdo de produzir riscos biológicos desnecessários em
http://aspta.org.br/campanha/670-2/ .

domingo, 13 de abril de 2014

Comer bem, comer mal + Maionese de inhame


“Ho ho ho”, ri o falso Papai Noel esfregando o barrigão depois de devorar a ceia, “Comi bem!” E a jovem, após singela saladinha de alface, recusando outros pratos: “Obrigada, comi bem”. A enfermeira, sobre o paciente que parece estar um pouco melhor: “Está comendo bem...” E o casal que acaba de gastar uma pequena fortuna num jantar de alta gastronomia: “Ah, comemos muito bem!”.

Como se vê, cada um come bem de um jeito. Mas afinal, o que é mesmo comer bem?

Com certeza, não é comer muito. A gula sempre foi e continua sendo um pecado capital. Mesmo que o conceito de pecado seja um pouco elástico hoje em dia, pode-se dizer que a pessoa empanturrada peca contra si mesma, contra o delicado equilíbrio do corpo que sente, pensa, fala, age. A digestão sequestra toda a energia disponível e é por isso que muitas vezes põe os glutões para dormir o sono pesado da comilança.

Comer pouco também não é comer bem. Pouco já diz que é pouco. Se for uma estratégia para reduzir o tamanho do estômago sem cirurgia, vale a pena – mas aí o que se recomenda é fazer várias pequenas refeições por dia, todas bem nutritivas, para não gerar carências.

Porque também não come bem quem come qualquer coisa. Se há algo que faz diferença na alimentação, hoje, é a qualidade. O mundo alimentar foi dividido em dois: comida de verdade de um lado e produtos alimentícios de outro. O Brasil já está em plena “transição nutricional”, dizem os cientistas políticos. Nosso consumo de feijão caiu 25% enquanto o de refrigerantes e guloseimas subiu 40%. Com maior poder aquisitivo, estamos optando por pseudocomida industrializada. Ou seja, comendo mal, o que acaba levando a doenças crônicas e distúrbios recorrentes que estragam a vida de qualquer
um.

Por outro lado, mercados e feiras continuam aí. Há cada vez mais barracas de vegetais orgânicos, frutas do sítio, frangos e ovos caipiras, pães de farinha integral e todo tipo de alimento de verdade para fazer uma boa comida tradicional. Até mesmo vegetais e frutas produzidos com agrotóxicos, em cujo uso o Brasil é campeão, ajudam a desintoxicar - não só dos pesticidas que carregam, mas de toxinas do ar, da água, do estresse.

Folhas verde-escuras, como couve, mostarda, brócolis, chicória, rúcula e tantas outras: comê-las todo dia é um seguro de saúde concreto. Vegetais coloridos e variados – abóbora, cenoura, beterraba, rabanete, pepino, nabo, quiabo e tantos outros, se possível da estação e produzidos nas redondezas, são o que garante de fato a presença de vitaminas e sais minerais no sangue. Seja com arroz e feijão, seja com carnes, peixe ou aves, os vegetais é que fazem a diferença. E o custo de uma sacola cheia de vegetais divertidos pode ser bem menor que o de um queijo, por exemplo, que alimenta menos e
costuma levar a tantas reações alérgicas.

Esse é outro ponto importante: o que cada um pode ou não pode, deve ou não deve comer. Conhecer-se é fundamental para ter bem-estar. O corpo reclama quando insatisfeito - rinite, dor de cabeça, intestino preso ou solto, muitos gases, dificuldade de pensar com clareza. Em vez de tomar logo um comprimido, faz bem quem pensa sobre que comeu na véspera. Comida também dá ressaca.

Quantidade, qualidade e autoconhecimento são três critérios confiáveis para comer melhor. O que não significa comer com rigidez. Como diz a médica norteamericana Christiane Northrup, “Não existe dieta perfeita; mesmo que você a encontre, o desejo de variar vai produzir mudanças, e isto é saudável”.

Maionese de inhame da Myriam, minha irmã
para temperar saladas e vegetais ou passar na torradinha

Rendimento: 1 litro

300 gramas de inhames cozidos, sem casca
1 xícara/chá de azeite
1 1/2 xícara de água
1 colher/sopa de mostarda
1/2 cebola média picada
1 ou 2 dentes de alho
1/2 limão grande espremido
salsa e cebolinha picadas
sal e pimenta-do-reino a gosto
1/2 colher/café de açúcar ou mel

Bater tudo no liquidificador até obter um creme homogêneo. 
Guardar na geladeira, em vidro grande, e ir tirando aos poucos.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Dieta radical da candidíase: Farinhas de coco e banana verde da Poly

Extraído dos comentários em http://www.soniahirsch.com/2010/07/candidiase-gourmet-sugestao-de-cardapio.html 

Poly:

Estou fazendo a dieta, sofri bastante os primeiros dias, só pensava em comida, de tanta fome! Mas os resultados são animadores, corrimento de uma vida INTEIRA desapareceu!!! Com apenas uma semana.

Descobri a farinha de banana verde e a de coco, fiz as duas em casa. Posso usá-las na dieta radical? Gostaria de preparar panqueca pela manhã como desjejum.

Sonia:

Poly, experimente e observe. Depois conte pra nós como foi.

A farinha de coco eu experimentei e achei simplesmente o máximo. Você fez em casa como? E a farinha de banana-verde?

Poly:

Pra fazer a farinha de banana verde comprei uma penca bem verdinha, descasquei e cortei em rodelas, espalhei na forma e levei ao forno com fogo baixo. Aí é só ir observando, quando as rodelas estiverem bem sequinhas, quase quebrando na mão você tira, espera esfriar e depois coloca no processador ou liquidificador até formar a farinha.

No meu caso bati no liquidificador mesmo, e fui peneirando aos poucos.

Não tem gosto de quase nada, e realmente prolonga a sensação de saciedade.

A farinha de coco eu fiz com o coco maduro, ralei toda a polpa e depois deixei de molho por uns 15 min em água quente, li que ajuda a eliminar um pouco do excesso de gordura. Depois bati tudo no liquidificador e coei com um pano de prato limpo. 

O liquido que sobra é praticamente um leite de coco caseiro. O coco ralado que fica no pano de prato eu coloquei numa forma e levei ao forno até secar. Depois é só levar ao processador ou liquidificador e formar a farinha. 

Quando levar esse coco ralado ao forno tem que observar bem para não queimar, porque ele seca muito rápido,a farinha fica num tom amareladinho mesmo. Peguei as receitas de como fazer essas farinhas na internet, achei melhor fazer em casa do que comprar pronto.

Espero ter ajudado.

Abraços 

Sonia:

Ajudou muito, Poly! Peço sua licença para compartilhar aqui :-)

PS - E a receita da panqueca?


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Maconha liberada pelo juiz! E já que estamos falando de drogas recreativas...


Deu no Globo de hoje, página 8: o juiz Frederico Maciel, de Brasília, absolveu um rapaz que foi preso por tentar levar 46 gramas de maconha para um amigo dentro do presídio, considerando incoerente que álcool e tabaco sejam permitidos e vendidos, enquanto a maconha, “um entropecente recreativo”, é proibida. Considera ilegal a portaria da Anvisa que coloca o THC entre substâncias sujeitas a controle especial, devido ao baixo poder nocivo.

Já que outras figuras de proa do mundo, como Fernando Henrique Cardoso, Pepe Mujica e até Obama estão de acordo, passemos ao parágrafo seguinte: 

A LARICA.

O problema mais comum derivado do consumo de maconha passa longe, muito longe, da visão oficial sobre o assunto: é a famosa e imprevisível larica.

Trata-se de uma fome inacreditável, compulsiva, obsessiva, que quando ataca não deixa a vítima pensar em outra coisa. E aí, o que estiver mais à mão é devorado gulosamente sem a menor vergonha, inclusive pizza gelada e coca-cola choca. Cresce o desejo por coisas doces, e depois, é claro, vem o famoso bode: moleza, preguiça, sono, deixa pra lá...

Mas não é só quem fuma baseado que pode ter larica. A larica é livre, popular, não respeita sexo, cor, religião, partido ou time. Você tem ou não tem, e isso depende da forma como cada organismo trata o açúcar. Uns anseiam por ele, outros nem ligam. Há quem beba álcool: nesse caso é uma larica etílica.

Maconha dá larica porque faz baixar por algum tempo o nível de glicose no sangue, com efeitos especiais no cérebro, cujo principal combustível é glicose. O jejum de glicose pode dar barato, mas também pode provocar um ataque de hipoglicemia, com suor, palpitações e tremedeira, e aí o único jeito é proporcionar ao dependente uma dose rápida de açúcar. Por outro lado, glicose demais no sangue faz o cérebro ficar saturado, lerdo, pesadão; deprime, emburrece, narcotiza.

Como se vê, açúcar é uma droga poderosa. Tão poderosa que é difícílimo tirá-la de onde está, profundamente arraigada nos nossos hábitos diários de consumo, rainha dos lares, escolas e hospitais. Deveria ser proibida para menores.

Diga não ao açúcar!

Do livro Sem açúcar, com +afeto, 
cuja 15a tiragem está no prelo,
em edição atualizada,

com capa nova de Cesar Lobo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Flúor: boas e más notícias

A boa é que essa plantinha indiana, o manjericão santo (Ocimum tenuiflorum), consegue neutralizar grande parte do flúor na água. A má é que ele continua sendo adicionado à nossa água potável, sem necessidade, porque os governos são, como direi… calma, Sonia… como direi…

http://noticias-alternativas.blogspot.com.br/2013/04/manjericao-santo-remove-fluor-da-agua-e.html

Grata a Unknown, que postou esse comentário aqui no blog.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Papo de verão: O quente, o frio, o morno e o fresco


ilustração de Celina Gusmão no livro 
Meditando na cozinha, de onde saiu esta crônica

Valha-nos Deus, que calor. Quarenta
graus à sombra e o ar-condicionado pifou.
Ventilador, só se for para fazer vento
quente. E suor seco. Do chuveiro
a água sai morna. O chão de ladrilho
também está morno, mas quase fresco:
deitar ali e ficar sem pensar nada. Jazer.
Aqui jaz uma pessoa morta de calor.

Também, quem mandou comer? Devia ter ficado
em jejum. Pão e água. Não, pão esquenta. Só água.
Zero calorias! Viver de água e chi, o sopro vital.
Mergulhar no vazio feito um monge zen, respirar bem
devagar e ir reduzindo a frequência dos batimentos
cardíacos. A circulação de sangue mais lenta faz o corpo
funcionar menos e isso o desaquece. A pele, suada e fresca,
passa a refrescar também o interior do corpo.

Ah, frescor! Distante. Meio-dia, panela no fogo, barriga
vazia, cadê a vontade de comer? Só se for salada. Mmm,
maravilhosa salada, cheia de alfaces várias, raditi, chicória,
rúcula, agrião, catalona, tudo misturado numa festa com
cenoura, beterraba, rabanete, fatias de manga, laranja e
mais pepino e cebolinha, que não podem faltar no calor.

O pepino é um sucesso. Fácil de preparar, refresca logo o
estômago e os pulmões, o que melhora muito as condições
da pele; facilita a circulação de líquidos no corpo, acelera a
formação de urina, acaba com os inchaços dolorosos e
quentes da garganta. Velho, amarelado, fervido em sopa,
alivia a tosse seca do outono. Aplicado externamente, suco
de pepino fresco faz secar espinhas e trata queimaduras.
É o príncipe do verão, digamos. Com ou sem casca,
conforme o estômago do freguês.

Já a cebolinha verde é um curinga – regula
a temperatura interna, impedindo tanto o excesso
de calor quanto o de frio, e combina demais com tudo –
sanduíche, macarrão, salada, carnes, sopa... Também fica
maravilhosa quando é aferventada em pouca água durante
três a cinco minutos; escorra, ponha na tábua de vegetais,
espere esfriar um pouquinho, esprema para tirar o resto
da água e corte na diagonal em pedaços de 3 cm.
Tempere com uns pingos de molho de soja, nada mais.
Um maço dá para duas pessoas. Acompanha bem qualquer
macarrão, fica divina entre duas fatias de pão integral,
completa cogumelos de todos os tipos. E ainda faz hora
extra salvando crianças e adultos que engolem coisas
pontudas e perfurantes como cacos de vidro, chaves,
brincos: basta aferventar a cebolinha e ir engolindo inteira,
sem cortar, que ela se enrola em torno do objeto e o conduz
assim protegido até a saída.

Algas marinhas, aveia, banana, beldroega, beringela, nabo,
broto de bambu, cana-de-açúcar, caqui, caranguejo, coelho,
pato, clara de ovo, espinafre, limão, laranja, tangerina,
maçã, manga, melancia, melão, ovo de pata, painço,
papaia, pera, tofu, tomate, trigo, alimentos frescos
e mornos, crus ou ligeiramente cozidos: tudo isso
reduz o calor.

Abóbora, açúcar, alho, alho-poró, anchova, truta, canela,
cravo, carneiro, codorna, cebola, cenoura, frango, leite de
coco, malte, mexilhão, pêssego, rim, alimentos e bebidas
quentes e gelados, doces, sorvetes, refrigerantes, chocolate,
café, cerveja, frituras, coisas de forno ou feitas na pressão:
tudo isso aumenta o calor.

A sabedoria oriental diz que não se trata
o quente com o frio, mas com o fresco; não se
trata o frio com o quente, mas com o morno.
Nós, que não sabemos nada disso, bebemos gelados no
verão e morremos de calor – porque o corpo tem que
continuar quentinho por dentro para poder funcionar,
e trata de acelerar as turbinas para aquecer o gélido
conteúdo. Coisas da natureza, contrariando a tecnologia,
a propaganda, os impulsos de consumo, a tola
e superficial felicidade do século 21.


Mas, com tanto calor, pensar quem há de?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Síndrome de Gu: As parasitoses crônicas e seus efeitos físicos e mentais, na visão da Medicina Clássica Chinesa


Eu nunca tinha ouvido falar em Síndrome de Gu, e bem que achava estranho os acupunturistas saberem tão pouco sobre parasitoses crônicas. Foi quando recebi estas preciosidades: http://medicinachinesaclassica.org/blog/wp-content/uploads/artigos/2011GuPARTEI.pdf  , parte 2 em http://medicinachinesaclassica.org/blog/wp-content/uploads/artigos/2012PSEM4.pdf .

São dois artigos do estudioso Heiner Fruehauf, muito bem traduzidos em português, que qualquer pessoa que se interesse por saúde precisa ler. Não precisa entender tudo, por exemplo os conceitos culturais e as ervas. Mas precisa tomar conhecimento do potencial de dano físico e mental que as parasitoses crônicas causam, e perceber como isso está acelerado neste momento.

Os textos mais antigos da Medicina Clássica Chinesa expõem a complexidade do problema e indicam estratégias.

Olho vivo.

Mais sobre bichos que dão em gente: http://correcotia.com/vermes

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O caldeirão da Sonia Hirsch: Remédio bom é amar e ser amado



De: Dex Generada
Para: Deixa Sair

Ouvir: http://tunapunkrock.bandcamp.com/track/o-caldeirao-da-sonia-hirsch

O caldeirão da Sonia Hirsch

Na vida quase tudo tem remédio
Se a gente entende bem o que é isso
O que nos debilita ou vicia
Nos mata ou nos leva ao suicídio
A febre a fossa a polícia o tédio
O dinheiro e a própria medicina
Que nos fazem querer o precipício
A cura: expurgo e profilaxia

Tristeza e tosse com gengibre e prazer
Pra voz clara maçãs, e boa autoestima
Agrião e extravasar pra limpar o fígado
Pro coração: cachos de uvas e amigos

Asfalto, calçamento: todos cimentados
Endurecendo o chão e a gente
Pavimentando câncer e estresse
Remédio é picareta e semente.
fast food, prato congelado
Alimentam indústria e colesterol
Anticapitalismo e mastigar sem pressa
Comida fresca, molotov e sol

Mingau de arroz limpa o medo e as toxinas
Lágrimas e arruda pra lavar a alma e os olhos
Objetivos próprios, DIY e água fresca
Correr e depois pôr os pés de molhos

Se o que não se exercita atrofia
Nadar contra a corrente é liberdade
Viver temperatura e temperamento
Sem cérebro ou ar condicionados
Suar! Mexer! Com outra pele em contato
Abraço molhado! Externando o calor que ar de dentro

Remédio é evitar ficar doente
Produzir coisas que têm significado
Manter limpos o corpo e a mente
Remédio bom é amar e ser amado

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Viomundo: Indústria farmacêutica expande diagnósticos e inventa novas doenças

Ela é médica e professora, chama-se Adriane Fugh-Berman e expôs ao Viomundo (mais uma dica preciosa da Susana Ayres) os laços pra lá de viciados entre a indústria farmacêutica e os diagnósticos médicos:

– Existe um número muito maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante, para a indústria farmacêutica, fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso. Uma delas é mudar o padrão do que se caracteriza como doença. Outra é criar novas doenças.

Vale a pena ler a íntegra em http://www.viomundo.com.br/denuncias/adriane-fugh-berman-industria-farmaceutica-expande-diagnosticos-e-inventa-novas-doencas-para-vender-remedios.html .

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ritalina: Exterminando o futuro?

Do Portal da Unicamp:
"Para uns, ela é uma droga perversa. Para outros, a 'tábua de salvação'. Trata-se da ritalina, o metilfenidato, da família das anfetaminas, prescrita para adultos e crianças portadores de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Teria o objetivo de melhorar a concentração, diminuir o cansaço e acumular mais informação em menos tempo. Esse fármaco desapareceu das prateleiras brasileiras há poucos meses (e já começou a voltar), trazendo instabilidade principalmente aos pais, pela incerteza do consumo pelos filhos. Ocorre que essa droga pode trazer dependência química, pois tem o mesmo mecanismo de ação da cocaína, sendo classificada pela Drug Enforcement Administration como um narcótico. No caso de consumo pela criança, que tem seu organismo ainda em fase de formação, a ritalina vem sendo indicada de maneira indiscriminada, sem o devido rigor no diagnóstico. Tanto que, no momento, o país se desponta na segunda posição mundial de consumo da droga, figurando apenas atrás dos Estados Unidos. Como acontece com boa parte dos medicamentos da família das anfetaminas, a ritalina 'chafurda' a ilegalidade, com jovens procurando a euforia química e o emagrecimento sem dispor de receita médica. Fala-se muito que, se não fizer o tratamento com a ritalina, o paciente se tornará um delinquente. "Mas nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona", critica a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro. Mais vale a orientação familiar”, encoraja a pediatra, que concedeu entrevista, a seguir, ao Portal Unicamp."
Leia a entrevista completa da dra Cida Moysés no Portal da Unicamp.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Comer bem: Queijetarianos

Adoro Jamie Oliver e seu estilo bagunceiro de cozinhar, cheio de uma energia alegre e inteligente de quem se dá todo ao que está fazendo, mas sabe que a vida não começa nem acaba ali. Gosto de como ele valoriza os vegetais frescos da horta, ensinando tudo o que pode enquanto colhe e prepara, e acho admirável seu empenho em passar ao público o amor pelas ervas, dizendo coisas como: "O melhor que você tem a fazer é comer muitas folhinhas verdes, elas estão cheias de nutrientes e dão sabor a tudo". É um cozinheiro rude e delicado, meio porquinho, que às vezes tempera demais, mas tão carismático que tem uma legião de fãs no mundo inteiro.

Hoje me fez companhia durante minha meia hora diária de pedaladas no elíptico. Ia cozinhar para sua banda, que é vegetariana, então resolveu fazer canelone, aquela panquequinha de massa de macarrão. Refogou cebola picadinha, alho, espinafre (diferente do nosso), temperou com sal, pimenta, noz-moscada e colocou a mistura no meio dos retângulos de massa comprada pronta. Aí apresentou ao público inglês a nossa conhecida ricota, que esfarelou por cima do recheio. Mais sal e pimenta, e então uma dose generosa de queijo parmezon ralado. Enrolou os canelones, colocando-os sobre um molho de tomates batidos no processador com manjericão, sal e pimenta, cobriu tudo com mozzarella de búfala (a autêntica) e antes de levar ao forno deitou por cima mais uma grossa camada de parmezon ralado, explicando que, como não há carne para dar sabor, o queijo faz esse serviço. Aí foi para a sobremesa: morangos enfiados em espetos de alecrim, caramelizados, para servir com creme... de quê? De outro queijo, mascarpone, batido com açúcar.

É como se houvesse uma frustração do paladar vegetariano a ser compensada por esse elemento lúdico, cremoso ou puxa-puxa, às vezes doce, às vezes salgado e picante., que evoca o seio materno.

Tudo bem se fosse o queijo um alimento inocente como as abobrinhas e as folhinhas verdes, mas não é. Sua digestão pode ser lenta e incompleta, gerando mais muco no estômago do que os ácidos são capazes de dissolver. Enquanto se está comendo queijo no dia a dia ele se acumula, formando eventualmente uma camada grossa de muco no tubo digestivo; esse muco sobe para a garganta, o nariz, os sínus - olha aí a raiz da gripe, da sinusite, do catarro que se tem que tossir para soltar das mucosas. E que alimenta os micróbios e parasitas mais diversos, com um admirável poder de complicar a vida do freguês.

Grande parte da humanidade é intolerante à lactose, que é o açúcar do leite, e também à sua proteína, que é onde a coisa pega mais. Proteínas são combinações de aminoácidos destinadas a formar tecidos. Conforme o tecido muda a combinação. Assim, a proteína que faz o cabelo é diferente da proteína que faz a pele. Quando a gente come alimentos que têm proteína, o fígado a decompõe em aminoácidos e estes circulam pelo sangue para serem colhidos conforme a necessidade de cada setor do organismo. Quando se consome leite de vaca, existe ali uma combinação de aminoácidos própria para construir e renovar tecidos de um animal quadrúpede que tem chifre, pelo, rabo e não frequenta blogs: muge e pasta. É uma combinação geralmente inadequada para seres humanos. A comparação química entre o leite humano e o leite de vaca mostra claramente como nossas necessidades são diferentes.

Queijos são leite de vaca concentrado. Usam-se 15 a 20 litros de leite para produzir um queijo minas de tamanho médio.

Os queijos surgem na cultura humana como elemento de subsistência, uma forma de aproveitar a sobra do leite de vacas, cabras, ovelhas, búfalas, jumentas, iaques e semelhantes. Fáceis de guardar e transportar, versáteis na forma de preparo, variando conforme as regiões e as estações do ano, os queijos sem dúvida têm sido uma ajuda e tanto para a humanidade. Fornecem proteína, gordura, umidade em tempos de seca; gratificam.

Mas esses mesmos queijos acabam sendo usados de uma forma distorcida quando fora da tradição que lhes dá significado. O próprio Jamie Oliver, cozinhando para um chef italiano em outro episódio, é censurado por colocar queijo demais no macarrão. Até os macrobióticos aprovam queijo ralado nessa circunstância, para haver algo que fermente e facilite a digestão da massa, mas tem que ser pouco - para não sobrar e virar muco.

Fora isso, ainda há um lado negro nessa questão: os hormônios e antibióticos dados ao gado leiteiro têm efeitos negativos sobre a nossa vida hormonal. Já há mais de 12 anos que o leite dos Estados Unidos é produzido com hormônios recombinantes, que vêm a ser o seguinte: fatores de crescimento são introduzidos no DNA de bactérias que se multiplicam no rúmen das vacas. Rúmen é o saco digestivo onde primeiro chegam o capim, a cana e a ração, para serem pré-digeridos por bactérias e enzimas. Só depois de completo esse processo é que as vacas (e os outros ruminantes) regurgitam aquela pasta e a engolem de vez para o estômago. Quando elas recebem bactérias geneticamente modificadas (GMO ou OGM, sendo "o" de organismo), passam a produzir a bagatela de 68 litros de leite por dia. Essa referência é antiga, de 1998. O FDA (instituição oficial de controle de drogas e alimentos dos Estados Unidos) aprovou e a coisa cresceu e se multiplicou desde então. A galera natureba, adepta dos orgânicos, já fez muito escândalo. Mas neste mundo capitalista o escândalo é visto com carinho pelos tubarões, pois permite identificar os grupos "subversivos" e, de certa forma, controlá-los.

A segunda  maior audiência deste blog é para um tema que envolve um grave problema de saúde pública, a candidíase. Diariamente chegam comentários desesperados, especialmente de mulheres que estão sofrendo, já fizeram vários tratamentos médicos, não conseguem transar porque dói e arde, o corrimento coça. Um dos grandes culpados dessa situação é o açúcar, ou o excesso de carboidratos, mesmo integrais. Outro: leite e derivados, especialmente queijo.

Como o Brasil não tem tradição alguma nessa produção - nem tinha vacas quando foi descoberto - é comum os queijos locais serem de má qualidade. Alguns nem são queijo de verdade, como o requeijão e o tal do padrão. Alô alô: queijos bons, naturais, daqueles que se pode comer depois da sobremesa para ajudar a digestão, são como os bons vinhos: caros. Aqui e no resto do mundo.

Te cuida, Jamie Oliver. Tô de olho. Um beijo.
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do livro Paixão emagrece amor engorda
postado também em 1/3/2010