quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Candidíase, o blog: Início da publicação do livro em posts

Finalmente deu tempo e comecei a publicar o livro Candidíase, a praga - e como se livrar dela comendo bem num blog todo seu, em forma de posts.

Espero que não atrapalhe as festas de ninguém - e que, depois delas, como resolução de ano novo, possamos pensar de novo em comer melhor ;-)

Feliz Natal! Muitas alegrias, comestíveis ou não!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Milho crioulo: Sementes preservadas

Ainda falando do que se planta e do que se come:

Zero Hora-RS, 12/11/2010
Projeto selecionou 22 produtores como guardiões da espécie
Lavouras de milho começam a se desenvolver em todo o Estado, mas, em Tenente Portela, têm um ingrediente especial: a utilização de sementes crioulas, com o objetivo de que as espécies não se percam em meio ao uso dos transgênicos.
O agricultor Leonel Lanz de Azevedo, 49 anos, maneja as sementes crioulas de milho como se fossem um tesouro. Cuidadosamente, coloca-as em garrafas. Tem consciência de que ali está guardando sua contribuição para a manutenção de uma espécie.
Morador de Alto Alegre, interior de Tenente Portela, onde cultiva dois hectares para subsistência, Azevedo é um dos 22 “guardiões” das sementes selecionados pela prefeitura para a missão de preservar espécies crioulas.– São sementes passadas de geração em geração. Sinto muito orgulho em preservá-las – explica o agricultor. Mesmo sabendo que a espécie não é tão rentável quanto o milho transgênico [ponha os custos na ponta do lápis e verá que a realidade é outra], conhece a importância da missão.
O programa Guardiões da Agrobiodiversidade é uma iniciativa do Departamento de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de Tenente Portela, em parceria com a Emater, o Conselho de Missão Entre Índios (Comin), o Conselho Intereclesial de Igrejas e o Ministério da Agricultura.A iniciativa reúne ainda três grupos indígenas, que preservam espécies nativas.
Os guardiões recebem recursos para subsidiar o plantio das variedades e acompanhamento de técnicos para organização, planejamento da produção e melhorias nas propriedades. Até o momento, já foram identificadas e estão sendo resgatadas 14 variedades de milho crioulo e uma de milho nativo.
A Embrapa desenvolve programa semelhante. O grande diferencial das sementes crioulas está na qualidade da alimentação que proprocionam, como explica o pesquisador do órgão Gilberto Bevilaqua:
– Muitas chegam a ter 10, 20 vezes mais aminoácidos essenciais, minerais e outros micronutrientes.

Notícia boa: MT diz não à soja transgênica e Embrapa apoia

Não que eu seja fã de soja. Como todo mundo aqui sabe, soja, só fermentada - missô, tempê, natô e shoyu não pasteurizado, o que é raríssimo. Ou seja, pra que tanta soja?

Mas adorei a ripada na Monsanto e tinha que publicar. Tomara que o Brasil reaja agora com mais firmeza à manipulação das grandes empresas. Não só de alimentos.
enviado por boletim@aspta.org.br | http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/
Embrapa lança no MT ‘Soja Livre’ para combater transgênicos da Monsanto
A Embrapa, juntamente com a Associação dos produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja) e a Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange), lançaram em 9 de novembro o ‘Programa Soja Livre’, que visa ampliar a distribuição de sementes convencionais e reduzir progressivamente o plantio de sementes transgênicas no estado. As informações são da Rede Brasil Atual.

O ‘Soja Livre’ será iniciado com a implantação de unidades de demonstração de 18 variedades convencionais em todo o estado, que é o principal produtor de soja do país. Atualmente, cerca de 30% da produção de soja do Mato Grosso é convencional.

A utilização de sementes não modificadas sofreu grande redução nos últimos anos devido à falta de fornecimento. As grandes empresas nacionais fornecedoras das sementes convencionais foram absorvidas por multinacionais como a norte-americana Monsanto, que fornece sementes geneticamente modificadas resistentes aos seus próprios venenos e não às condições climáticas ou insetos.

“Existe uma demanda dos próprios agricultores por mais opções de variedades convencionais. Com isso, a Embrapa volta ao mercado de Mato Grosso, do qual ficamos fora durante muito tempo”, afirma Lineu Domitti, chefe de comunicação e negócios da estatal no estado.

Segundo técnicos da Embrapa, vários países, em especial os europeus, exigem comprar a soja que não tenha alteração genética. “Todo mundo começou a focar no transgênico porque não tinha um mercado que valorizasse o convencional”, destaca Glauber Silveira, presidente da Aprosoja. “Agora, com esse mercado valorizado, começa a ser vantajoso voltar a produzir (a variedade sem modificação genética)”.
A Embrapa espera que os próprios agricultores voltem a possuir seus bancos de sementes, e não depender mais dos estoques das multinacionais, revertendo a atual escassez do estado.

Fonte: Jornal Hora do Povo, 17/11/2010

Sobre a AS-PTA, entidade que luta por um Btasil livre de transgênicos:
"A AS-PTA tem como missão apoiar a construção de capacidades políticas e institucionais de organizações da agricultura familiar para que elas assumam de forma crescente o protagonismo na formulação e defesa de padrões de desenvolvimento rural que associam a equidade social, a viabilidade econômica e a conservação dos recursos ambientais.
Ao assumir para si essa missão, a AS-PTA incorpora em seu enfoque estratégico o desafio de promover transformações no mundo rural brasileiro com base nas iniciativas dos atores sociais coletivos organizados desde o âmbito local até o nacional. Desse ponto de vista, os Programas de Desenvolvimento Local da AS-PTA constituem espaços de exercício de enfoques inovadores de construção do conhecimento agroecológico orientados para a constituição de redes sociais conformadas por agricultores-experimentadores responsáveis pela emergência de projetos locais de ocupação e uso dos territórios rurais.
Com base nessa concepção estratégica, a AS-PTA coloca no seu horizonte de longo prazo a construção de uma sociedade rural assentada num forte e dinâmico setor de agricultura familiar viabilizado pelo acesso equânime aos recursos naturais e por um modelo produtivo orientado pelo paradigma agroecológico.
Atuando nas temáticas da promoção da agroecologia e do fortalecimento da agricultura familiar, a AS-PTA desenvolve programas locais na região que integra municípios do Centro-Sul do Paraná e do Planalto Norte de Santa Catarina (Sul do Brasil), no Agreste da Paraíba (Nordeste do Brasil) e na cidade do Rio de Janeiro, com o Projeto de agricultura urbana. Através da vinculação a redes da sociedade civil e da participação em diferentes espaços públicos, a AS-PTA mantém também uma presença efetiva no plano nacional." 

Alô alô, Friburgo: Palestra & autógrafos dia 7, 3a feira, às 10:30, no Teatro Municipal


É o 4o Festival Internacional de Cinema Socioambiental de Nova Friburgo, RJ, que rola de 6 a 12 de dezembro, e me convidaram a participar das atividades paralelas com uma palestra, Comer bem, comer mal, que tem tudo a ver com o socio e o ambiental.

Aproveito para lançar em Friburgo o livro novo, Candidíase, a praga - e como se livrar dela comendo bem. Esse "a praga" no título se refere justamente a um dos maiores problemas socioambientais do planeta, especialmente no Ocidente: quanto mais consumimos alimentos de má qualidade, mais doentes ficamos.

No site do Festival está toda a programação, pra lá de interessante. Imperdível para quem gosta de cinema.

Chego para a abertura, dia 6, e falo no dia seguinte de manhã. A gente se vê lá!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Soja: Não é solução, é problema

Do livro das nutricionistas Denise Carreiro e Mayda M. Correia, "Mães saudáveis têm filhos saudáveis":
Um dos alimentos que mais causam problemas na nossa saúde atualmente é a soja. No futuro, talvez vamos nos referir à soja como mais um grande erro que a ciência cometeu ao promovê-la como um alimento saudável. Esse aval para o consumo transformou a soja na principal fonte de proteínas da indústria alimentícia. Atualmente quase 60% de todos os produtos alimentícios levam soja na sua composição.
A soja foi introduzida no nosso hábito alimentar de forma praticamente compulsória. Há 30 anos as merendas escolares passaram a ter "vacas mecânicas" para produção de leite de soja. Todos os fatores antinutricionais foram ignorados e descobertos mais adiante quando se analisou as consequências dessas ações nas crianças. Além de características alergênicas a soja possui na sua composição elementos que causam inúmeros problemas tanto para as crianças quanto para adultos e gestantes. Para discorrer sobre todos eles seria necessário um livro inteiro.
E as autoras entram nos detalhes importantes da soja:
  • alto potencial alergênico por conter proteínas de difícil digestão
  • isoflavonas (genisteína e daidzenina), hormônios fitoestrógenos que interferem na captação de iodo pela tiróide, comprometendo sua produção dos hormônios T3 e T4 - o que é pior ainda para as gestantes, que têm naturalmente um aumento da excreção de iodo pelo rim
  • bebês alimentados exclusivamente com leite de soja (800 ml a 1 litro por dia) recebem megadose de fitoestrógenos, cuja concentração chega a ser de 13000 a 22000 vezes maior que o normal e corresponde a 5 pílulas anticoncepcionais por dia - o que pode estar diretamente implicado no desenvolvimento sexual precoce das meninas e tardio dos meninos
  • quantidade elevada de fatores antinutricionais como oxalatos, fitatos, urease, lectina (ou hemaglutininas), inibidores de tripsina e de protease, lisinoalanina, nitritos, nitrosamina, isoflavonas.
As autoras lembram que "se de um lado estamos estamos consumindo soja de forma involuntária através dos produtos industrializados, também existe um consumo consciente onde se acredita que os produtos com soja são saudáveis. Na verdade, é tão errado atribuir inúmeros benefícios à soja quanto acreditar que o leite de vaca é a melhor fonte disponível de cálcio".

Mães saudáveis têm filhos saudáveis é um livro cheio de bons argumentos para quem quer gestar e nutrir seu bebê da melhor forma possível.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Candidíase urgente: Banho de sol e de ar nas partes mimosas


Estive com a terapeuta e acupunturista Susana Ayres em Brasilia e ela me lembrou de um aspecto fundamental para melhorar dos ataques de cândida nas partes mimosas: arejar, tomar sol. "É como um armário onde suas roupas e sapatos estão mofando", diz ela. "Você abre, tira tudo, põe no sol, limpa o armário por dentro, defuma com capim-limão, deixa as portas abertas (dele e do quarto, e também as janelas) para que o ar circule e renove o ambiente."

Nas partes mimosas o raciocínio é o mesmo. "Se elas passam o dia inteiro apertadas dentro de calças justas, com lindas calcinhas de lycra ou nylon ou poliester, e estão com cândida, dá até para curar usando... saia!" Saia já, d. cândida! A saia permite que o ar circule, em casa sem calcinha, à noite sem calcinha, de dia com calcinha de algodão se for o caso. Há boas marcas de calcinhas de algodão, das mais castas às mais sexy: Hering, Lupo, Hope e outras. E se bate sol no quarto, bote a perereca no sol!

"Arejar os pulmões também é importante", diz Susana. "Fazer circular o ar, o sangue e botar pra fora o que está estagnado." Isso significa mexer-se, fazer exercícios que acelerem a circulação do sangue e a respiração. "Muitas vezes, quando caminho, percebo que sai do meu canal vaginal algo que estava paradinho lá, igual ao muco do pulmão ou garganta. Penso que o exercício ajuda a lubrificar a vagina, dando melhor condição de limpeza e restauração da flora local."

Obrigadíssima, Susana! Abração!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Alô alô, São Paulo: 5a 25 17h no Mercadão, sábado 27 9h na Feirinha da Água Branca

Batepapo & autógrafos em Sampa
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25 novembro, 5a, 17hs, São Paulo
Chá com Convidados no Mercadão
bate-papo & autógrafos 1.º Festival de Gastronomia Orgânica de SP
De 22 a 26 de novembro rola o 1.º Festival de Gastronomia Orgânica de São Paulo, promovido pela Prefeitura Municipal de SP no Mercado da Cantareira, o Mercadão Municipal.
A ideia é informar a população sobre alimentação saudável e sustentável, mostrando alternativas possíveis para isso. Além disso, promover, divulgar e tornar viável para o grande público a culinária vegetariana e a produção ecológica de alimentos.
O prêmio Nova Gastronomia vai premiar receitas feitas com a castanha-do-pará, recentemente renomeada castanha-do-brasil. Para participar, envie sua receita por e-mail clicando aqui.
Haverá quatro fóruns:
     orgânicos na gastronomia 
     sustentabilidade e vegetarianismo
     educação alimentar – dieta sem carne para crianças, e 
     alimentos vivos.
Mais informações tel (11) 3031-1715 e Prefeitura de SP
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27 novembro, sábado, das 9 às 11, São Paulo
feirinha do Parque da Água Branca 
manhã de bate-papo & autógrafos

Av Francisco Matarazzo 455 Perdizes


promovida pela Associação de Agricultura Orgânica

(11) 3875-2625

Adoro feiras, ainda mais orgânicas, ainda mais sábado de manhã. Ainda não conheço essa, mas já sei que vou curtir muito. Até lá!

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Transgênicos & agrotóxicos: Olho vivo


Transcrevo na íntegra (com certo atraso devido à turbulência própria do período de lançamento de livro) este boletim supimpa da AS-PTA , porque todas as informações que ele traz são preciosas.

POR UM BRASIL ECOLÓGICO,
LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS
Número 514 - 05 de novembro de 2010

Publicado novo estudo relacionando o consumo de alimentos transgênicos a problemas no fígado e nos rins

Car@s Amig@s,

Em janeiro deste ano divulgamos, no Boletim 474, a publicação de uma pesquisa que apontava impactos do milho transgênico à saúde a partir da análise criteriosa de estudos fornecidos pela própria Monsanto quando buscava autorização para seus produtos na Europa. Os dados, que já haviam sido analisados pelos órgãos reguladores, eram mantidos em sigilo é só foram tornados públicos por decisão judicial.

Os estudos em questão mostravam-se precários, com número de cobaias pequeno demais para permitir análises estatísticas com boa margem de confiança e por curto período de tempo. Ainda assim, a análise independente demonstrou que esses mesmos dados que fizeram a Monsanto concluir pela segurança de três variedades de milho transgênico (MON 863, NK 603 e MON 810), analisados corretamente, indicavam a existência de efeitos colaterais principalmente sobre o fígado e os rins -- órgãos ligados à eliminação de impurezas.

Como não deixaria de ser, a avaliação dos pesquisadores franceses colocando em cheque as falsas evidências da Monsanto de que seus produtos eram seguros provocou diversas reações, sobretudo a partir da Monsanto e dos órgãos reguladores nacionais que haviam aprovado produtos transgênicos da empresa.

Buscando consolidar sua posição, o grupo de pesquisadores franceses, coordenado pelo Prof. Gilles-Eric Seralini, publicou em outubro último, na revista científica International Journal of Biological Sciences, um novo estudo analisando os mesmos dados em profundidade ainda maior.

No novo artigo, forte destaque é dado à deficiência dos comitês reguladores, em especial a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, na sigla em inglês), em avaliar a segurança à saúde dos transgênicos destinados ao consumo humano.

O artigo lista e detalha as sete principais falhas no desenho dos estudos da Monsanto, apresenta as mudanças que seriam necessárias para dar consistência aos resultados e avalia as principais consequências, para cada caso, da falta de um desenho experimental adequado.

As análises estatísticas apresentadas pela Monsanto também foram criticadas, assim como foram averiguadas divergências na interpretação de dados biológicos. As críticas ao primeiro estudo da equipe francesa, apresentadas tanto pela Monsanto como pela EFSA, foram detalhadamente respondidas, assim como foram discutidas as sete principais divergências com relação à interpretação feita pela Monsanto (e aceita pela EFSA) com relação a diferenças estatísticas e parâmetros bioquímicos e de avaliação dos órgãos.

Em suas conclusões, os autores ressaltam que o objetivo maior de seu trabalho não é demonstrar a toxicidade crônica dos transgênicos em questão, especialmente porque esta avaliação está baseada em dados provenientes de testes insuficientes. Eles chamam a atenção para o fato de que sequer este tipo de teste, de apenas 90 dias com animais vivos, está sendo conduzido atualmente para se autorizar liberações comerciais de transgênicos em várias partes do mundo -- especialmente para os transgênicos chamados “piramidados” (que acumulam modificações genéticas diferentes já previamente autorizadas de forma individual), fato ainda mais preocupante levando-se em conta a não avaliação dos chamados “efeitos coquetel”.

A principal conclusão apontada pelos autores é a necessidade da realização de estudos toxicológicos transparentes, independentes e replicáveis, cuja disseminação implicaria em importantes consequências em larga escala. “Estudos que compreendam toda a vida de cobaias animais alimentadas com transgênicos em laboratório precisam ser conduzidos, como os testes de dois anos de duração que são feitos com ratos para a avaliação de alguns agrotóxicos e medicamentos. (...) Testes deste tipo poderiam ser associados a pesquisas transgeracionais, reprodutivas e endócrinas. Mais ainda, as deficiências nos desenhos experimentais dos testes realizados hoje em dia deveriam levantar questões de primeira importância com relação a outras autorizações para produtos químicos.”

--

Como dissemos no Boletim 474, os milhos NK603 e MON810 estão liberados no Brasil. Apesar da falta de estudos aprofundados e da inconsistência dos dados fornecidos pela Monsanto, a CTNBio concluiu que “o milho NK603 é tão seguro quanto às versões convencionais”, que a modificação genética “não modificou a composição nem o valor nutricional do milho”, que “há evidênci as cientificas sólidas de que o milho NK 603 não apresenta efeitos adversos à saúde humana e animal” e que “o valor nutricional do grão derivado do OGM referido tem potencial de ser, na realidade, superior ao do grão tradicional”. Sobre o MON810 a CTNBio declarou que “os efeitos intencionais da modificação [genética] não comprometeram sua segurança nem resultaram em efeitos não-pretendidos” e que a “proteína é tóxica somente para lagartas”.

Leia a íntegra do artigo científico Debate on GMOs Health Risks after Statistical Findings in Regulatory Tests (Int J Biol Sci 2010; 6(6):590-598).
Joël Spiroux de Vendômois, Dominique Cellier, Christian Vélot, Emilie Clair, Robin Mesnage, Gilles-Eric Séralini.

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Divulgaremos brevemente uma análise dos resultados da 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (COP-10), realizada em Nagoya, no Japão, entre 18 e 29 de outubro de 2010.

Leia a avaliação feita pela ONG Terra de Direitos sobre o Protocolo Internacional sobre transgênicos, aprovado durante o Encontro das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-5), realizada entre 06 e 10 de outubro, também em Nagoya.

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Neste número:

1. Produtores de grãos não-transgênicos do país são mapeados na internet
2. Agrotóxicos: pesquisa comprova dano celular em população infantil do Paraguai
3. Plantio de milho transgênico decresce na Espanha pelo segundo ano consecutivo
4. Carrefour lança na França linha com mais de 300 produtos de origem animal “Nutridos sem transgênicos”
5. No Canadá, indústria será penalizada se liberar bisfenol-A no ambiente

A alternativa agroecológica

Vivência cooperativa de prestação de serviços para a transição agroecológica

Eventos:

- Congresso “Agrotóxicos, Saúde e Meio Ambiente: o direito à informação”

Organizado pela Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), o encontro terá os objetivos de discutir e combater os problemas que os agrotóxicos causam à saúde do trabalhador, ao consumidor e ao meio ambiente e de criar uma rede nacional de proteção ante os impactos causados pelos agrotóxicos.

Data: 25 e 26 de novembro de 2010.
Local: Auditório Edson Hatem da Fundacentro - Rua Djalma Farias, 126 - Torreão - Recife (PE).
Vagas: 150 (abertas ao público).
Inscrições (gratuitas): até as 12h de 18 de novembro, pelo sítio www.esmpu.gov.br
Informações: inscricoes@esmpu.gov.br

Maiores informações no site da ESMPU.

- II Seminário de Agroecologia do Distrito Federal: Agroecologia, conservando a biodiversidade para o desenvolvimento sustentável

Organizado por diversas entidades governamentais e não governamentais que atuam no Distrito Federal no desenvolvimento da agroecologia e da agricultura orgânica, o evento tem o objetivo de promover a interação, a integração, a socialização de conhecimentos e a troca de saberes em prol do desenvolvimento organizado da agroecologia no DF.

Data: 8 a 11 de novembro de 2010.
Local: Embrapa sede - Brasília - DF
Informações pelo e-mail agroecologia@emater.df.gov.br ou pelos telefones (61) 3340-3093 e 3340-3098.

Veja a programação completa do evento.

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1. Produtores de grãos não-transgênicos do país são mapeados na internet

O cadastro pode pressionar fabricantes a identificar no rótulo dos produtos se a matéria-prima usada é convencional ou geneticamente modificada

Os produtores de grãos não-transgênicos do país já podem ser identificados por meio de uma plataforma na internet que está em desenvolvimento pela Associação Brasileira de Grãos Não-Geneticamente Modificados (Abrange). O projeto, que deve ficar disponível ao público em dezembro, teve início em razão de uma necessidade do mercado, afinal o comprador precisa saber onde encontrar produtores de grãos que não são modificados geneticamente.

O primeiro produto do mapeamento é o milho. De acordo com Ivan Paghi, diretor-técnico da Abrange, o milho teve a preferência porque sua procedência é pouco conhecida no mercado, além do que “vale a pena iniciar o monitoramento por uma cultura em que se estima ter um menor número de produtores que a soja, por exemplo”. (...) Após o lançamento da ferramenta web do milho, serão iniciados, em paralelo, os monitoramentos dos produtores de algodão e soja. Os três produtos foram escolhidos para o mapeamento porque têm sua versão geneticamente modificada liberada no Brasil.

A busca pelos produtores de não-transgênicos será apoiada também pelas secretarias de Agricultura dos estados, que vão divulgar o serviço nas associações de agricultores das cidades. O produtor interessado em fazer com que sua plantação seja inserida na plataforma da Abrange terá de se submeter à verificação de transgenia (avaliação biológica/química para saber se o grão é transgênico). O serviço é gratuito e o monitoramento completo leva de três a quatro meses. Cerca de dez técnicos vão a campo realizar um único rastreamento. (...)

Desde 2004 existe a lei de rotulagem de transgênicos, que visa informar ao consumidor final se ele está levando para casa o produto modificado geneticamente. Mas não são todos os fabricantes que exibem esta informação nos rótulos de seus produtos acabados. (...)

“Com o trabalho de mapeamento, o comprador do grão convencional poderá destacar isto na embalagem, colocando-se como um diferencial perante o mercado”, avisa o diretor-técnico da Abrange. O consumidor final também pode pressionar para que os fabricantes sejam claros nas escolhas de suas matérias-primas. Ligar para o SAC e exigir nas redes sociais das empresas a rotulagem correta daquilo que é vendido são boas iniciativas.

Fonte: Instituto Akatu, 27/10/2010.

2. Agrotóxicos: pesquisa comprova dano celular em população infantil do Paraguai

A pesquisa foi publicada na Revista Pediatría (Volume 37 - Número 2 de 2010), um órgão oficial da sociedade Paraguaia de Pediatria.

Participaram do estudo 48 crianças potencialmente expostas a agrotóxicos e 46 crianças não expostas. Obteve-se amostras da mucosa bucal para determinar o dano no material genético através da frequência de micronúcleos. Encontrou-se no grupo potencialmente exposto a agrotóxicos uma média maior de micronúcleos e de células binucleadas, bem como uma maior frequência de fragmentação nuclear (cariorréxis) e picnose, que são processos típicos de células necróticas.

A medição da frequência de micronúcleos em linfócitos de sangue periférico é amplamente utilizada em epidemiologia molecular e citogenética para avaliar a presença e extensão de dano cromossômico em populações humanas expostas a agentes genotóxicos ou para determinar a presença de um perfil genético suscetível. A alta confiabilidade e o baixo custo da técnica contribuiu para o êxito e a adoção deste biomarcador para estudos, in vitro e in vivo, de danos ao genoma humano.

Outras pesquisas já forneceram evidências preliminares de que a frequência de micronúcleos em linfócitos de sangue periférico constitui um marcador biológico que prediz o risco de câncer em uma população de pessoas sadias.

Neste estudo, as crianças potencialmente expostas aos agrotóxicos eram alunos saudáveis de uma escola da cidade de Ñemby, situada a 50 metros de uma fábrica de agrotóxicos da empresa Chemtec S.A.E. As crianças não expostas eram alunos também saudáveis da cidade de San Lorenzo, situada a 5,5 km da primeira escola (não se registra a presença de nenhuma outra fábrica de venenos nas proximidades de ambas as escolas). Foram consideradas crianças “potencialmente expostas a agrotóxicos” aquelas que vinham frequentando a escola de Ñemby durante 4 horas diárias, 5 dias por semana, por um período de um a seis anos.

Os resultados desta pesquisa permitem afirmar que existe uma exposição a agentes genotóxicos no primeiro grupo de crianças. Deveria ser estabelecido um acompanhamento da frequência de micronúcleos uma vez interrompida a exposição para determinar a persistência, ou não, dos indicadores biológicos de dano celular.

Extraído de: Portal Ecodebate, 07/10/2010.

Leia a íntegra do artigo científico:
Daño celular en una población infantil potencialmente expuesta a pesticidas.
Benítez-Leite S, Macchi ML, Fernández V, Franco D, Ferro EA, Mojoli A, Cuevas F, Alfonso J, Sales L.

3. Plantio de milho transgênico decresce na Espanha pelo segundo ano consecutivo

Agricultores, ecologistas e consumidores solicitam à nova ministra de Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho uma mudança radical na política do governo sobre transgênicos

A superfície cultivada com milho transgênico na Espanha decresceu em 2010 pelo segundo ano consecutivo. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho (MARM), teriam sido cultivados 67.726 hectares -- um decréscimo de 11% em relação a 2009. Afirmando que o cultivo deste milho transgênico, que está proibido em 10 países da União Europeia, já provocou graves impactos na Espanha, um grupo de ONGs solicitam à nova ministra Rosa Aguilar uma mudança radical na política do governo, que aposte na aplicação do Princípio da Precaução e proíba o cultivo de milho transgênico no país.

A diminuição da área plantada também indicam uma crescente rejeição a este tipo de agricultura. Entretanto, é preciso lamentar que estes dados oferecidos pelo governo sejam fornecidos pela indústria, uma vez que não existe na Espanha um registro de propriedades que cultivam milho transgênico -- como exige a regulamentação europeia, mais uma mostra da absoluta falta de transparência e controle sobre este tema por parte do MARM.

A Espanha é o único país da UE que cultiva transgênicos em larga escala (somente milho). O país já registra graves impactos e danos sobre a agricultura convencional e ecológica, como a quase desaparição do cultivo de milho ecológico nas regiões por onde se expandiu o cultivo de transgênicos e a perda do mercado de amido de milho convencional. Para as ONGs, o cultivo deste milho transgênico por um número muito reduzido de pessoas está gerando custos inaceitáveis para o conjunto da agricultura, para a indústria alimentícia, para o meio ambiente e a saúde pública, e violando os direitos dos consumidores.

Fonte: Amigos de la Tierra Espanha, 28/10/2010.

4. Carrefour lança na França linha com mais de 300 produtos de origem animal “Nutridos sem transgênicos”

Graças a uma ação iniciada há mais de 10 anos, o Carrefour tornou-se o primeiro distribuidor a oferecer, na França, produtos com sua marca provenientes de animais alimentados sem transgênicos. A nova linha lançada em 26 de outubro inclui mais de 300 itens alimentícios em todas as suas lojas no país com etiquetas indicando “Nutrido sem transgênicos”.

Segundo uma recente pesquisa do renomado instituto de pesquisas IFOP, preocupados com sua alimentação, 63% dos franceses indicaram que deixariam de consumir esses produtos se soubessem que provêm de animais alimentados com transgênicos. Um número ainda maior, 96%, considera necessário que se mencione na embalagem a presença ou a ausência de transgênicos na alimentação dos animais. A regulamentação vigente na Europa, porém, não permite aos consumidores serem informados claramente sobre isso; quando os animais são alimentados com uma alimentação contendo transgênicos, não é obrigatório informar tal fato.

A nova linha de produtos inclui carne de porco, carne bovina, aves, ovos, bem como pescado de piscicultura.

Extraído e adaptado de Release divulgado pelo Carrefour em 25/10/2010.

5. No Canadá, indústria será penalizada se liberar bisfenol-A no ambiente

Governo alega que o químico não é degradável e pode ser liberado em quantidades que prejudicam peixes e outros animais

Dias depois de incluir o bisfenol A (BPA) na lista de substâncias tóxicas, o governo do Canadá anunciou que irá introduzir nova legislação para penalizar empresas que liberam o BPA no meio ambiente. O BPA é usado na fabricação de embalagens plásticas de alimentos e como revestimento interno de latas de comida e bebida. Como suas moléculas não são estáveis, ele migra da embalagem e contamina os alimentos. Pesquisas com animais já associaram o consumo de bisfenol A à doenças como câncer de mama e de próstata, diabetes, infertilidade, obesidade, puberdade precoce e tardia e problemas cardíacos. Ele já foi proibido em produtos infantis no Canadá, França, Dinamarca e Costa Rica.

O Canadá foi o primeiro país a tomar esse tipo de iniciativa. Um comunicado de Jim Prentice, Ministro do Meio Ambiente, avisou que empresas no Canadá terão 60 dias para desenvolver planos que previnam a contaminação do bisfenol A no meio ambiente como resíduo industrial. De acordo com o comunicado, o BPA, composto encontrado na maioria dos plásticos, “é persistente, não se degrada no meio ambiente e pode ser liberado em quantidades que prejudicam peixes e outros animais”.

Um estudo divulgado pela Health Canada, em agosto deste ano, revelou que o bisfenol A foi encontrado em cerveja e refrigerantes. Um relatório preparado pela Agência de Estatísticas o Canadá, também divulgado em agosto, mostrou que o BPA estava presente em 91% da população.

Extraído de: O Tao do Consumo, 21/10/2010.

A alternativa agroecológica

Vivência cooperativa de prestação de serviços para a transição agroecológica

No Estado do Rio de Janeiro, numa época em que pode-se inferir que “forças ocultas” trabalham pela descaracterização de sua expressão rural nas dimensões política, econômica e cultural, um conjunto de profissionais autônomos aliam compromisso social, com expectativa de fomento ao desenvolvimento sustentável, na tentativa de sobrevivência no campo da prestação de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural, sobretudo na modalidade dedicada aos assentamentos de Reforma Agrária: Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental - ATES, do INCRA, pelo qual a CEDRO atua em oito municípios fluminenses.

A organização em Cooperativa de Trabalho remonta à época do projeto LUMIAR de Assistência Técnica à Reforma Agrária (1997 a 2000), fundando-se a Cooperativa CEDRO, em maio de 1999, como resposta crítica dos profissionais e de instituições parceiras - a exemplo da FETAG e da ONG CAPINA -, ao processo que se estabelecera pela prestadora escolhida pelo INCRA, uma empresa travestida de cooperativa. Este artigo se propõe a referenciar o processo e a constituição de parcerias que sobressaem desses dez anos de vivência cooperativa; os desafios para a manutenção de uma pessoa jurídica de natureza, compreensão e prática complexas, ao mesmo tempo em que de elevado grau de autonomia no estabelecer de novas relações de trabalho.

Apreender o processo cooperativista configura um dos focos do desafio que se instala com a fundação da CEDRO. Muitas vezes seus profissionais foram demandados a auxiliar agricultores em debates e em vivências na constituição de organizações cooperativas. No leque das possibilidades de soluções agroecológicas o associativismo e, em especial, o cooperativismo figuram como ferramentas poderosas para catalisar processos e resultados econômico-sociais. Até a fundação da CEDRO o grupo tal função sem a auto-vivência, na fundamentação das intervenções.

Contratada pelo INCRA-RJ para atuar pelo Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental à Reforma Agrária, em oito assentamentos, com um público de 850 famílias, a CEDRO constituiu uma equipe formada por dez profissionais de formação multidisciplinar que vêm lidando com os desafios da Extensão Rural diferenciada, orientada para a transição agroecológica, mas ainda focada em metas e por regras tradicionais, como a elaboração de Projetos de financiamento pelo programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura familiar - PRONAF.

Fonte: Agroecologia em Rede.

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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

Para os números anteriores do Boletim, clique em: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/

Para receber semanalmente o Boletim, escreva para boletim@aspta.org.br

Acompanhe nosso blog: http://pratoslimpos.org.br

AS-PTA: Tel.: (21) 2253-8317 :: Fax (21) 2233 8363

domingo, 24 de outubro de 2010

Candidíase, o livro: Palestra e autógrafos 4a, 27/10, 19 hs, Saraiva do Rio Sul

– Ah, mas eu nem tenho corrimento..., diz você.

Não? Nem precisa. Candidíase não é só o corrimento vaginal ­­— com ardência, coceira e dificuldade para transar  –  que inferniza 60% das mulheres atendidas no Hospital Pérola Byington, SP, referência em saúde da mulher.

Todos podemos ter cândida em qualquer parte do corpo. Homens também, com ou sem corrimento, ardência e pipoquinhas, eles na glande como nós na vagina.

A cândida é um fermento que cresce principalmente nas mucosas quentinhas e úmidas do intestino. Prospera com antibióticos, anticoncepcionais, alimentação errada. Recobre o espaço, tomando o lugar da flora bacteriana que nos protege. Então vira fungo, invade o interior do corpo e cria novos problemas.

Seus sintomas confundem a vítima e os médicos. Tudo parece outra coisa: má digestão, diarreia, enxaqueca, sonolência, queda de cabelo, corrimento, dores menstruais, dores ciáticas e artríticas, queimação, secura, apatia, perda da libido, baixa imunidade, alergias, hipoglicemia, distúrbios da tiróide e uma quantidade de outras chatices, mazelas e agravantes. No extremo, está por trás de doenças crônicas e degenerativas como câncer, artrite, diabete, aids e síndromes diversas, cada vez mais frequentes no dia a dia.

Este livro é sobre candidíase e as formas de enfrentá-la, e ao mesmo tempo um guia culinário valioso para quem quer recuperar e manter a saúde e a imunidade.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alô alô, Sampa: Palestra sábado às 17 na Caçamba das Artes, Aclimação

imagem Cris Tati

Estou bem gostando de viajar por aí para divulgar o livro novo, Candidíase, a praga - e como se livrar dela comendo bem. Uma das vantagens é que acabo indo bastante a São Paulo, onde nasci e cresci, e confesso que adoro rever os cenários da minha infância, quando o futuro era só uma palavra, que bem poderia ser substituída por um ponto de interrogação.

Hoje tenho um passado e mais essa infância dentro de mim. O presente tomou conta para sempre. Espero que continue assim, aqui agora, uma coisa de cada vez.

A próxima viagem é para São Paulo de novo. Vou fazer uma palestra sábado, 23/10, na Caçamba das Artes, espaço muito simpático na Rua Muniz de Souza 517, Aclimação, para falar sobre Comer bem, comer mal - e também sobre o Candidíase, é claro.

Inscrições e informações com a Pérola Boudak, aqui.

domingo, 17 de outubro de 2010

Qualidade de vida: O problema é outro

"O mega fenômeno com o qual temos que lidar é o do encontro da humanidade com os limites de seus modelos de vida e com o grande desafio de mudar. De recriar sua presença no planeta não só por meio de novas tecnologias e medidas operacionais de sobrevivência, mas por um salto civilizatório, de valores." 

Marina Silva, hoje, ao declarar neutralidade no 2o turno.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Como esquecer", o filme: Malu De Martino, Ana Paula Arósio & o timo


Querida Sonia,
 
te escrevo para contar um pouco da minha história com o seu texto sobre o timo.

No meu método de trabalho para preparação dos atores utilizo diversas fontes de idéias, exemplos, imagens e tudo que possa traduzir a minha visão sobre o personagem que estamos desenvolvendo.

No COMO ESQUECER, antes de começar os ensaios com Ana Paula Arósio, que faz a protagonista Julia, escolhi como referência diversos filmes e textos que gostaria de trabalhar com ela. No que se refere à linguagem cinematográfica fomos de Truffaut e Carl Dryer. Também nos escritos de Dryer começamos a construção da personagem. Nesse momento, lendo seu livro
Meditando na cozinha, me deparei com o texto sobre o timo. 

Imediatamente pensei: Pronto! Já sei como descrever para a Ana Paula o lugar onde ela deve se concentrar para extrair os mais profundos sentimentos da Julia, onde procurar a essência desses sentimentos. Seu texto foi muito esclarecedor para nós duas. Ajudou muito saber que essa glândula poderosíssima dita o movimento interno de sensações e emoções nesse turbilhão permanente que somos nós.

Ficamos então com essa imagem/ideia. Toda vez que, no set, tínhamos alguma dúvida sobre a profundidade do sentimento que gostaríamos de passar, numa troca de olhares lá vinha : "Olha o timo, pense no timo..."

Por isso te escrevo, para mais uma vez agradecer esses seus textos maravilhosos que nos ajudam em tantas ocasiões, até na composição de personagens... Por essa você não esperava, né?

Beijos carinhosos

Malu

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Bom, estou aqui com o timo enorme de entusiasmo, ainda mais porque adorei o filme, que vi em pré-estreia no FestRio. Já era fã do livro de Myriam Campello, uma pequena obra-prima sobre a perda amorosa, e achei que Malu fez extremamente bem um trabalho muito difícil. Ana Paula está arrasando. Modéstia à parte... ;-)

Para quem não conhece, aqui vai o texto a que ela se refere. 

TIMO, A CHAVE DA ENERGIA VITAL

No meio do peito, bem atrás do osso onde a gente toca quando diz Eu, fica uma pequena glândula chamada timo. Seu nome em grego, thymos, significa energia vital. Precisa dizer mais? Precisa, porque o timo continua sendo um ilustre desconhecido.

Ele cresce quando estamos contentes, encolhe pela metade quando nos estressamos e mais ainda se adoecemos. Esta característica iludiu durante muito tempo a medicina, que só o conhecia através de autópsias e sempre o encontrava encolhidinho. Supunha-se que atrofiava e parava de trabalhar na adolescência, tanto que durante décadas os médicos americanos bombardeavam timos adultos perfeitamente saudáveis com megadoses de raios-x, achando que seu tamanho “anormal” poderia causar problemas. 

Mais tarde a ciência demonstrou que, mesmo encolhendo após a infância, continua totalmente ativo: é um dos pilares do sistema imunológico, junto com as glândulas adrenais e a espinha dorsal, e está diretamente ligado aos sentidos, à consciência e à linguagem. Como uma central telefônica por onde passam todas as ligações, faz conexões para fora e para dentro. Se somos invadidos por micróbios ou toxinas, reage produzindo células de defesa na mesma hora.

Mas também é muito sensível a imagens, cores, luz, cheiros, sabores, gestos, toques, sons, palavras, pensamentos. Amor e ódio o afetam profundamente. Idéias negativas têm mais poder sobre ele do que vírus ou bactérias  já que não existem em forma concreta, o timo fica tentando reagir e enfraquece, abrindo brechas para sintomas de baixa imunidade como herpes, por exemplo. Em compensação, idéias positivas conseguem dele uma ativação geral de todos os poderes, lembrando a fé que remove montanhas.

Um teste simples pode demonstrar essa conexão. Feche os dedos polegar e indicador na posição de OK, aperte com força e peça para alguém tentar abri-los enquanto você pensa “estou feliz”. Depois repita pensando “estou infeliz”. A maioria das pessoas conserva a força nos dedos com a idéia feliz e enfraquece quando se pensa infeliz. (Substitua os pensamentos por uma bela sopa de legumes ou um lindo sorvete de chocolate para ver o que acontece...)

Este mesmo teste serve para lidar com situações bem mais complexas. Por exemplo, o médico precisa de um diagnóstico diferencial - seu paciente tem sintomas no fígado que tanto podem significar câncer quanto abcessos causados por amebas. Usando lâminas com amostras, ou mesmo representações gráficas de uma e outra hipótese, testa a força muscular do paciente quando em contato com elas e chega ao resultado. As reações são consideradas respostas do timo e o método, que tem sido demonstrado em congressos científicos ao redor do mundo, já é ensinado até na Universidade de São Paulo (USP), a médicos acupunturistas.

O detalhe curioso é que o timo fica encostadinho no coração, que acaba ganhando todos os créditos em relação a sentimentos, emoções, decisões, jeito de falar, jeito de escutar, estado de espírito... “Fiquei de coração apertadinho”, por exemplo, revela uma situação real do timo, que só por reflexo envolve o coração. O próprio chacra cardíaco, fonte energética de união e compaixão, tem muito mais a ver com o timo do que com o coração – e é nesse chacra que, segundo os ensinamentos budistas, se dá a passagem do estágio animal para o estágio humano.

“Lindo!”, você pode estar pensando, “mas e daí?” Daí que, se você quiser, pode exercitar o timo para aumentar sua produção de bem-estar e felicidade.

Como? Pela manhã, ao levantar, ou à noite, antes de dormir.

Fique de pé, os joelhos levemente dobrados. A distância entre os pés deve ser a mesma dos ombros. Ponha o peso do corpo sobre os dedos e não sobre o calcanhar, e mantenha toda a musculatura bem relaxada.

Feche qualquer uma das mãos e comece a dar pancadinhas contínuas com os nós dos dedos no centro do peito, marcando o ritmo assim: uma forte e duas fracas. Continue por três a cinco minutos, respirando calmamente enquanto observa a vibração produzida em toda a região torácica.

O exercício estará atraindo sangue e energia para o timo, fazendo-o crescer em vitalidade e beneficiando também pulmões, coração, brônquios e garganta. Ou seja, enchendo o peito de algo que já era seu e só estava esperando um olhar de reconhecimento para se transformar em coragem, calma, nutrição emocional, abraço.

Ótimo. Íntimo. Cheio de estímulo. Bendito timo.

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(O livro Didó também fala sobre o timo.)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Candidíase, o livro: Lançamento e agenda de palestras em outubro 2010

 
Nasceu aqui no blog, este livro: um passo a passo para enfrentar e se livrar da candidíase crônica, iluminado pelas imagens de Cris Tati.

Falo de candidíase desde a primeira versão do livro Só para mulheres, em 95. Anos depois o capítulo virou página no correcotia.com e ganhou mundo. Em 2009 abri este blog e postei sobre candidíase, a praga. Choveram comentários, os posts deram filhotes, e assim o assunto cresceu e se multiplicou.

Há algum tempo Bianca escreveu pedindo sugestões de cardápio para a dieta da candidíase e fiquei de pensar. Saia justa. Tive que escrever um livro para explicar o cardápio.

Candidíase, a praga - e como se livrar dela comendo bem é uma proposta prática. Reciclei todas as informações de que já dispunha, li novos livros, pesquisei em blogs e sites, fui para a cozinha testar as receitas. Nunca me senti fazendo um trabalho tão necessário. 

A incidência de candidíase na população é alarmante. Mais de 60% das mulheres atendidas no Hospital Pérola Byington - referência em saúde da mulher, em SP - se queixam de candidíase. 

Mas elas só vão lá porque têm corrimento vaginal, coceira, dificuldade para transar. Se tiverem ardor na bexiga, urgência de urinar ou incontinência, que também podem ser sintomas de candidíase, não contam na estatística, que é ginecológica. Dores nos quadris e nos joelhos também não contam, e são sintomas de cândida. Portadores de artrite, homens ou mulheres, têm candidíase. Barriga estufada, má digestão, esofagite; problemas hormonais, menstruação irregular, sinusite, depressão, baixa libido, baixa imunidade; crianças manhosas, sempre resfriadas, ou que fazem xixi na cama, ou cheias de alergias - nada será diagnosticado corretamente se não se verificar primeiro a possibilidade de ser derivado da proliferação de cândida. E, como ela se beneficia do alto consumo de alimentos industrializados, açúcar, produtos de padaria e laticínios, não é de espantar que seja uma epidemia oculta, como afirma a nutricionista clínica Denise Carreiro, de SP, no recente livro Síndrome fúngica.

Quem passear pelo blog vai constatar as queixas. E também a vitória das mulheres (e alguns homens) que conseguem se equilibrar numa dieta, a princípio muito dura, mas que dá resultados.

Só uma boa alimentação mantém a cândida dentro dos limites. Fungicidas? Podem resolver na hora, por dias ou semanas; mas se o ambiente for propício, a cândida volta sempre a tomar conta. Adere aos tecidos, muda de forma e invade o corpo. Por isso causa tantos sintomas que parecem outra coisa, e acaba sendo a doença de fato por trás de câncer, diabete, aids e outras síndromes de siglas novas para velhos sofrimentos.

O livro estará disponível para o público a partir de 11 de outubro, nas boas livrarias, e também em www.correcotia.com , com frete grátis para todo o Brasil. Preço de capa: R$35,00.

Blog do livro: http://candidiaseapraga.blogspot.com/

AGENDA DE PALESTRAS & AUTÓGRAFOS EM OUTUBRO 2010 

14 outubro, 5a feira, 19hs | São Paulo SP | Livraria Saraiva Shopping Ibirapuera
palestra Candidíase, a praga - e como se livrar dela comendo bem

15 outubro, 6a feira, 19hs | Campinas SP | Livraria Saraiva Shopping Iguatemi
palestra Candidíase, a praga - e como se livrar dela comendo bem

16 outubro, sábado, 16:30hs | Campinas SP | Instituto Ísvara | reservas (19) 3203-1918, 3203-1917
palestra Comer bem, comer mal

23 outubro, sábado, 17hs | São Paulo SP | Caçamba das artes | R. Muniz de Souza 517 Aclimação
palestra Comer bem, comer mal  | inscrições aqui

27 outubro, 4a feira, 19hs | Rio de Janeiro RJ | Livraria Saraiva Shopping Rio Sul
palestra Candidíase, a praga - e como se livrar dela comendo bem 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dilma Rousseff: "Pode criticar à vontade"

Desculpem voltar ao tema, mas estou muito mobilizada pelas eleições. Votar, pra mim, é muito importante. É apostar que aquela pessoa que ajudo a eleger corresponde ao que se espera dela. Passei muito tempo sem votar por causa da ditadura. Não votei em várias eleições porque não tinha candidato. Agora a brincadeira ficou mais animada. Temos bons candidatos à presidência, todos os quatro. E o meu desejo se manifestou a favor da Dilma porque considero a continuidade positiva neste momento, em benefício do PAC, do pré-sal, da confiança do povo. Vejo mil defeitos também, mas ninguém está livre deles, menos ainda um partido tão grande quanto o PT. Olhando com isenção, é bonito ver no Brasil de tantas oligarquias um partido político da classe trabalhadora crescer, ocupar espaço e imprimir sua marca.

Na semana passada publiquei aqui, indignada, o manifesto em defesa das instituições, porque vi nas declarações do presidente Lula o germe do ditador populista, popular ou popularesco, que quer calar a boca da imprensa e detonar a democracia. Com 80% de aprovação, ele não precisa disso. Pode ser generoso. E deveria saber que toda unanimidade é burra. A imprensa existe para informar, cutucar e incomodar, para mostrar que existem dois pratos na balança e desafinar o coro dos contentes. Estou nessa. Não sou da grande imprensa mas também não quero que calem minha boquinha.

Pois ontem saiu no Globo um editorial falando do manifesto e em seguida o seguinte:

Também é bem-vinda a postura assumida pela candidata Dilma Rousseff, ao visitar Porto Alegre, na sexta-feira passada, quando propôs tolerância e fez profissão de fé na liberdade de expressão. De quem foi vítima da violência do Estado não se poderia esperar outra coisa: "Pode criticar, prefiro múltiplas vozes críticas, a mais aguda, mais clara e explícita, do que o silêncio. Vivi o silêncio da ditadura, que cala as pessoas".

Falou, D. Dilma. Fica combinado assim. Estamos de olho.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Comer bem: Espinafre tem ácido oxálico demais

Recebi e repasso na íntegra.

Por que o espinafre faz mal à saúde
                                     Jocelen Mastrodi Salgado*

O consumo do espinafre aumenta a cada dia que passa. O famoso marinheiro Popeye, faz propaganda do alimento, dando a entender que quem come espinafre está sempre forte e pronto para superar qualquer obstáculo. O que poucos sabem, é que no mesmo país de origem do desenho (Estados Unidos), há algumas décadas atrás, a ingestão de leite batido com espinafre (o objetivo era enriquecer a bebida com ferro), causou a morte de crianças recém-nascidas. A doença ficou conhecida como doença do branco do olho azul, pois o branco dos olhos ficava dessa cor. Posteriormente, descobriu-se que a presença do espinafre no leite era a causadora da tragédia, mas na época (1951) o fato foi encoberto e o desenho do marinheiro Popeye continuou a ser exibido.

Por que devemos tomar cuidado com o espinafre


O espinafre é um dos alimentos vegetais que mais contém cálcio e ferro. Entretanto, esses dois minerais são pouquíssimo aproveitados pelo nosso corpo, já que o alto teor de ácido oxálico no vegetal inibe a absorção e a boa utilização desses minerais pelo nosso organismo. Os estudos mostram também que o ácido oxálico do espinafre pode interferir com a absorção do cálcio presente em leites e seus derivados.
 

Esse fato sugere que o espinafre em uma refeição pode reduzir a biodisponibilidade de cálcio de outras fontes que são consumidas ao mesmo tempo. Por isso, se no seu almoço você comeu uma torta de queijo com espinafre, tenha certeza que grande parte do cálcio do queijo não foi utilizada pelo seu organismo.
 

Outra grande preocupação é o possível efeito tóxico que a ingestão de grandes quantidades dos fatores antinutricionais presentes na planta pode causar nas pessoas. Com o objetivo de avaliar todos esses problemas, uma pesquisa, que resultou em uma tese de mestrado, foi desenvolvida na ESALQ/USP sob minha orientação. O estudo intitulado "Avaliação química, protéica e biodisponibilidade de cálcio nas folhas de couve-manteiga, couve-flor e espinafre" teve como objetivos verificar se determinadas plantas podiam ser utilizadas na dieta humana, sem causarem prejuízos à saúde e o bem-estar do indivíduo.

A pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP)

 

As folhas estudadas foram adquiridas no comércio local e a folha de espinafre foi também adquirida de outros dois locais: da Fazendinha da UNIMEP e da horta do Departamento de Horticultura da ESALQ/USP. Essas folhas foram lavadas, secas em estufa e moídas. A seguir, foram acrescentadas nas dietas que foram avaliadas durante o ensaio experimental com duração de 30 dias.
 

Resultados
 

Os resultados começaram a impressionar quando verificamos os teores dos dois fatores antinutricionais investigados: ácido fítico e oxálico. A folha de espinafre apresentou valores muito altos em relação às demais. Como conseqüência desse fato, os animais alimentados com a folha de espinafre morreram na primeira semana, e portanto, não puderam ser avaliados até o final do estudo. Várias tentativas foram feitas, utilizando dietas com folhas de espinafre cozidas (acreditávamos que o calor pudesse destruir os fatores tóxicos presentes) ou folhas de espinafre provenientes de outros locais (livres de agrotóxicos que pudessem ter influência).
 

Contudo os mesmos resultados repetiram-se, ou seja, houve a morte dos animais com hemorragia, tremores e perda de peso. Os rins dos animais mortos foram retirados e analisados pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba/UNICAMP. De acordo com o laudo apresentado pelo Departamento de Patologia, foi comprovado inchaço renal, indicando uma nefrotoxidade, edema celular e depósito de substâncias aparentemente cristalizadas nos túbulos renais, o que provoca disfunção renal.
 

De acordo com vários pesquisadores, a explicação provável estaria na presença do ácido oxálico no alimento, que além de causar um balanço negativo de cálcio e ferro, em doses superiores a 2g/Kg de peso, pode causar toxicidade nos rins. Já o ácido fítico, quando na proporção de 1% na dieta, seria o responsável pela redução do crescimento dos animais jovens. Na década de 80, estudos já atribuíam ao ácido oxálico sintomas como lesões corrosivas na boca e trato-intestinal, hemorragias e cólica renal, causados pela ingestão de plantas ricas nesta substância. De acordo com esses mesmos estudos, o espinafre que possui a relação de ácido oxálico/cálcio superior a 3, deve ser evitado. Na nossa pesquisa isso foi observado.
 

Com relação às demais folhas, couve-manteiga e couve-flor, não foi observado nenhum efeito tóxico, verificando-se que a melhor biodisponibilidade e retenção de cálcio nos ossos (73%) ocorreu nos animais que ingeriram a dieta contendo couve-manteiga.
 

Os resultados desse estudo nos levam a acreditar que o consumo de espinafre deve ser substituído por outros vegetais folhosos, já que os efeitos proporcionados pela ingestão das substâncias antinutricionais presentes na folha, podem ser prejudiciais à absorção de nutrientes importantes para nossa saúde, e essas mesmas substâncias podem causar sérios problemas tóxicos.
 

Os resultados também sugerem que além da grande presença de ácido oxálico e fítico, provavelmente a folha do espinafre contenha outras substâncias tóxicas, que supostamente levaram à óbito os animais do estudo, bem como causaram o incidente com os recém-nascidos nos Estados Unidos. Essas substâncias, ainda não identificadas, exerceriam ações tóxicas em pessoas mais sensíveis e levariam a chamada "doença do branco do olho azul". Fica claro, portanto, a necessidade de mais estudos elucidativos a respeito do assunto.
 

Finalizando, a minha dica é que todos procurem dar preferência a outros vegetais folhosos em substituição ao espinafre: a couve, brócolis, folha de mostarda, agrião, as folhas de cenoura, beterraba e couve flor e leguminosas como os feijões, ervilhas, lentilhas e soja são as melhores opções para quem quer consumir fontes alternativas de cálcio e ferro.

* Profª. Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros: "Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento" e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças", editora Madras.

domingo, 26 de setembro de 2010

Medicina tradicional: Ayurveda ganha engenheira de alimentos


Seria o melhor de dois mundos, ter a praticidade da alimentação moderna com a segurança da alimentação tradicional. Nossa amiga Sílvia Salas, ex-trabalhadora da indústria alimentícia careta, pode ajudar isso a acontecer. Mesmo que não seja tão prático, afinal. Mas com resultados muito melhores.

Silvia, em que momento você viu que não queria continuar na profissão?

Foi um caminho longo, onde a cada passo ia acordando um pouquinho, mas também dormia de vez em quando... um caminho com curvas, voltas, e muitos obstáculos. Trabalhei na Indústria por 10 anos. Há uns 4 anos, quando comecei a praticar yoga e cuidar um pouco mais da saúde, comecei a pensar em que era o que estava fazendo com os alimentos. O alimento é mais do que a gente vê ou pensa. Vai ser parte da gente e por isso mesmo deve ser tratado com respeito, carinho e amor. Então tem que ser uma coisa boa mesmo. Não posso colocar 10 aditivos químicos e embalar numa caixa plástica para que dure 1 ano, parecendo uma coisa gostosa e fresca, quando realmente não é. Acho que foi uma questão de ética comigo mesma, uma luta constante nestes 4 anos por fazer as coisas certas; mas numa indústria (falo da maioria, porque há exceções), onde o foco principal é vender e gerar lucros, é um pouco difícil. Assim, tomei coragem e saí. Agora faço algumas consultorias, mais rem relação a produtos orgânicos, sem glúten ou voltados para a saúde. Definitivamente cansei de trabalhar com o artificial, a ilusão; agora, quero trabalhar com verdade e realidade.

E o Ayurveda, como entrou na sua vida e se tornou um caminho profissional? Você usa o conhecimento sobre nutrição no seu trabalho terapêutico?

O ayurveda foi paixão à primeira vista. Eu comecei há uns três anos. Descobri na internet, quando estava pesquisando sobre especiarias. Começaram ali meu interesse e meus estudos com ele. Percebi que a ligação entre corpo, mente, alma é muito forte, não podemos separar. A relação entre alimento e pessoa é uma das bases para ter boa saúde. Definitivamente, achei meu caminho - e agora, vou nessa.
No meu trabalho terapêutico uso muito o que aprendi como engenheira. Posso esclarecer à pessoa, de uma forma mais técnica, por que tem que deixar de lado certos alimentos e porque tem que consumir os outros. E do ayurveda vem a explicação da nutrição individualizada, com sua parte consciente e sagrada. É uma busca constante de conhecimentos ancestrais  no campo da alimentação e de  sua aplicação nos dias de hoje.

Silvia Salas fez formação em Terapia Ayurveda no Instituto Hindu Naradeva Shala em São Paulo, com estudos avançados e especialização em alimentação e culinária Ayurvédica na Índia.

contatos
11 8989-3551

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sempre um gato: Gatinha mochileira

Ela era minúscula quando Laetitia e Guillaume a encontraram, numa estrada da Lousiania, já em sua jornada a pé de Miami, EU, para Ushuaia, no sul da Argentina. Adotada sem mais delongas, Kitty cresceu on the road. O casal está construindo um site - http://www.turnoftheworld.com - mas as fotos ainda não estão lá, então não resisto a colocar aqui.











quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O caminho das flores: Mônica Lampreia

Minha amiga Mônica Lampreia, paisagista, acaba de lançar um livro lindo, delicioso, que ensina o caminho para quem que fazer um jardim e sonhar com ele: O caminho das flores, editora Das Duas. O que botar aqui? Como cobrir aquilo ali? O que será que dá bem lá? E para atrair os passarinhos? E se fosse um canto todo vermelho? E pra fazer sombra na casa? E pra dar cheiro? E pra fazer muda?

Com mais de 1300 fotos deslumbrantes, o livro é daqueles que a gente não lê: lambe com os olhos. Já em todas as boas livrarias e também pelo site http://ocaminhodasflores.com.br/.

Política urgente: Cobra comendo lagarto

cortesia de Fábio Campos

Opinião pública somos nós: Olho vivo

"A democracia e o estado de direito pedem passagem hoje, ao meio-dia, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Assine aqui o manifesto em defesa das instituições

Hoje, ao meio-dia, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, será lido o Manifesto em Defesa da Democracia. Ele veio a publico com 59 assinaturas iniciais, conforme vocês leram ontem à noite aqui, porque é preciso que um grupo se proponha a dar a largada, vocalizando aquela que é certamente a opinião de milhões de brasileiros. O texto está aberto a quantos queiram endossá-lo. Depois da leitura, UM SITE ABRIGARÁ O DOCUMENTO PARA A COLETA DE NOVAS ASSINATURAS. E a deste escriba estará lá, com muita honra. Tenho a certeza de que, em breve, seremos muitos milhares.

Prestem atenção à lista inicial de nomes. Ela dá conta justamente dessa diversidade. Não são pessoas que pensam a mesma coisa. Num debate sobre os rumos do país, muitos ali teriam divergências severas. Mas todos têm uma coisa em comum: a certeza de que a democracia e o estado de direito são conquistas das quais o Brasil não pode abrir mão. Todos comungamos da convicção de que o Brasil precisa aprimorar, e não depredar, os mecanismos institucionais para o pleno exercício da justiça e da cidadania.

Nenhum partido é dono da sociedade civil. Nenhum partido é “gerente” da história. A nenhum governante é lícito decidir quem representa e quem não representa “a alma de nosso povo”. Elegemos governantes para que respeitem as leis democráticas e para que as aperfeiçoem ou as mudem segundo as regras que a própria democracia prevê e abriga. Tentam dar um golpe, estes sim, os que pretendem calar a divergência, na certeza de que são os monopolistas do bem, do belo e do justo.

É a defesa das instituições que reúne num mesmo documento, entre outros,  o jurista Hélio Bicudo; o líder católico e militante dos direitos humanos dom Paulo Evaristo Arns; os professores José Arthur Giannotti, Leôncio Martins Rodrigues e Marco Antônio Villa; o ex-ministro Mailson da Nóbrega; o poeta Ferreira Gullar; a atriz Rosamaria Murtinho e o ex-ministro do STF Sidnei Sanches.

Somos muitos — pessoas das mais variadas profissões, formações e mesmo ideologias — a cobrar não mais do que respeito à Constituição, às leis, às instituições e à liberdade de imprensa. Ou será que, com a truculência retórica que está se tornando costumeira,  os espadachins da reputação alheia porão em dúvida as credenciais democráticas desses homens e mulheres?

NÃO ESTAMOS CANSADOS! AO CONTRÁRIO! ESTAMOS CHEIOS DE ENERGIA PARA DEFENDER A DEMOCRACIA, O ESTADO DE DIREITO E A LIBERDADE DE IMPRENSA.

Abaixo, segue a íntegra do documento. Um bom exercício é confrontar o seu conteúdo com o manifesto que o PT e sindicalistas estão divulgando contra a liberdade de imprensa. De um lado, a civilização democrática; de outro, o flerte bom a barbárie ditatorial.

Segue o texto do manifesto. Divulgue, espalhe, multiplique. Não estamos pensando no próximo outubro, mas em todos os outubros que virão."

Por Reinaldo Azevedo

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.

Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.

É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.

É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.

É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.

É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.

É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.

É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.

É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.

Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.

Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.

Os primeiros signatários do manifesto em defesa da democracia

01. Hélio Bicudo
02. D. Paulo Evaristo Arns
03. Carlos Velloso
04. René Ariel Dotti
05. Therezinha de Jesus Zerbini
06. Celso Lafer
07. Adilson Dallari
08. Miguel Reali Jr.
09. Ricardo Dalla
10. José Carlos Dias
11. Maílson da Nóbrega
12. Ferreira Gullar
13. Carlos Vereza
14. Zelito Viana
15. Everardo Maciel
16. Marco Antonio Villa
17. Haroldo Costa
18. Terezinha Sodré
19. Mauro Mendonça
20. Rosamaria Murtinho
21. Marta Grostein
22. Marcelo Cerqueira
23. Boris Fausto
24. José Alvaro Moisés
25. Leôncio Martins Rodrigues
26. José A. Gianotti
27. Lurdes Solla
28. Gilda Portugal Gouvea
29. Regina Meyer
30. Jorge Hilário Gouvea Vieira
31. Omar Carneiro da Cunha
32. Rodrigo Paulo de Pádua Lopes
33. Leonel Kaz
34. Jacob Kligerman
35. Ana Maria Tornaghi
36. Alice Tamborindeguy
37. Tereza Mascarenhas
38. Carlos Leal
39. Maristela Kubitschek
40. Verônica Nieckele
41. Cláudio Botelho
42. Jorge Ramos
43. Fábio Cuiabano
44. Luiz Alberto Py
45. Gabriela Camarão
46. Romeu Cortes
47. Maria Amélia de Andrade Pinto
48. Geraldo Guimarães
49. Martha Maria Kubitschek
50. Gilza Maria Villela
51. Mary Costa
52. Silvia Maria Melo Franco Cristóvão
53. Glória de Castro
54. Risoleta Medrado Cruz
55. Gracinda Garcez
56. Josier Vilar
57. Jussarah Kubitschek
58. Luiz Eduardo da Costa Carvalho
59. Tereza Maria de Britto Pereira 

domingo, 19 de setembro de 2010

Marina Silva: Prioridade para atenção básica à saúde

Para quem não sabe, os Cuidados Básicos de Saúde são definidos pela OMS em quatro estágios. O primeiro é a promoção da saúde, a cargo do indivíduo e da comunidade; inclui alimentação, higiene, bons hábitos e posturas. O segundo é a prevenção de doenças, onde entram os sanitaristas, as obras de água e esgotos, a remoção do lixo, o controle de poluição, pragas e epidemias. Em terceiro lugar vem a medicina com seus processos de cura, e em quarto, os agentes da reabilitação.


Eu, você, nós todos temos responsabilidade com a promoção da saúde. Quem tem saúde não fica pensando em doença. Mas somos poucos Davis contra a gigantesca corrupção dos esquemas médico-farmacêuticos que nos privam de uma boa atenção à saúde, iludem a todos com promessas fúteis de tratamento e cura, sugam nossos recursos e nos envergonham como cidadãos.


Peguei este texto no Movimento Marina Silva. É a única candidata que enxerga a promoção da saúde como prioridade. Se preferir, escute aqui.

Universalizando a atenção básica à saúde


A proposição universal é aquela que tem caráter geral, comum a todos. Assim, falar de universalização da atenção básica à saúde é próximo a falar na garantia do direito à saúde. Como o sistema de saúde pode se estender a todos? Quais são as estratégias para organização e articulação de ações que efetivem o direito à saúde?

No campo da atenção básica à saúde, destacam-se no Brasil os programas Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde. Neles o atendimento é territorializado, permitindo aos agentes o estabelecimento de vínculo com os pacientes. Isso gera confiança para que os profissionais de saúde estimulem mudança de hábitos e oportuniza um atendimento que observa a integralidade das condições de vida das pessoas.

Atenção básica ou atendimento primário é o contato inicial com o sistema de saúde, por isso a necessidade da aproximação com o local onde as pessoas vivem. Nesse sentido, os programas em curso no Brasil devem ser fortalecidos, inclusive com a melhoria das unidades básicas ou postos de saúde, para que o atendimento de qualidade seja continuado e resolutivo, ou seja, não cabe apenas triagem para atendimento especializado em outras unidades.

Da mesma forma, para a garantia do direito à saúde precisamos de proatividade e não apenas reação às demandas. Quando falamos de atenção básica, estamos entendendo ações descentralizadas de equipes multidisciplinares com foco em educação em saúde, nutrição adequada, cuidados materno-infantis, imunizações, prevenção e controle de doenças endêmicas, bem como na provisão de medicamentos essenciais.

Veja como Marina aborda o tema em suas diretrizes de governo: “Ter a Atenção Básica como eixo estruturante da organização e articulação de ações e recursos. Fortalecer e aprimorar o Programa da Saúde na Família, visando estimular seu potencial humanizador do cuidado no atendimento, assim como promover a formação de profissionais de saúde nesse sentido, com prioridade para médicos generalistas, enfermeiros, assistentes sociais e agentes comunitários. Promover a alimentação saudável, com a inserção dos profissionais de nutrição nas equipes de apoio do PSF/Unidades Básicas de Saúde. Investir em tecnologia da informação e comunicação para modernizar o trabalho das equipes do PSF junto aos indivíduos, famílias e comunidades.”

A atenção básica como estratégia parece consolidar a promoção da saúde e a prevenção de riscos e doenças, oferecendo também oportunidade de qualificar a assistência. Para efetivá-la temos muitos desafios, entre eles, qualificar a rede já existente com readequação estrutural e incentivo à formação permanente dos profissionais envolvidos. Temos um caminho já trilhado que precisa ser continuado. Afinal, no Brasil que queremos garantiremos o direito à saúde, por meio de ações como a universalização da atenção básica ou continuaremos subsidiando a medicina suplementar que cristaliza desigualdades sociais?