domingo, 4 de maio de 2014

Leite pasteurizado x leite cru: ótimo artigo de Pat e Alexandre Feldman

Seria preciso um estudo sério comparar os efeitos do leite de vaca sobre o ser humano antes e depois da lei de 1952 que tornou obrigatório pasteurizar tudo. De lá para cá, a incidência de câncer cresceu muito, especialmente nos países que adotaram laticínios industrializados de criação norteamericana.

O dr Alexandre Feldman é um médico que acredita em comida. Como Hipócrates, não muda o remédio: muda o cardápio. Sua especialidade é enxaqueca. É casado com Pat Feldman, mulher dos sete instrumentos que exerce a culinária como arte essencial da vida.

Leia aqui o que eles dizem sobre os leites disponíveis hoje.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Papeluxos do curso "Meditando na Cozinha" em BH para baixar e imprimir

Faço esses papeluxos, nos cursos, como uma espécie de memória para todos nós. Acabei agora de fazer os que vamos usar neste fim de semana em BH.

Pela primeira vez me dou conta de que todo mundo pode ter acesso a eles em pdf. Pois aqui vai o link das minhas quatro folhinhas soltas ao léu: papeluxo comer bem-muito prazer .









terça-feira, 15 de abril de 2014

Para branquear os dentes? Cúrcuma!



Estava eu aqui posta em sossego atualizando meus livrinhos quando a Ninesh mandou um comentário a um post sobre cúrcuma - http://www.soniahirsch.com/2009/04/curcuma-ou-acafrao-da-terra-todo-dia.html - falando sobre escovar com ela os dentes. Como a cúrcuma é boa para tudo, inclusive proteger a madeira contra cupins, acreditei e tratei de experimentar.

Gente, a boca fica maravilhosamente limpa, os dentes absurdamente brancos. E a escova, claro, para sempre amarela.

Basta molhar a escova em água e encostá-la no pó que ela vem carregadinha. Não faz espuma.

Cuidado só com o pijama: os respingos mancham. Mas se acontecer, é só tingi-lo com a própria…

Valeu, Ninesh!

E para comprar direto da cooperativa de produtores de açafrão (cúrcuma) de Mara Rosa, acesse http://cooperacafrao.blogspot.com.br .

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Alô alô, Santa Catarina e Paraná: Curso de dietoterapia chinesa e brasileira de 23 a 25 de maio em Joinville


Próxima atração: Dengue transgênica?

“Na última quinta o governo liberou o uso comercial de mosquistos Aedes aegypti transgênicos. Em nenhum outro país do mundo esses organismos estão sendo usados em escala comercial. Alguns estudos foram feitos no Panamá e Ilhas Cayman, além de duas experiências na periferia de Juazeiro, na Bahia.

As conclusões desses testes na Bahia não foram apresentadas à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio e, portanto, não constam do pedido de liberação comercial que foi aprovado na última sessão do órgão. Ainda assim, os dados disponíveis falam apenas na redução da população de mosquitos da dengue, sem contudo informar se houve ou não queda da incidência da doença nas áreas avaliadas, que seria a grande promessa da tecnologia.”

Leia mais sobre esse modo absurdo de produzir riscos biológicos desnecessários em
http://aspta.org.br/campanha/670-2/ .

domingo, 13 de abril de 2014

Comer bem, comer mal + Maionese de inhame


“Ho ho ho”, ri o falso Papai Noel esfregando o barrigão depois de devorar a ceia, “Comi bem!” E a jovem, após singela saladinha de alface, recusando outros pratos: “Obrigada, comi bem”. A enfermeira, sobre o paciente que parece estar um pouco melhor: “Está comendo bem...” E o casal que acaba de gastar uma pequena fortuna num jantar de alta gastronomia: “Ah, comemos muito bem!”.

Como se vê, cada um come bem de um jeito. Mas afinal, o que é mesmo comer bem?

Com certeza, não é comer muito. A gula sempre foi e continua sendo um pecado capital. Mesmo que o conceito de pecado seja um pouco elástico hoje em dia, pode-se dizer que a pessoa empanturrada peca contra si mesma, contra o delicado equilíbrio do corpo que sente, pensa, fala, age. A digestão sequestra toda a energia disponível e é por isso que muitas vezes põe os glutões para dormir o sono pesado da comilança.

Comer pouco também não é comer bem. Pouco já diz que é pouco. Se for uma estratégia para reduzir o tamanho do estômago sem cirurgia, vale a pena – mas aí o que se recomenda é fazer várias pequenas refeições por dia, todas bem nutritivas, para não gerar carências.

Porque também não come bem quem come qualquer coisa. Se há algo que faz diferença na alimentação, hoje, é a qualidade. O mundo alimentar foi dividido em dois: comida de verdade de um lado e produtos alimentícios de outro. O Brasil já está em plena “transição nutricional”, dizem os cientistas políticos. Nosso consumo de feijão caiu 25% enquanto o de refrigerantes e guloseimas subiu 40%. Com maior poder aquisitivo, estamos optando por pseudocomida industrializada. Ou seja, comendo mal, o que acaba levando a doenças crônicas e distúrbios recorrentes que estragam a vida de qualquer
um.

Por outro lado, mercados e feiras continuam aí. Há cada vez mais barracas de vegetais orgânicos, frutas do sítio, frangos e ovos caipiras, pães de farinha integral e todo tipo de alimento de verdade para fazer uma boa comida tradicional. Até mesmo vegetais e frutas produzidos com agrotóxicos, em cujo uso o Brasil é campeão, ajudam a desintoxicar - não só dos pesticidas que carregam, mas de toxinas do ar, da água, do estresse.

Folhas verde-escuras, como couve, mostarda, brócolis, chicória, rúcula e tantas outras: comê-las todo dia é um seguro de saúde concreto. Vegetais coloridos e variados – abóbora, cenoura, beterraba, rabanete, pepino, nabo, quiabo e tantos outros, se possível da estação e produzidos nas redondezas, são o que garante de fato a presença de vitaminas e sais minerais no sangue. Seja com arroz e feijão, seja com carnes, peixe ou aves, os vegetais é que fazem a diferença. E o custo de uma sacola cheia de vegetais divertidos pode ser bem menor que o de um queijo, por exemplo, que alimenta menos e
costuma levar a tantas reações alérgicas.

Esse é outro ponto importante: o que cada um pode ou não pode, deve ou não deve comer. Conhecer-se é fundamental para ter bem-estar. O corpo reclama quando insatisfeito - rinite, dor de cabeça, intestino preso ou solto, muitos gases, dificuldade de pensar com clareza. Em vez de tomar logo um comprimido, faz bem quem pensa sobre que comeu na véspera. Comida também dá ressaca.

Quantidade, qualidade e autoconhecimento são três critérios confiáveis para comer melhor. O que não significa comer com rigidez. Como diz a médica norteamericana Christiane Northrup, “Não existe dieta perfeita; mesmo que você a encontre, o desejo de variar vai produzir mudanças, e isto é saudável”.

Maionese de inhame da Myriam, minha irmã
para temperar saladas e vegetais ou passar na torradinha

Rendimento: 1 litro

300 gramas de inhames cozidos, sem casca
1 xícara/chá de azeite
1 1/2 xícara de água
1 colher/sopa de mostarda
1/2 cebola média picada
1 ou 2 dentes de alho
1/2 limão grande espremido
salsa e cebolinha picadas
sal e pimenta-do-reino a gosto
1/2 colher/café de açúcar ou mel

Bater tudo no liquidificador até obter um creme homogêneo. 
Guardar na geladeira, em vidro grande, e ir tirando aos poucos.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Dieta radical da candidíase: Farinhas de coco e banana verde da Poly

Extraído dos comentários em http://www.soniahirsch.com/2010/07/candidiase-gourmet-sugestao-de-cardapio.html 

Poly:

Estou fazendo a dieta, sofri bastante os primeiros dias, só pensava em comida, de tanta fome! Mas os resultados são animadores, corrimento de uma vida INTEIRA desapareceu!!! Com apenas uma semana.

Descobri a farinha de banana verde e a de coco, fiz as duas em casa. Posso usá-las na dieta radical? Gostaria de preparar panqueca pela manhã como desjejum.

Sonia:

Poly, experimente e observe. Depois conte pra nós como foi.

A farinha de coco eu experimentei e achei simplesmente o máximo. Você fez em casa como? E a farinha de banana-verde?

Poly:

Pra fazer a farinha de banana verde comprei uma penca bem verdinha, descasquei e cortei em rodelas, espalhei na forma e levei ao forno com fogo baixo. Aí é só ir observando, quando as rodelas estiverem bem sequinhas, quase quebrando na mão você tira, espera esfriar e depois coloca no processador ou liquidificador até formar a farinha.

No meu caso bati no liquidificador mesmo, e fui peneirando aos poucos.

Não tem gosto de quase nada, e realmente prolonga a sensação de saciedade.

A farinha de coco eu fiz com o coco maduro, ralei toda a polpa e depois deixei de molho por uns 15 min em água quente, li que ajuda a eliminar um pouco do excesso de gordura. Depois bati tudo no liquidificador e coei com um pano de prato limpo. 

O liquido que sobra é praticamente um leite de coco caseiro. O coco ralado que fica no pano de prato eu coloquei numa forma e levei ao forno até secar. Depois é só levar ao processador ou liquidificador e formar a farinha. 

Quando levar esse coco ralado ao forno tem que observar bem para não queimar, porque ele seca muito rápido,a farinha fica num tom amareladinho mesmo. Peguei as receitas de como fazer essas farinhas na internet, achei melhor fazer em casa do que comprar pronto.

Espero ter ajudado.

Abraços 

Sonia:

Ajudou muito, Poly! Peço sua licença para compartilhar aqui :-)

PS - E a receita da panqueca?


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Maconha liberada pelo juiz! E já que estamos falando de drogas recreativas...


Deu no Globo de hoje, página 8: o juiz Frederico Maciel, de Brasília, absolveu um rapaz que foi preso por tentar levar 46 gramas de maconha para um amigo dentro do presídio, considerando incoerente que álcool e tabaco sejam permitidos e vendidos, enquanto a maconha, “um entropecente recreativo”, é proibida. Considera ilegal a portaria da Anvisa que coloca o THC entre substâncias sujeitas a controle especial, devido ao baixo poder nocivo.

Já que outras figuras de proa do mundo, como Fernando Henrique Cardoso, Pepe Mujica e até Obama estão de acordo, passemos ao parágrafo seguinte: 

A LARICA.

O problema mais comum derivado do consumo de maconha passa longe, muito longe, da visão oficial sobre o assunto: é a famosa e imprevisível larica.

Trata-se de uma fome inacreditável, compulsiva, obsessiva, que quando ataca não deixa a vítima pensar em outra coisa. E aí, o que estiver mais à mão é devorado gulosamente sem a menor vergonha, inclusive pizza gelada e coca-cola choca. Cresce o desejo por coisas doces, e depois, é claro, vem o famoso bode: moleza, preguiça, sono, deixa pra lá...

Mas não é só quem fuma baseado que pode ter larica. A larica é livre, popular, não respeita sexo, cor, religião, partido ou time. Você tem ou não tem, e isso depende da forma como cada organismo trata o açúcar. Uns anseiam por ele, outros nem ligam. Há quem beba álcool: nesse caso é uma larica etílica.

Maconha dá larica porque faz baixar por algum tempo o nível de glicose no sangue, com efeitos especiais no cérebro, cujo principal combustível é glicose. O jejum de glicose pode dar barato, mas também pode provocar um ataque de hipoglicemia, com suor, palpitações e tremedeira, e aí o único jeito é proporcionar ao dependente uma dose rápida de açúcar. Por outro lado, glicose demais no sangue faz o cérebro ficar saturado, lerdo, pesadão; deprime, emburrece, narcotiza.

Como se vê, açúcar é uma droga poderosa. Tão poderosa que é difícílimo tirá-la de onde está, profundamente arraigada nos nossos hábitos diários de consumo, rainha dos lares, escolas e hospitais. Deveria ser proibida para menores.

Diga não ao açúcar!

Do livro Sem açúcar, com +afeto, 
cuja 15a tiragem está no prelo,
em edição atualizada,

com capa nova de Cesar Lobo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Flúor: boas e más notícias

A boa é que essa plantinha indiana, o manjericão santo (Ocimum tenuiflorum), consegue neutralizar grande parte do flúor na água. A má é que ele continua sendo adicionado à nossa água potável, sem necessidade, porque os governos são, como direi… calma, Sonia… como direi…

http://noticias-alternativas.blogspot.com.br/2013/04/manjericao-santo-remove-fluor-da-agua-e.html

Grata a Unknown, que postou esse comentário aqui no blog.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Papo de verão: O quente, o frio, o morno e o fresco


ilustração de Celina Gusmão no livro 
Meditando na cozinha, de onde saiu esta crônica

Valha-nos Deus, que calor. Quarenta
graus à sombra e o ar-condicionado pifou.
Ventilador, só se for para fazer vento
quente. E suor seco. Do chuveiro
a água sai morna. O chão de ladrilho
também está morno, mas quase fresco:
deitar ali e ficar sem pensar nada. Jazer.
Aqui jaz uma pessoa morta de calor.

Também, quem mandou comer? Devia ter ficado
em jejum. Pão e água. Não, pão esquenta. Só água.
Zero calorias! Viver de água e chi, o sopro vital.
Mergulhar no vazio feito um monge zen, respirar bem
devagar e ir reduzindo a frequência dos batimentos
cardíacos. A circulação de sangue mais lenta faz o corpo
funcionar menos e isso o desaquece. A pele, suada e fresca,
passa a refrescar também o interior do corpo.

Ah, frescor! Distante. Meio-dia, panela no fogo, barriga
vazia, cadê a vontade de comer? Só se for salada. Mmm,
maravilhosa salada, cheia de alfaces várias, raditi, chicória,
rúcula, agrião, catalona, tudo misturado numa festa com
cenoura, beterraba, rabanete, fatias de manga, laranja e
mais pepino e cebolinha, que não podem faltar no calor.

O pepino é um sucesso. Fácil de preparar, refresca logo o
estômago e os pulmões, o que melhora muito as condições
da pele; facilita a circulação de líquidos no corpo, acelera a
formação de urina, acaba com os inchaços dolorosos e
quentes da garganta. Velho, amarelado, fervido em sopa,
alivia a tosse seca do outono. Aplicado externamente, suco
de pepino fresco faz secar espinhas e trata queimaduras.
É o príncipe do verão, digamos. Com ou sem casca,
conforme o estômago do freguês.

Já a cebolinha verde é um curinga – regula
a temperatura interna, impedindo tanto o excesso
de calor quanto o de frio, e combina demais com tudo –
sanduíche, macarrão, salada, carnes, sopa... Também fica
maravilhosa quando é aferventada em pouca água durante
três a cinco minutos; escorra, ponha na tábua de vegetais,
espere esfriar um pouquinho, esprema para tirar o resto
da água e corte na diagonal em pedaços de 3 cm.
Tempere com uns pingos de molho de soja, nada mais.
Um maço dá para duas pessoas. Acompanha bem qualquer
macarrão, fica divina entre duas fatias de pão integral,
completa cogumelos de todos os tipos. E ainda faz hora
extra salvando crianças e adultos que engolem coisas
pontudas e perfurantes como cacos de vidro, chaves,
brincos: basta aferventar a cebolinha e ir engolindo inteira,
sem cortar, que ela se enrola em torno do objeto e o conduz
assim protegido até a saída.

Algas marinhas, aveia, banana, beldroega, beringela, nabo,
broto de bambu, cana-de-açúcar, caqui, caranguejo, coelho,
pato, clara de ovo, espinafre, limão, laranja, tangerina,
maçã, manga, melancia, melão, ovo de pata, painço,
papaia, pera, tofu, tomate, trigo, alimentos frescos
e mornos, crus ou ligeiramente cozidos: tudo isso
reduz o calor.

Abóbora, açúcar, alho, alho-poró, anchova, truta, canela,
cravo, carneiro, codorna, cebola, cenoura, frango, leite de
coco, malte, mexilhão, pêssego, rim, alimentos e bebidas
quentes e gelados, doces, sorvetes, refrigerantes, chocolate,
café, cerveja, frituras, coisas de forno ou feitas na pressão:
tudo isso aumenta o calor.

A sabedoria oriental diz que não se trata
o quente com o frio, mas com o fresco; não se
trata o frio com o quente, mas com o morno.
Nós, que não sabemos nada disso, bebemos gelados no
verão e morremos de calor – porque o corpo tem que
continuar quentinho por dentro para poder funcionar,
e trata de acelerar as turbinas para aquecer o gélido
conteúdo. Coisas da natureza, contrariando a tecnologia,
a propaganda, os impulsos de consumo, a tola
e superficial felicidade do século 21.


Mas, com tanto calor, pensar quem há de?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Síndrome de Gu: As parasitoses crônicas e seus efeitos físicos e mentais, na visão da Medicina Clássica Chinesa


Eu nunca tinha ouvido falar em Síndrome de Gu, e bem que achava estranho os acupunturistas saberem tão pouco sobre parasitoses crônicas. Foi quando recebi estas preciosidades: http://medicinachinesaclassica.org/blog/wp-content/uploads/artigos/2011GuPARTEI.pdf  , parte 2 em http://medicinachinesaclassica.org/blog/wp-content/uploads/artigos/2012PSEM4.pdf .

São dois artigos do estudioso Heiner Fruehauf, muito bem traduzidos em português, que qualquer pessoa que se interesse por saúde precisa ler. Não precisa entender tudo, por exemplo os conceitos culturais e as ervas. Mas precisa tomar conhecimento do potencial de dano físico e mental que as parasitoses crônicas causam, e perceber como isso está acelerado neste momento.

Os textos mais antigos da Medicina Clássica Chinesa expõem a complexidade do problema e indicam estratégias.

Olho vivo.

Mais sobre bichos que dão em gente: http://correcotia.com/vermes

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O caldeirão da Sonia Hirsch: Remédio bom é amar e ser amado



De: Dex Generada
Para: Deixa Sair

Ouvir: http://tunapunkrock.bandcamp.com/track/o-caldeirao-da-sonia-hirsch

O caldeirão da Sonia Hirsch

Na vida quase tudo tem remédio
Se a gente entende bem o que é isso
O que nos debilita ou vicia
Nos mata ou nos leva ao suicídio
A febre a fossa a polícia o tédio
O dinheiro e a própria medicina
Que nos fazem querer o precipício
A cura: expurgo e profilaxia

Tristeza e tosse com gengibre e prazer
Pra voz clara maçãs, e boa autoestima
Agrião e extravasar pra limpar o fígado
Pro coração: cachos de uvas e amigos

Asfalto, calçamento: todos cimentados
Endurecendo o chão e a gente
Pavimentando câncer e estresse
Remédio é picareta e semente.
fast food, prato congelado
Alimentam indústria e colesterol
Anticapitalismo e mastigar sem pressa
Comida fresca, molotov e sol

Mingau de arroz limpa o medo e as toxinas
Lágrimas e arruda pra lavar a alma e os olhos
Objetivos próprios, DIY e água fresca
Correr e depois pôr os pés de molhos

Se o que não se exercita atrofia
Nadar contra a corrente é liberdade
Viver temperatura e temperamento
Sem cérebro ou ar condicionados
Suar! Mexer! Com outra pele em contato
Abraço molhado! Externando o calor que ar de dentro

Remédio é evitar ficar doente
Produzir coisas que têm significado
Manter limpos o corpo e a mente
Remédio bom é amar e ser amado

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Viomundo: Indústria farmacêutica expande diagnósticos e inventa novas doenças

Ela é médica e professora, chama-se Adriane Fugh-Berman e expôs ao Viomundo (mais uma dica preciosa da Susana Ayres) os laços pra lá de viciados entre a indústria farmacêutica e os diagnósticos médicos:

– Existe um número muito maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante, para a indústria farmacêutica, fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso. Uma delas é mudar o padrão do que se caracteriza como doença. Outra é criar novas doenças.

Vale a pena ler a íntegra em http://www.viomundo.com.br/denuncias/adriane-fugh-berman-industria-farmaceutica-expande-diagnosticos-e-inventa-novas-doencas-para-vender-remedios.html .

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ritalina: Exterminando o futuro?

Do Portal da Unicamp:
"Para uns, ela é uma droga perversa. Para outros, a 'tábua de salvação'. Trata-se da ritalina, o metilfenidato, da família das anfetaminas, prescrita para adultos e crianças portadores de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Teria o objetivo de melhorar a concentração, diminuir o cansaço e acumular mais informação em menos tempo. Esse fármaco desapareceu das prateleiras brasileiras há poucos meses (e já começou a voltar), trazendo instabilidade principalmente aos pais, pela incerteza do consumo pelos filhos. Ocorre que essa droga pode trazer dependência química, pois tem o mesmo mecanismo de ação da cocaína, sendo classificada pela Drug Enforcement Administration como um narcótico. No caso de consumo pela criança, que tem seu organismo ainda em fase de formação, a ritalina vem sendo indicada de maneira indiscriminada, sem o devido rigor no diagnóstico. Tanto que, no momento, o país se desponta na segunda posição mundial de consumo da droga, figurando apenas atrás dos Estados Unidos. Como acontece com boa parte dos medicamentos da família das anfetaminas, a ritalina 'chafurda' a ilegalidade, com jovens procurando a euforia química e o emagrecimento sem dispor de receita médica. Fala-se muito que, se não fizer o tratamento com a ritalina, o paciente se tornará um delinquente. "Mas nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona", critica a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro. Mais vale a orientação familiar”, encoraja a pediatra, que concedeu entrevista, a seguir, ao Portal Unicamp."
Leia a entrevista completa da dra Cida Moysés no Portal da Unicamp.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Comer bem: Queijetarianos

Adoro Jamie Oliver e seu estilo bagunceiro de cozinhar, cheio de uma energia alegre e inteligente de quem se dá todo ao que está fazendo, mas sabe que a vida não começa nem acaba ali. Gosto de como ele valoriza os vegetais frescos da horta, ensinando tudo o que pode enquanto colhe e prepara, e acho admirável seu empenho em passar ao público o amor pelas ervas, dizendo coisas como: "O melhor que você tem a fazer é comer muitas folhinhas verdes, elas estão cheias de nutrientes e dão sabor a tudo". É um cozinheiro rude e delicado, meio porquinho, que às vezes tempera demais, mas tão carismático que tem uma legião de fãs no mundo inteiro.

Hoje me fez companhia durante minha meia hora diária de pedaladas no elíptico. Ia cozinhar para sua banda, que é vegetariana, então resolveu fazer canelone, aquela panquequinha de massa de macarrão. Refogou cebola picadinha, alho, espinafre (diferente do nosso), temperou com sal, pimenta, noz-moscada e colocou a mistura no meio dos retângulos de massa comprada pronta. Aí apresentou ao público inglês a nossa conhecida ricota, que esfarelou por cima do recheio. Mais sal e pimenta, e então uma dose generosa de queijo parmezon ralado. Enrolou os canelones, colocando-os sobre um molho de tomates batidos no processador com manjericão, sal e pimenta, cobriu tudo com mozzarella de búfala (a autêntica) e antes de levar ao forno deitou por cima mais uma grossa camada de parmezon ralado, explicando que, como não há carne para dar sabor, o queijo faz esse serviço. Aí foi para a sobremesa: morangos enfiados em espetos de alecrim, caramelizados, para servir com creme... de quê? De outro queijo, mascarpone, batido com açúcar.

É como se houvesse uma frustração do paladar vegetariano a ser compensada por esse elemento lúdico, cremoso ou puxa-puxa, às vezes doce, às vezes salgado e picante., que evoca o seio materno.

Tudo bem se fosse o queijo um alimento inocente como as abobrinhas e as folhinhas verdes, mas não é. Sua digestão pode ser lenta e incompleta, gerando mais muco no estômago do que os ácidos são capazes de dissolver. Enquanto se está comendo queijo no dia a dia ele se acumula, formando eventualmente uma camada grossa de muco no tubo digestivo; esse muco sobe para a garganta, o nariz, os sínus - olha aí a raiz da gripe, da sinusite, do catarro que se tem que tossir para soltar das mucosas. E que alimenta os micróbios e parasitas mais diversos, com um admirável poder de complicar a vida do freguês.

Grande parte da humanidade é intolerante à lactose, que é o açúcar do leite, e também à sua proteína, que é onde a coisa pega mais. Proteínas são combinações de aminoácidos destinadas a formar tecidos. Conforme o tecido muda a combinação. Assim, a proteína que faz o cabelo é diferente da proteína que faz a pele. Quando a gente come alimentos que têm proteína, o fígado a decompõe em aminoácidos e estes circulam pelo sangue para serem colhidos conforme a necessidade de cada setor do organismo. Quando se consome leite de vaca, existe ali uma combinação de aminoácidos própria para construir e renovar tecidos de um animal quadrúpede que tem chifre, pelo, rabo e não frequenta blogs: muge e pasta. É uma combinação geralmente inadequada para seres humanos. A comparação química entre o leite humano e o leite de vaca mostra claramente como nossas necessidades são diferentes.

Queijos são leite de vaca concentrado. Usam-se 15 a 20 litros de leite para produzir um queijo minas de tamanho médio.

Os queijos surgem na cultura humana como elemento de subsistência, uma forma de aproveitar a sobra do leite de vacas, cabras, ovelhas, búfalas, jumentas, iaques e semelhantes. Fáceis de guardar e transportar, versáteis na forma de preparo, variando conforme as regiões e as estações do ano, os queijos sem dúvida têm sido uma ajuda e tanto para a humanidade. Fornecem proteína, gordura, umidade em tempos de seca; gratificam.

Mas esses mesmos queijos acabam sendo usados de uma forma distorcida quando fora da tradição que lhes dá significado. O próprio Jamie Oliver, cozinhando para um chef italiano em outro episódio, é censurado por colocar queijo demais no macarrão. Até os macrobióticos aprovam queijo ralado nessa circunstância, para haver algo que fermente e facilite a digestão da massa, mas tem que ser pouco - para não sobrar e virar muco.

Fora isso, ainda há um lado negro nessa questão: os hormônios e antibióticos dados ao gado leiteiro têm efeitos negativos sobre a nossa vida hormonal. Já há mais de 12 anos que o leite dos Estados Unidos é produzido com hormônios recombinantes, que vêm a ser o seguinte: fatores de crescimento são introduzidos no DNA de bactérias que se multiplicam no rúmen das vacas. Rúmen é o saco digestivo onde primeiro chegam o capim, a cana e a ração, para serem pré-digeridos por bactérias e enzimas. Só depois de completo esse processo é que as vacas (e os outros ruminantes) regurgitam aquela pasta e a engolem de vez para o estômago. Quando elas recebem bactérias geneticamente modificadas (GMO ou OGM, sendo "o" de organismo), passam a produzir a bagatela de 68 litros de leite por dia. Essa referência é antiga, de 1998. O FDA (instituição oficial de controle de drogas e alimentos dos Estados Unidos) aprovou e a coisa cresceu e se multiplicou desde então. A galera natureba, adepta dos orgânicos, já fez muito escândalo. Mas neste mundo capitalista o escândalo é visto com carinho pelos tubarões, pois permite identificar os grupos "subversivos" e, de certa forma, controlá-los.

A segunda  maior audiência deste blog é para um tema que envolve um grave problema de saúde pública, a candidíase. Diariamente chegam comentários desesperados, especialmente de mulheres que estão sofrendo, já fizeram vários tratamentos médicos, não conseguem transar porque dói e arde, o corrimento coça. Um dos grandes culpados dessa situação é o açúcar, ou o excesso de carboidratos, mesmo integrais. Outro: leite e derivados, especialmente queijo.

Como o Brasil não tem tradição alguma nessa produção - nem tinha vacas quando foi descoberto - é comum os queijos locais serem de má qualidade. Alguns nem são queijo de verdade, como o requeijão e o tal do padrão. Alô alô: queijos bons, naturais, daqueles que se pode comer depois da sobremesa para ajudar a digestão, são como os bons vinhos: caros. Aqui e no resto do mundo.

Te cuida, Jamie Oliver. Tô de olho. Um beijo.
............................... 
do livro Paixão emagrece amor engorda
postado também em 1/3/2010

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Cultura mineira: Defendendo o verdadeiro queijo Minas

Bem que eu já tinha percebido que há queijos e queijos. Com meu talento natural para ficar entupida, encatarrada y otras cositas más quando como queijo, os "curados" me pareciam diferentes, amigáveis quando não inofensivos, e infinitamente mais saborosos do que os queijos comuns.

Mas nem sempre. Algo me escapava entre a origem e os efeitos. Precisei ir a Belo Horizonte dar um curso, meses atrás, para me iniciar na verdadeira questão: as regiões altas de Minas Gerais ainda produzem queijo com leite cru, não pasteurizado, que ao passar algumas semanas maturando fica livre de qualquer micróbio nocivo e por isso se chama curado. "Curado de quê?", pergunta o diretor Helvécio Ratton. "Das doencinhas do queijo", responde o produtor mineiro.

Esse diálogo acontece no filme O mineiro e o queijo , documentário sobre a vida e o trabalho de quem mantém a tradição queijeira há cinco ou seis gerações, desde que os portugueses da Serra da Estrela trouxeram para a região a sua própria cultura. Foi o início do queijo "minas", famoso no mundo. Só que em 1950, tomado por uma febre higienista importada dos Estados Unidos, o governo brasileiro decretou que todo leite teria que ser pasteurizado antes de virar alimento. Desculpa: para combater brucelose, tuberculose e qualquer outra infecção que a teta da vaca pudesse transmitir. Assim se poderia consumir o queijo fresco, sem esperar pela cura.

A cura não acontece quando o leite do queijo é pasteurizado. Cru, ele contém enzimas e lactobacilos que com o passar dos dias trabalham as proteínas e o açúcar do leite tornando-o mais fácil de digerir. Como os bons queijos franceses e italianos, pode ser oferecido até como auxiliar da digestão depois de almoços e jantares. É a combinação de microorganismos do leite e do ar local que faz o serviço. Se o leite for pasteurizado, porém, terá apenas bactérias mortas; ele coalha, sim, e solta o soro, sim, mas é mera massa proteica coagulada, com baixo índice de acidez e alta propensão a ser indigesto.

Queijos curados verdadeiros passaram a ser vendidos por baixo do balcão. Com medo da vigilância sanitária, o comerciante começava respondendo que não tinha. Depois de conhecer o freguês, aí sim o queijo, já de casca grossa, amarelada, finalmente aparecia.

Serra da Canastra, Serro e Alto Paranaíba são as regiões de excelência comprovada para essa produção. O processo é praticamente o mesmo, mas os queijos saem diferentes em sabor e consistência. Hoje se chamam "queijos artesanais de Minas" e fazem parte do patrimônio cultural imaterial brasileiro. Não confundir com os "tipo minas" e "minas padrão" com que as multinacionais dos laticínios nos enganam. Os bons ainda são, infelizmente, para os poucos que podem ir a Minas comprar.