quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dengue? Inhame

 
A saúde é simples, as doenças é que são complicadas.

Por séculos e séculos populações tropicais sobreviveram comendo apenas o que dava no local onde tinham suas aldeias. Nas regiões úmidas, ladeando as grotas, sempre houve fartura de inhame - na Ásia, na África, na América do Sul. Fácil de colher, fácil de preparar e ainda por cima gostoso, o inhame se tornou um dos principais alimentos básicos desses povos.

O que não se sabia é que, durante séculos e séculos, o pequeno e cabeludo inhame estava protegendo as gentes da malária, da dengue, da febre amarela. E eis que chegou a mandioca, aipim, também deliciosa e fácil. Que além do mais dava boa farinha, própria para guardar ou fazer pão, goma para a tapioca de cada dia e ainda bebidas alcoólicas como cauim, alué e tiquira, que ajudavam a esquecer e sonhar. O inhame ficou pra lá. As gentes começaram a morrer de malária. Isso foi muito bem observado na África, onde as roças de inhame foram substituídas por seringais.

Comer inhame continua funcionando para evitar e tratar as doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue. Há algo no inhame, talvez o altíssimo teor de zinco, que neutraliza no sangue o agente infeccioso transmitido pelo mosquito. Diz o povo que é seu visgo que tem poderes. Não se sabe ao certo. A pesquisa científica ainda não se interessou.

Até pouco tempo atrás circulava nas farmácias um tônico centenário à base de inhame e salsaparrilha, o Elixir de Inhame Goulart, usado até como coadjuvante no tratamento de sífilis. A Anvisa não renovou a licença por falta de comprovação da eficácia. Nada corre mais perigo hoje em dia do que uma coisa barata com propriedades medicinais.

Mas o inhame ainda está nas feiras e mercados para quem quiser se beneficiar dele. Cru, cozido, amassado, em sopa, em creme, em caldo, batido com água de coco ou como massa de pizza: veja as receitas em www.correcotia.com/inhame . Bom, barato, gostoso. Para quem acredita mais na saúde do que na doença.

24 comentários:

marly0107 disse...

Sonia adorei.Como sempre adoro ..tenho a maioria de seus livros e fui as suas palestras na cpfl de Campinas..alias já estou sentindo falta delas por aqui.Grata por sua existência.

Sonia Hirsch disse...

Oi, Marly, ando fazendo palestras no Instituto Ísvara, aí em Campinas, no Cambuí (http://www.isvara.com.br). Estamos até programando palestra e curso, talvez em abril. Fique de olho no blog que eu sempre anuncio. Obrigada e um abração!

Léo Dicáprio disse...

Adoro, inhame. Ele é um pouco mais caro q o aipim, seu concorrente. Aqui, Rafael Jambeiro-Ba, o quilo do inhame custa 4 reais, já o aipim 2. Deixei de comer pão e passei a revesá-los, no entanto, como muito mais aipim, por conta do preço. Com ovo de quintal fica uma delícia.

Patricia disse...

Inhame maravilhoso, pena que não tem no México. Será que existe algo parecido que você conheça Sonia e que seja Inhame por essas bandas de cá?
Abraços de Cancun
Patricia

Sonia Hirsch disse...

Oi, Patricia, como assim não tem? Você procurou no mercado? Tente os seguintes nomes: taro, cocoyam, dasheen, colocasia, malanga, yame de canárias, alcocaz, otoe, yautía.

Esse inhame pequeno e cabeludo, da família Colocasia, na verdade se chama taro em português. Os linguistas deixaram o nome inhame para a família Dioscorea, que inclui inhame-do-norte e cará.

Ñame, na América Central, é uma batata doce. Yam, nos Estados Unidos, também não é inhame. Vai ver tem algum nome diferente aí no México. Um abraço!

Ângela Souza disse...

Ainda bem q aqui em Floripa encontro fácil... adoro inhame de qualquer jeito.

Sonia, tens alguma programação de vinda à Florianópolis?

Abraços da Ângela!

Eduardo Mussi disse...

Sonia, meu primeiro comentário de 2012, então fica o desejo de um grande ano para todos nós. Lindo o post com a foto do Ipê.
Agora que você esclareceu a questão da Anvisa eu vejo porque o Elixir sumiu do mercado... eu tomei uma vez e achei bem legal, nos primeiros dias saíram umas acnes e coisas...
Ainda bem que o cabeludinho pode ser visto com fartura no mercado.
Abraço,
Eduardo.

Sonia Hirsch disse...

Sem previsão, Ângela... Abraços daqui também!

Paulandre disse...

Adoro inhame, bato cru com limão (limonada suiça)e qualquer fruta. Ótimo para as crianças que não comem legumes, é batê lo com chocolate e fazer milk shake.

Ângela Souza disse...

Que pena, Sonia...

Anônimo disse...

Boa noite Sonia.

Tenho uma alergia não identificada. Lí A dieta do dr. Barcelos contra o cancêr, ma não encontrei informação de quanto tempo deveria manter a dieta. O que a senhora poderia me dizer?

Obrigada.

Sonia Hirsch disse...

Poderia dizer que uma dieta assim a gente começa e vai observando, ao longo dos dias, a melhora dos sintomas. Mas sem esquecer de que as parasitoses são responsáveis por muitos sintomas ditos alérgicos. Um vermífugo polivalente às vezes resolve. Um abraço!

Magal disse...

Vida inteligente no mundo dos Blogs. Boa sorte, e muitas visitas.

Sonia Hirsch disse...

:-)

Denise Bueno disse...

Oi, Sonia Espero que tudo esteja bem com você no início de 2012. Queria uma dica sua para queimação no estômago. Fiz um ano de tratamento com pantroprazol para esofagite, mudei para a homeopatia, mas não deu certo. O estômago queima forte na junção com o esôfago.Tem alguma dica para esses males. Aguardo, abraços, Denise Bueno

Sonia Hirsch disse...

Oi, Denise, em termos de parasitologia, é frequente aparecerem sintomas fortes de estômago associados à presença de vermes estrongiloides. Mas não sei como ajudar. Prefiro a homeopatia para tratamento médico. Um abraço!

Denise Bueno disse...

Grata, Sonia pela resposta. Vou investigar. Grande abraço!

Anônimo disse...

Olá Sônia, tudo bem? bom primeiramente gostaria de lhe dizer que venho ao seu blog todos os dias.. é tanta informação, e não fico sem ler todos os comentários, que são um show à parte.. sou sua fã!!
por razões de saúde e embalada pelas suas postagens maravilhosas, estou me decidindo pela alimentação natural. gradativamente, estou substituindo algumas coisas por outras.. e já sinto mais vitalidade, mais disposição.. é incrível!
hoje comprei o inhame, e pretendo usá-lo todos os dias.. bem, li todas as suas postagens referentes ao inhame, mas estou com uma dúvida.. tenho uma panela de pressão com vaporeira, e é nela que cozinho os legumes, na pressão.5 minutos na maioria dos legumes e 10 na batata.. mas fiquei confusa quando você diz que o inhame deve ser cozido com casca meia hora. bem a minha dúvida é, esse tempo de cozimento do inhame é utilizando-se a panela de pressão ou não? como você faz?
bom pra finalizar, se você me permite uma sugestão.. é a seguinte: se você fizesse um blog só com receitas, acredito que seria um enorme sucesso, também!

abraço
Deus lhe abençoe
Maria Fernanda

Sonia Hirsch disse...

Oi, Maria Fernanda, a panela de pressão é prática mas, energeticamente falando, concentra o calor dos alimentos. Só uso quando é necessário. De todo modo, você pode cozinhar os inhames na pressão com casca e depois retirá-la, como na panela comum.

Obrigada pela sugestão do blog de receitas. A nutricionista Neide Rigo tem um maravilhoso: http://come-se.blogspot.com . Recomendo!

Clara disse...

Oi Sônia, tudo bem? Vi na web e achei legal compartilhar, o Elixir Goulart ainda é vendido, olha só:

http://www.ophicinadesaude.com.br/elix-inhame

Um abraço

Sonia Hirsch disse...

Oi, Clara, a mim parece que é uma imitação grosseira feita por ex-parceiros do Laboratório Goulart, veja aqui o produto e seu nome em detalhes: http://www.homemdaterra.com.br/Produtos.asp?ProdutoID=67107 .

A fórmula do original era inhame e salsaparrilha, outro precioso depurativo. Um abraço!

Fernanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda disse...

ó Sonia, minha querida!

Estou aqui dando tratos à bola pra entender uma coisa... fui num restô natural delicioso hoje, e sempre observo muito as receitas pra fazer em casa. Hoje tinha maionese de cará!!! Bom, maionese era só o nome-fantasia mesmo, mas eu adorei a textura. É o cará amassadinho, assim, mas com uma textura deliciosa, espetacular, fina! (Hahahaha eu amo comer!)
Aí a minha pergunta é assim: o inhame e o cará têm as mesmas propriedades? Porque aprendi aqui no blog o grande valor do inhame, e acabo so comprando ele... como até bastante. Mas fiquei com essa pulga: se comprar cará, dá na mesma? Tô perguntando inclusive porque eu acho que tem uma diferença de textura entre dois (tenho a impressão que o inhame tem mais visgo).
Obrigada, flor!

Sonia Hirsch disse...

Fernanda, em Recife me disseram que os efeitos são semelhantes. Um abraço!